O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, enfrentaram-se no domingo, 18 de outubro de 2026, no primeiro debate televisivo do segundo turno das eleições em São Paulo. O encontro foi dominado por trocas de acusações sobre investigações criminais e escassez de propostas, elevando a preocupação das campanhas com um possível avanço na abstenção eleitoral após mais de 33,4 milhões de brasileiros deixarem de votar na primeira etapa do pleito.
Como ambos os concorrentes não compareceram a nenhum encontro televisivo durante o primeiro turno, o programa organizado pela TV Bandeirantes a partir das 20h representou o primeiro confronto direto entre os dois na campanha de 2026. O embate registrou bate-boca nos bastidores e exigiu intervenções constantes dos jornalistas e mediadores Adriana Araújo e Eduardo Oinegue para conter as provocações mútuas. Na avaliação do analista político Paulo Cesar da Luz, nenhum dos postulantes saiu fortalecido de um episódio focado em disputas judiciais e distante da apresentação de dados ou projetos administrativos.
Acusações entre Lula e Flávio Bolsonaro dominam confronto
Ao longo dos blocos, os candidatos concentraram suas falas em inquéritos policiais e suspeitas financeiras envolvendo aliados e familiares, deixando os planos de governo em segundo plano. Lula questionou o adversário sobre o suposto recebimento de R$ 134 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, episódio conhecido como Caso Banco Master, cobrou explicações sobre votações na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e mencionou a proximidade com os assassinos da vereadora Marielle Franco. O candidato petista também propôs no palco que ambos abrissem seus sigilos bancários e telefônicos para verificação pública.
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Por sua vez, Flávio Bolsonaro direcionou perguntas sobre a investigação de supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que envolvem o filho do presidente, Fábio Luís, o Lulinha, e citou a empresária Roberta Luchsinger, investigada no mesmo caso. Após ser chamada de mentirosa por Lula durante a transmissão, Luchsinger reagiu publicamente e afirmou que o mentiroso era o chefe do Executivo. O senador também atribuiu ao atual governo gastos totais de R$ 7 bilhões em viagens oficiais, enquanto a chegada da primeira-dama Janja ao estúdio foi marcada por gritos e xingamentos proferidos por manifestantes na entrada da emissora.
Nos momentos dedicados à administração federal, os concorrentes apresentaram visões opostas sobre segurança pública e gestão orçamentária. O senador do PL prometeu declarar guerra ao narcoterrorismo com a ampliação de sistemas de reconhecimento facial, além de defender cortes no orçamento federal e a criação do Ministério da Prosperidade. Já o presidente da República defendeu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, destacou o programa Celular Seguro para bloqueio de aparelhos roubados, priorizou investimentos direcionados a pequenos negócios e abordou temas como o fim da jornada de trabalho na escala 6×1, a maioridade penal e as relações diplomáticas com os Estados Unidos.
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Polícia Militar descarta bomba em veículo de Flávio Bolsonaro
Enquanto os candidatos debatiam no estúdio, uma operação de segurança mobilizou o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e o canil da Polícia Militar de São Paulo do lado de fora da emissora. O acionamento ocorreu após uma denúncia repassada pela polícia do Senado sobre a suposta presença de um artefato explosivo em um veículo da comitiva de Flávio Bolsonaro. Após varredura completa com cães farejadores e agentes equipados com trajes especiais, a perícia técnica descartou a existência de bomba e concluiu que o alerta foi provocado pela volatilização de misturas químicas no automóvel.
“Tivemos esse acionamento em um possível incidente. A denúncia veio da polícia do Senado. O Gate foi acionado durante o debate. Trabalhamos em conjunto com o canil. Haveria um artefato em um veículo do candidato Flávio. Os cães foram empenhados para fazer essa localização, o corpo policial com traje antibomba. Ambos os cães detectaram um componente químico que pode ser usado para confecção de artefato explosivo. Foi feita uma busca mais minuciosas. São misturas que volatilizaram e indicaram para …”, informou o porta-voz do Gate da Polícia Militar de São Paulo, Victor Capello Haddad.
Abstenção recorde de 33,4 milhões preocupa campanhas no segundo turno
A postura agressiva adotada pelos dois presidenciáveis reacendeu o alerta entre analistas políticos sobre o risco de afastamento do eleitorado na votação decisiva. No primeiro turno, realizado no domingo, 4 de outubro de 2026, o Brasil bateu o recorde histórico absoluto de abstenções, com 33.462.286 eleitores ausentes, o equivalente a 21,08% do total de 158,7 milhões de cidadãos aptos a votar. O volume superou a marca anterior registrada no pleito de 2022, quando 32,77 milhões de pessoas (20,95%) não compareceram às seções eleitorais, e representou a maior taxa percentual de ausência desde a eleição de 1998, que teve índice de 21,49%.
De acordo com os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a participação e os números de audiência desta etapa da campanha registraram os seguintes indicadores:
- Comparecimento no primeiro turno: 125,3 milhões de eleitores (78,92% do eleitorado apto).
- Votos nulos para presidente no primeiro turno: 3,7 milhões (2,93% do total).
- Votos em branco para presidente no primeiro turno: 2,3 milhões (1,84% do total).
- Audiência prévia do debate na Grande São Paulo: média de 13 pontos com picos de 15 pontos na emissora organizadora, superando os 12 pontos registrados pela emissora segunda colocada no mesmo horário.
Próximo debate presidencial e regras do TSE para 25 de outubro
Pelas regras da Justiça Eleitoral, cada etapa de votação funciona de maneira independente. Isso significa que os mais de 33,4 milhões de cidadãos que se ausentaram das urnas no início de outubro mantêm o direito de votar normalmente na definição presidencial, marcada para o domingo, 25 de outubro de 2026.
Antes da abertura das urnas, Lula e Flávio Bolsonaro têm um último encontro televisivo agendado para esta sexta-feira (23), às 21h20 (horário de Brasília). O debate será realizado na cidade do Rio de Janeiro, com mediação do jornalista César Tralli.
