O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a redução da jornada na escala de trabalho 6×1 precisa ser acompanhada de segurança pública e recomposição salarial. A declaração ocorreu na noite deste domingo (18), nos estúdios da Band, em São Paulo, durante o primeiro debate do segundo turno com o presidente da República e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No segundo bloco do encontro, o parlamentar defendeu que o trabalhador aproveite o tempo livre sem o risco de assaltos ou violência contra mulheres no transporte público e tenha condições financeiras para comprar alimentos. “Eu não quero que o seu dia de folga seja um dia de pesadelo, como está acontecendo com esse atual governo”, afirmou. Na sequência, acrescentou: “Eu quero que, no seu dia de folga, você tenha condições, porque o seu salário permite, de ir para o mercado e encher o carrinho de compra”.
Flávio Bolsonaro justifica voto na PEC da escala 6×1 e cita Bolsa Família
Antes de votar favoravelmente à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que encerra a jornada de seis dias de trabalho para um de descanso, na quarta-feira (14), no Senado, Flávio Bolsonaro havia classificado a medida como eleitoreira. No debate, o candidato justificou a mudança de posicionamento dizendo ter ouvido a demanda por descanso em viagens pelo país, mas vinculou a pauta ao combate à violência urbana e ao custo de vida das famílias.
Acompanhe: Debate na Band entre Lula e Flávio Bolsonaro terá 2 horas de duração
“Eu rodei esse Brasil inteiro, ouvi você, trabalhador, que queria ter esse direito a mais um dia de folga. Por isso votei a favor. Eu sei ouvir. Se for de convivência, posso melhorar a minha opinião, e é assim que vou conduzir meu governo. Porque no atual governo você vai na praia com medo de ser assaltado dentro do ônibus”, declarou o senador.
Ao abordar o endividamento familiar, o candidato do PL afirmou que o benefício mensal de R$ 600 do programa Bolsa Família perdeu poder de compra nos supermercados em relação ao governo do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL). “Você vai poder comprar comida de novo, porque, do jeito que está hoje, qual é a realidade quando você vai no mercado? Que está tudo caro”, disse Flávio Bolsonaro, completando: “Então, muito além da folga, eu quero te dar segurança, eu quero te dar acolhimento, eu quero te ajudar a sair desse sufoco que esse atual governo colocou em você”.
Leia também: Debate da Band reúne Flávio Bolsonaro e Lula em 3 blocos na TV
Lula rebate Flávio Bolsonaro com números da inflação e da cesta básica
Em resposta às críticas sobre o custo de vida, Lula questionou a trajetória profissional do adversário e declarou que o senador desconhece a rotina dos trabalhadores brasileiros. “O meu adversário conhece ônibus por literatura, porque ele nunca entrou no ônibus. Ele conhece trabalhador por literatura, porque nunca conversou com o trabalhador. Aliás, ele nunca trabalhou. Ele não sabe o que é o mundo do trabalho. Trabalhador, para ele, é coisa de ficção”, afirmou o presidente.
Ao rebater os questionamentos econômicos no estúdio da emissora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu que os preços dos produtos continuam elevados nas prateleiras, mas apresentou números comparativos sobre a inflação de alimentos e a capacidade de compra do salário mínimo com reajuste anual acima da inflação entre o seu mandato atual e os quatro anos da gestão de Jair Bolsonaro.
“Nos quatro anos do governo deles, a inflação de alimentos estava em 56,17%. Agora, nos meus quatro anos, está em 13%, quatro vezes menos! Está bom? Não, não está bom. Porque, no governo deles, o salário mínimo comprava 1,8 cesta básica; no meu governo já está comprando 2,2 cestas básicas. Eu quero chegar a 2,3 cestas básicas”, declarou o candidato do PT.
Até a publicação desta reportagem, não haviam sido confirmados o indicador oficial de inflação e o recorte exato de meses utilizados por Lula para chegar aos percentuais de 56,17% e 13% apresentados no programa.
Primeiro confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro na campanha de 2026
Realizado a partir das 20h15 de 18 de outubro de 2026, o programa na Band teve cerca de duas horas de duração, foi dividido em três blocos e contou com a mediação dos jornalistas Adriana Araújo e Eduardo Oinegue. O encontro marcou o primeiro confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro
na campanha eleitoral de 2026, após a ausência de ambos nos debates do primeiro turno, e também abordou o Sistema Único de Saúde (SUS), a saída temporária de presos, facções criminosas, descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e um empréstimo de R$ 134 milhões negociado com o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.A votação do segundo turno das eleições presidenciais ocorre no próximo domingo (25).
