GDA Luma aguarda recuperação judicial para assumir o Botafogo

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João Paulo Magalhães Lins e Gabriel de Alba Foto: João Paulo Magalhães Lins e Gabriel de Alba - Divulgação

A empresa norte-americana GDA Luma, liderada pelo empresário mexicano Gabriel de Alba, ainda não tem data fechada para assumir oficialmente o controle de 90% das ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo, no Rio de Janeiro. A conclusão do negócio firmado entre as partes depende do encerramento de um prazo societário concedido à Eagle Football Holdings Bidco até o fim de outubro de 2026 e do avanço nas negociações do plano de recuperação judicial do clube.

O CEO da SAF do Botafogo, Eduardo Iglesias, conduz as conversas com os executivos da investidora para destravar as próximas etapas financeiras. Dos US$ 105 milhões (cerca de R$ 532,6 milhões) previstos no acordo total com a GDA Luma, aproximadamente US$ 50 milhões (cerca de R$ 253,6 milhões) já entraram no caixa como empréstimos, e as partes negociam o depósito de um novo aporte de US$ 7 milhões (cerca de R$ 35,5 milhões).

Quando a GDA Luma assume o controle da SAF do Botafogo?

Para que o repasse de 90% da SAF ocorra, o Botafogo associativo, presidido por João Paulo Magalhães Lins e atual detentor de 51% das ações, precisa primeiro concluir a incorporação dos 49% que pertencem à Eagle Football Holdings Bidco, empresa que teve John Textor como ex-gestor e ex-comandante. O clube social aguarda o término do prazo dado à holding em outubro de 2026 para comprar as ações remanescentes de uma emissão recente, o que fará o associativo controlar quase 100% da SAF e reduzirá a fatia da Eagle para menos de 0,1%.

Mesmo após a resolução dessa etapa societária contra a Eagle Bidco, a diretoria do Botafogo avalia que a transferência oficial de controle para a GDA Luma só deve ser assinada depois que o plano de recuperação judicial avançar entre os credores. O entendimento interno é que oficializar a entrada do grupo de Gabriel de Alba de forma antecipada poderia dificultar as tratativas sobre o deságio das dívidas, que consiste na negociação para pagar valores menores do que os cobrados originalmente.

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Até este domingo (18), o Botafogo garantiu a adesão de credores que somam entre 35% e 40% dos créditos necessários para validar o plano de recuperação judicial, cujo limite mínimo exigido por lei é de 51% de aprovação. O maior entrave enfrentado pelos negociadores do clube está nas conversas com outras equipes de futebol, que concentram as principais cobranças da lista.

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Divisão das 200 milhões de novas ações da SAF do Botafogo

A diluição da participação da Eagle Football Holdings Bidco começou a ser desenhada no mês passado, quando uma decisão societária abriu espaço para o clube social ampliar sua fatia antes de repassar o comando à GDA Luma. Os números e datas dessa operação societária envolvem os seguintes marcos:

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  • 5 de junho de 2026: assinatura do contrato vinculante entre o Botafogo e a GDA Luma para a venda futura de 90% da SAF após disputas com John Textor, a Eagle e o Lyon.
  • 24 de setembro de 2026: aprovação, em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), da emissão de 200 milhões de novas ações ordinárias da SAF ao preço unitário de R$ 0,01.
  • 102 milhões de novas ações: lote adquirido imediatamente pelo Botafogo associativo na emissão para manter sua proporção majoritária.
  • 98 milhões de novas ações: lote sobre o qual a Eagle Bidco recebeu direito de preferência de compra até o fim de outubro de 2026.

Saída do PERSE e composição do passivo de R$ 3,5 bilhões do Botafogo

O cenário financeiro que envolve a transição para a GDA Luma ganhou um novo obstáculo na área fiscal após a dívida tributária do Botafogo associativo saltar de R$ 280 milhões para aproximadamente R$ 500 milhões, um aumento de quase 80%. Esse crescimento ocorreu porque o clube social deixou voluntariamente o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE), um plano federal de parcelamento com descontos tributários, em abril de 2026 devido a atrasos nos pagamentos e ao risco de sofrer sanções mais graves por exclusão unilateral.

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Somado o débito fiscal do clube associativo aos cerca de R$ 480 milhões de dívida tributária da própria SAF, o passivo fiscal total beira R$ 1 bilhão e será negociado separadamente por cada parte junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), cabendo à SAF retomar os pagamentos hoje paralisados assim que houver definição. A situação não alterou o interesse de Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da GDA Luma, que em junho de 2026 declarou: “Vamos crescer o Botafogo como uma instituição de referência, com grandes conquistas esportivas e a mais alta reputação corporativa do Brasil e das Américas. Com união, disciplina, transparência e ambição, construiremos um clube que orgulhe seus torcedores dentro e fora de campo!!”.

O passivo total estimado do Botafogo chega a R$ 3,5 bilhões, englobando débitos de diferentes naturezas jurídicas, rescisões recentes de atletas e treinadores, contratações feitas após o pedido de recuperação judicial em 21 de abril de 2026 e receitas a apropriar. O detalhamento aproximado das principais obrigações financeiras que compõem esse montante divide-se da seguinte forma:

  • R$ 1,1 bilhão: dívida estimada na recuperação judicial da SAF (não contabiliza passivos fiscais e reúne 384 credores, liderados por Atlanta United, com R$ 124 milhões, e Nottingham Forest, com R$ 119,7 milhões).
  • R$ 500 milhões: valor em reais referente aos empréstimos e aportes da GDA Luma com juros, que deixarão de ser passivo exigível e serão convertidos em ações quando a empresa assumir a SAF.
  • R$ 220 milhões: obrigação de repasse futuro da SAF ao clube social referente à Recuperação Extrajudicial (REJ).
  • R$ 140 milhões: obrigação de repasse futuro da SAF ao associativo vinculada ao Regime Centralizado de Execuções (RCE).
  • R$ 100 milhões: compromissos registrados em outros empréstimos bancários e financeiros.
  • R$ 460 milhões: demais passivos operacionais, dívidas correntes da SAF e receitas ainda não registradas.

Próximos passos de Botafogo e GDA Luma em outubro de 2026

No início de outubro de 2026, a 2ª Vara Empresarial da Comarca Central da Capital do Estado do Rio de Janeiro retirou a GDA Luma da relação de credores da recuperação judicial porque os repasses da empresa ocorrem na modalidade DIP (financiamento ao devedor na posse), formato em que o dinheiro emprestado é conversível em participação acionária.

Ainda não há confirmação sobre o dia exato em que o novo aporte de US$ 7 milhões será depositado pela GDA Luma, com expectativa de entrada entre a última semana de outubro e a primeira semana de novembro de 2026. Antes disso, na quarta-feira (21), está prevista a divulgação de uma atualização oficial do relatório do processo de recuperação judicial da SAF do Botafogo.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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