Carros híbridos e elétricos atingem 86.849 vendas com avanço das tecnologias HEV, PHEV, MHEV e BEV no país

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Carro elétrico carregando Foto: Carro elétrico carregando - Foto: Ralf Hahn/ Istockphoto.com

As concessionárias instaladas no território nacional negociaram 86.849 veículos com motorização alternativa ao longo de um semestre, volume que representa uma expansão de 9,5% nos emplacamentos contabilizados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). A oferta de utilitários e sedãs das fabricantes BYD e Toyota puxa o movimento das lojas em todas as regiões com catálogos divididos entre as nomenclaturas técnicas HEV, PHEV e BEV. Na hora da compra, a busca por menor consumo de combustível e pela redução da fumaça lançada pelos escapamentos esbarra na dúvida dos motoristas sobre o funcionamento exato de cada sigla nas ruas.

Os automóveis equipados com dois propulsores conjugados concentram a maior procura nas lojas e respondem por 64,8% de todas as placas emitidas no setor, enquanto os carros movidos exclusivamente por conjuntos de baterias detêm 25% das vendas totais. A entrada de capital privado para erguer e adaptar linhas de montagem dentro do país sustenta esse ritmo comercial, acompanhada pela instalação de uma malha de abastecimento que soma cerca de 15 mil pontos de conexão elétrica distribuídos pelos estados.

Carro elétrico
Carro elétrico – Foto: coffeekai/ Istockphoto.com
  • Liderança por modelo nas lojas: o utilitário esportivo BYD Song Pro alcançou 11.118 unidades comercializadas em seis meses, superando o concorrente direto GWM Haval H6, que fechou a mesma medição com 10.708 entregas aos compradores.
  • Desempenho mensal de recarga externa: a procura por veículos da divisão PHEV subiu 38% durante a apuração do mês de agosto, resultado que deu a essa arquitetura mecânica o controle de 40% das negociações do segmento.
  • Volume anual calculado pelo setor: as projeções consolidadas pelas fabricantes de automóveis indicam a superação do patamar de 200 mil unidades eletrificadas em circulação nas vias nacionais no fechamento de um ciclo completo de 12 meses.

Funcionamento do sistema HEV dispensa recarga em tomadas e reduz consumo em até 30%

A engenharia identificada pelas letras HEV, sigla em inglês para Hybrid Electric Vehicle (Veículo Elétrico Híbrido), acopla um motor convencional a um propulsor elétrico auxiliar sem exigir que o motorista conecte cabos na rede de energia residencial ou pública. Nessa configuração de fábrica, o bloco abastecido com gasolina ou etanol assume a tração principal do automóvel, ao passo que a máquina elétrica atua nas saídas de semáforo, nas manobras de baixa velocidade e nos congestionamentos.

A reposição da carga consumida pela bateria ocorre de maneira interna e contínua durante o próprio deslocamento do veículo. O sistema aproveita o atrito das frenagens para transformar a energia cinética do movimento em eletricidade e também desvia uma fração da força gerada pela queima de combustível para alimentar o acumulador. Testes conduzidos por institutos de engenharia automotiva apontam que esse trabalho conjunto corta em até 30% o gasto de combustível nos trajetos urbanos em comparação com modelos puramente térmicos.

Dentro das concessionárias, o sedã Toyota Corolla Hybrid consolidou-se como a principal vitrine comercial dessa arquitetura sem cabos. O modelo da marca japonesa construiu sua participação nas vendas apoiado na durabilidade do conjunto mecânico e na tabela de preços reduzidos para as manutenções preventivas obrigatórias.

Arquitetura PHEV roda mais de 100 quilômetros sem gasolina com apoio de carregadores residenciais

Os automóveis classificados como PHEV, abreviação de Plug-in Hybrid Electric Vehicle (Veículo Elétrico Híbrido Plug-in), também reúnem um motor térmico e outro elétrico sob a carroceria, mas adicionam um bocal externo para conexão direta na tomada. Essa diferença de projeto permite que o carro percorra distâncias acima de 100 quilômetros utilizando apenas a carga acumulada nas células de energia, sem acionar uma gota de gasolina. Por essa característica dupla, o formato serve de etapa intermediária para os condutores que planejam passar dos carros tradicionais para a condução livre de emissões.

Como as baterias instaladas nesses chassis possuem capacidade de armazenamento superior à dos híbridos comuns, a rotina de uso pede a fixação de um equipamento de recarga rápida de parede, conhecido no mercado como wallbox, na garagem do comprador para evitar esperas longas na tomada comum. Em um único levantamento mensal referente a maio, os Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) registraram o licenciamento de 7.581 veículos zero quilômetro com essa tecnologia de plugue, lista encabeçada pelo utilitário GWM Haval H6.

A vantagem prática para o proprietário está em cumprir o trajeto diário de trabalho apenas com eletricidade e, no fim de semana, pegar a estrada usando o tanque de combustível sem depender da localização de postos de recarga pelo caminho. Montadoras de origem asiática, como a BYD, instalam centrais eletrônicas de gerenciamento nesses modelos para calcular automaticamente qual motor deve tracionar as rodas em cada trecho da viagem, priorizando o menor gasto energético.

Modelos MHEV da Fiat partem de R$ 180 mil e puxam alta de 118% nos motores com etanol

Na base de entrada da eletrificação figuram os sistemas MHEV, ou Mild Hybrid Electric Vehicle (Veículo Elétrico Híbrido Leve), nos quais uma bateria compacta trabalha apenas para aliviar a carga exigida do motor a combustão. Ao contrário das categorias superiores, o componente elétrico instalado aqui não tem potência suficiente para girar as rodas e mover o carro de forma isolada, atuando somente para baixar o consumo de combustível no tanque e reter parte dos gases poluentes que sairiam pelo escapamento.

