Flávio Bolsonaro chega à reta final com 12 governadores e 5 siglas

Entrevista de Flávio Bolsonaro na Globo - Globo/ Manoella Mello

Entrevista de Flávio Bolsonaro na Globo - Globo/ Manoella Mello

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega nesta segunda-feira (19) à última semana da campanha do segundo turno das eleições de 2026 com o apoio formal de cinco siglas partidárias, 17 diretórios estaduais do MDB e 12 governadores eleitos. A aliança para a votação de domingo (25) reúne Podemos, Republicanos, Novo e a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, partidos que haviam adotado neutralidade na primeira etapa da disputa.

Flávio Bolsonaro encerrou o primeiro turno, em 4 de outubro de 2026, com 47,03% dos votos válidos (56.104.503 votos), diante de 45,16% (53.879.538 votos) obtidos pelo presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença de 1,87 ponto percentual, equivalente a pouco mais de 2,2 milhões de votos, foi a menor distância registrada no primeiro turno de uma eleição presidencial desde a redemocratização. Ao comentar a formação do bloco de segundo turno, o candidato do PL rejeitou a ideia de concessões automáticas aos novos aliados. “Eu jamais aceitaria um cheque em branco de ninguém, porque eu vou preencher cada página da história do Brasil junto com cada um de vocês aqui. Eu sei que essa unidade que a gente está construindo neste momento é programática, não é uma unidade de interesse, de privilégio, de pensar em si”, declarou Flávio Bolsonaro.

Foto: Flávio Bolsonaro – Instagram

Adesões de Republicanos, Podemos, Novo e União Progressista a Flávio Bolsonaro

O Republicanos, o Novo e a Federação União Progressista oficializaram o ingresso na campanha em 7 de outubro de 2026, em Brasília, após articulação conduzida pelo governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). No anúncio, o deputado federal e presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, indicou que a posição não representa carta branca a um eventual governo e registrou ressalvas sobre diretórios locais na Paraíba e em Pernambuco, que apoiam Lula. O encontro ocorreu sem a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). “No primeiro turno passo, o povo falou e, agora, o Brasil tem uma escolha clara. Parlamentares e lideranças em todos país: venho anunciar que o Republicanos apoiará Flávio”, afirmou Marcos Pereira.

Confira também: Lula e Flávio Bolsonaro abrem debate do 2º turno com segurança

No dia seguinte, 8 de outubro de 2026, a deputada federal e presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, confirmou o apoio da legenda em Brasília, mas informou que o partido não fechará questão para os filiados no segundo turno. Entre os ex-adversários derrotados na primeira etapa da corrida presidencial, os ex-governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, declararam voto no senador do PL, assim como o ex-presidente Michel Temer (MDB).

Somados, os seis partidos que compõem a aliança formal de Flávio Bolsonaro (PL, União Brasil, PP, Republicanos, Novo e Podemos) elegeram 286 deputados federais e 50 senadores para a legislatura que começa em 2027. Na Câmara dos Deputados, essa bancada fica a 22 votos dos 308 necessários para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), tipo de texto que altera a Constituição e exige três quintos dos votos da Casa.

Acompanhe: Debate na Band entre Lula e Flávio Bolsonaro terá 2 horas de duração

Divisão no MDB e liberação de diretórios no PSD e no PSDB no 2º turno

A executiva nacional do MDB formalizou na última terça-feira (13), durante evento em São Paulo, o alinhamento de 17 dos 27 diretórios estaduais da legenda à candidatura de Flávio Bolsonaro. A costura política envolveu Tarcísio de Freitas, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), o vice-governador paulista, Felício Ramuth (MDB), e o governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB). Ao anunciar a decisão da maioria da sigla, o deputado federal e presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, resumiu a posição do grupo: “Definimos por essa indicação com entusiasmo”. Nos bastidores, prefeitos e deputados relataram que as ligações para adesão tiveram tom de convocação. Os outros 10 diretórios estaduais do partido — Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia — divergiram da maioria e declararam apoio à reeleição de Lula, refletindo a divisão regional entre Sul, Sudeste e Centro-Oeste com o candidato do PL e parte do Norte e do Nordeste com o petista.

Duas legendas decidiram ficar oficialmente fora dos palanques nacionais. O PSD, presidido por Gilberto Kassab, liberou diretórios estaduais, parlamentares e lideranças para definirem suas posições, o que permitiu a entrada de Ronaldo Caiado e de parte da estrutura estadual do partido na campanha do PL. No PSDB, o deputado federal e dirigente nacional Aécio Neves informou que a maioria dos diretórios consultados se divide entre a neutralidade e o voto em Flávio Bolsonaro; mesmo após contatos de coordenadores da campanha, a executiva tucana manteve a liberação dos integrantes sem apoio formal.

Atuação dos 12 governadores eleitos e atos de rua pró-Flávio Bolsonaro

Nos estados, o candidato do PL conta com 12 governadores eleitos em primeiro turno, frente a cinco que apoiam Lula e quatro que se mantêm neutros. O grupo aliado inclui os chefes dos três maiores colégios eleitorais do país: Tarcísio de Freitas em São Paulo, o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), e Douglas Ruas, eleito no Rio de Janeiro após a retotalização dos votos pelo órgão eleitoral. Também integram a lista os governadores Jorginho Mello (PL-SC), Sergio Moro (PL-PR), Luciano Zucco (PL-RS), Marcos Rogério (PL-RO), Arthur Henrique (PL-RR), Otaviano Pivetta (Republicanos-MT), Eduardo Riedel (PP-MS), Dr. Daniel (Podemos-PA) e Daniel Vilela (MDB-GO). Na plataforma de campanha chamada “Flaviômetro”, a equipe do senador contabiliza as adesões individuais pelo país:

  • 12 governadores eleitos no primeiro turno;
  • 29 senadores;
  • 149 deputados federais;
  • 195 deputados estaduais;
  • 46 prefeitos.

As mobilizações de rua do último fim de semana concentraram lideranças regionais no Sul, no Sudeste e no Nordeste. No sábado (17), Jorginho Mello, Sergio Moro e Luciano Zucco participaram de uma motociata em Florianópolis ao lado do prefeito Topázio Neto e do empresário Luciano Hang, ocasião em que o governador catarinense pediu intensificação da campanha. No domingo (18), Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes comandaram um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, enquanto o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) puxou eventos em estados do Nordeste.

Na última semana antes da votação, a estratégia da campanha prioriza Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, com mais de 12 milhões de eleitores, onde Cleitinho Azevedo atua como principal cabo eleitoral após o candidato do PL reverter o resultado de 2022 no estado. Internamente, parlamentares aliados cobram que Flávio Bolsonaro dê maior repercussão às próprias propostas em vez de apenas reagir aos ataques de Lula, além de demonstrarem preocupação com um possível excesso de confiança após o resultado de 4 de outubro e com a necessidade de manter eleitores mobilizados em estados onde a disputa para governador já foi encerrada. Além dos compromissos com prefeitos e deputados nos estados, o candidato se prepara para o debate televisivo antes da abertura das urnas no domingo (25).

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.