Atlético-MG, Grêmio, Internacional e São Paulo recebem 45 dias da Anresf para pagar dívidas e evitar punição

Taça do Brasileirão - Lívia Villas Boas/CBF

Taça do Brasileirão - Lívia Villas Boas/CBF

A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), órgão criado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para fiscalizar as regras de fair play financeiro, determinou nesta segunda-feira (19) o prazo de 45 dias para oito clubes quitarem dívidas de 2026 com outras equipes. Na Série A do Campeonato Brasileiro, Atlético-MG, Grêmio, Internacional e São Paulo correm o risco de sofrer transfer ban, punição que impede o registro de novos atletas, caso não façam os pagamentos a partir da notificação.

As decisões de primeira instância divulgadas em 19 de outubro de 2026 abrangem o julgamento de 24 clubes das Séries A e B do Brasileirão, sendo 12 da primeira divisão. Todos os processos analisaram pagamentos em atraso declarados pelas próprias diretorias na data de corte de 30 de junho de 2026, referente à janela de verificação de solvência de 31 de julho de 2026, e resultaram em advertência pública para todas as 24 agremiações.

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Situação de Grêmio, Internacional, São Paulo e Atlético-MG na Anresf

Julgados pela Segunda Turma da Anresf, Grêmio e Internacional ocupam duas das quatro últimas posições da tabela da Série A, lutando contra o rebaixamento, e receberam punições adicionais além do risco de bloqueio de registros em 45 dias. Os dois clubes gaúchos têm o prazo de 15 dias úteis para quitar débitos pendentes com atletas, sob pena de pagamento de multa individual no valor de R$ 100 mil.

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No processo gremista, a equipe comprovou pagamentos feitos após a data de corte ao Panathinaikos, da Grécia, e ao Racing, da Argentina, além de ter um débito com o Cruzeiro reclassificado como anterior a 2026. Já o São Paulo comprovou à agência a quitação de valores com a Lazio, da Itália, após 30 de junho de 2026, teve pendências com Ceará e Red Bull Bragantino submetidas à regra geral para dívidas anteriores a 2026 e recebeu advertência por omitir um débito antigo com o Novorizontino, com alerta de autuação separada se houver reincidência.

O Atlético-MG (Sociedade Anônima do Futebol, a SAF) foi julgado pela Primeira Turma do órgão e reconheceu as pendências financeiras contraídas em 2026, mas teve uma dívida com o Remo excluída da análise porque já contava com acordo formalizado na data de corte. Os julgadores rejeitaram as alegações do clube mineiro sobre planos da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD, órgão da CBF para conflitos financeiros), Imposto Sobre Serviços (ISS) e transações tributárias por falta de formalização no prazo regulamentar, aplicando advertência pública.

Lista de credores dos oito clubes das Séries A e B

Além dos quatro integrantes da primeira divisão, quatro equipes da Série B do Campeonato Brasileiro receberam o mesmo prazo de 45 dias contados da notificação para acertar pendências financeiras de 2026 com outros times e evitar o bloqueio de contratações:

  • Atlético-MG (Série A): dívidas com Bahia e Santos;
  • Grêmio (Série A): dívidas com Capivariano-SP e Votuporanguense-SP;
  • Internacional (Série A): dívidas com Athletico-PR e Juazeiro-CE;
  • São Paulo (Série A): dívida com o São José-SP;
  • Ceará (Série B): dívida com o Santos;
  • Fortaleza (Série B): dívida com o Tombense-MG;
  • Náutico (Série B): dívidas com Botafogo, Criciúma, Cruzeiro e Fluminense;
  • Ponte Preta (Série B): dívidas com Coritiba, Fluminense e Red Bull Bragantino.

Histórico de punições da Fifa e da Anresf em 2026

Dois dos clubes da Série A notificados nesta rodada de julgamentos já enfrentaram restrições de registro de jogadores ao longo da temporada de 2026 por cobranças nacionais e internacionais. Em agosto de 2026, o Grêmio sofreu um bloqueio preventivo da própria Anresf depois de apresentar um plano coletivo à CNRD para pagar quase R$ 16 milhões distribuídos em 23 processos ao longo de 60 meses, medida que passou a exigir autorização prévia do órgão e saldo positivo em transferências para a inscrição de reforços.

Mais recentemente, em 9 de outubro de 2026, o Grêmio foi punido com um transfer ban pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), ficando proibido de registrar atletas por três janelas de transferências devido a uma dívida com o Independiente Medellín, da Colômbia, pela compra do meia Miguel Monsalve em julho de 2024. O São Paulo também sofreu um transfer ban da Fifa em julho de 2026 pelo atraso de uma parcela de cerca de R$ 6 milhões na aquisição do meio-campista Marcos Antônio junto à Lazio, mas pagou o valor posteriormente.

Prazos de outubro e novembro e dados sob sigilo na Anresf

Os documentos públicos divulgados pela Anresf em 19 de outubro de 2026 não detalham os valores exatos das dívidas cobradas de cada uma das oito agremiações ameaçadas de bloqueio de registro. Também não foi revelada a identidade dos dois atletas que têm valores a receber de Grêmio e Internacional no prazo de 15 dias úteis.

Para os processos com pendências fiscais e internacionais em andamento, a agência fixou duas datas no calendário: Atlético-MG e Grêmio têm recomendação para regularizar seus passivos tributários de 2026 até o sábado, 31 de outubro de 2026, e a diretoria gremista precisa informar à Anresf até 30 de novembro de 2026 se ainda resta saldo a pagar ao Panathinaikos.

Thiago Lemos: Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.
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