A montadora italiana Fiat adotou essa solução mecânica nos lançamentos dos utilitários compactos Fiat Pulse e Fiat Fastback, que chegaram aos pontos de venda com preços iniciais na faixa de R$ 180 mil. A classificação desses veículos, porém, provoca discussões técnicas dentro da própria ABVE: a entidade questiona a presença dos híbridos leves nas mesmas planilhas estatísticas dos modelos tradicionais por avaliar que o ganho ambiental entregue pelo sistema auxiliar é limitado.

Mesmo sob debate metodológico, a venda de automóveis híbridos calibrados para queimar etanol misturado ou puro saltou 118% nos controles do setor, atingindo uma fatia de 8,1% sobre o total de veículos eletrificados negociados no país. Analistas que acompanham a indústria automotiva tratam essa engenharia como a alternativa de menor preço de tabela para aproximar o consumidor comum das novas tecnologias de propulsão. O projeto mecânico foca em carros compactos e troca o alternador e o motor de arranque tradicionais por um gerador elétrico acoplado por correia, peça que suaviza os engates do câmbio e o religamento automático do motor nas paradas rápidas de trânsito, função chamada de start-stop.

Carros puros BEV oferecem alcance de até 500 quilômetros com recarga entre R$ 30 e R$ 50

Os veículos identificados pela sigla BEV, de Battery Electric Vehicle (Veículo Elétrico a Bateria), eliminam por completo o tanque de combustível, o escapamento e o motor a pistão, rodando exclusivamente com a força que sai das baterias direto para o propulsor elétrico. A autonomia homologada para esses automóveis varia entre 300 e 500 quilômetros com uma carga de 100%, número que oscila na prática conforme o peso total da carroceria e o desenho aerodinâmico de cada modelo.

O principal obstáculo para a expansão dessa frota fora das capitais reside na distribuição geográfica dos cerca de 15 mil carregadores de acesso público, cuja maioria permanece concentrada nas rodovias e centros urbanos das regiões Sul e Sudeste. Mesmo com essa limitação de infraestrutura no interior do país, as concessionárias entregaram 7.624 carros totalmente elétricos novos durante o fechamento do mês de agosto, volume que representou 38% de todas as vendas de eletrificados registradas naquele período de 30 dias.

A liderança isolada entre os modelos movidos puramente a bateria pertence à chinesa BYD com o compacto urbano Dolphin Mini, carro que contabilizou sozinho 2.399 emplacamentos no levantamento mensal de fevereiro. Nos centros de pesquisa das montadoras, o trabalho de engenharia concentra-se na criação de novas fórmulas químicas para as células de armazenamento, com o objetivo de ampliar a quilometragem percorrida por carga nas próximas safras de lançamentos.

Para o orçamento doméstico do motorista, completar toda a capacidade da bateria utilizando a rede elétrica residencial acrescenta um valor entre R$ 30 e R$ 50 na fatura mensal da distribuidora de energia. Além da diferença financeira frente ao litro da gasolina ou do etanol nas bombas, a ausência completa de queima de derivados de petróleo ou biocombustíveis zera a liberação de gases causadores do efeito estufa durante toda a rodagem do veículo.

Montadoras chinesas detêm 51% das vendas e setor projeta 215 mil emplacamentos com fábricas locais

No ranking geral acumulado em seis meses de vendas, o utilitário BYD Song Pro garantiu a primeira colocação com 11.118 unidades negociadas, mantendo vantagem curta sobre o segundo colocado, o GWM Haval H6, enquanto o Toyota Corolla Cross fechou o pódio na terceira posição apoiado exclusivamente na mecânica HEV sem tomada. O recorte estatístico do mês de julho mostra que os híbridos do tipo PHEV responderam por 45% de todo o mercado ao somarem 12.006 carros entregues em 31 dias, desempenho que levou as montadoras de origem chinesa ao controle de 51% das vendas totais do setor no país.

Revisões feitas pelas entidades que reúnem as fabricantes elevaram a estimativa anual de vendas para 215 mil automóveis eletrificados, número puxado pelo avanço de 118% nas configurações híbridas que aceitam etanol e gasolina. A disputa por clientes ganhou novos competidores asiáticos nas vitrines, como o modelo GAC Aion Y Elite, que passou a figurar nas planilhas de emplacamentos divulgadas pelo setor. O passo industrial seguinte das marcas estrangeiras consiste em substituir a importação via navios cargueiros pela produção em fábricas nacionais, direcionando as linhas de montagem locais para os utilitários esportivos de porte médio, categoria que concentra 70% da intenção de compra dos consumidores no país.

Distância percorrida e acesso a tomadas determinam escolha entre HEV, PHEV e BEV nas lojas

Na mesa do vendedor, a quilometragem que o veículo consegue vencer antes de exigir uma parada para reabastecimento ou recarga funciona como o critério central para fechar o contrato. Para os condutores que alternam o trânsito pesado das metrópoles com viagens frequentes por rodovias sem estrutura elétrica, os modelos HEV entregam a operação mais simples por dispensarem qualquer adaptação na garagem de casa ou busca por cabos na estrada.

Quem roda majoritariamente dentro do perímetro urbano e dispõe de vaga própria para instalar um carregador encontra nos carros PHEV a ferramenta para cortar a visita aos postos de gasolina durante a semana, mantendo o motor a combustão como reserva para deslocamentos longos. Já os veículos 100% elétricos da categoria BEV atendem aos compradores que priorizam a rodagem silenciosa, o custo de R$ 30 a R$ 50 na conta de luz e a emissão zero de poluentes, mas exigem planejamento prévio de rota e cálculo de tempo de parada sempre que o trajeto ultrapassa a autonomia da bateria.

Manuela é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2015

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