O médico cirurgião vascular Luciano Lopes Pastor, de 52 anos, morreu durante uma troca de tiros com policiais militares no domingo (18), em Catanduva (SP), após ameaçar a esposa de morte. Na residência do ex-diretor-presidente da Associação Mahatma Gandhi, a polícia apreendeu um arsenal escondido em um cofre aberto, uma réplica de granada e uma medalha com o símbolo da suástica nazista.
A Polícia Militar foi acionada pela esposa do médico para atender a uma ocorrência de violência doméstica. Em ligação telefônica, a mulher relatou que o marido estava armado e agressivo após ingerir bebida alcoólica durante um churrasco. Quando as equipes chegaram ao imóvel, ela já se encontrava na área externa, enquanto dois jovens permaneciam dentro da casa, abrigados no banheiro de um dos quartos.
Confronto com Luciano Lopes Pastor no portão da residência
Ao visualizarem o cirurgião armado no portão, os agentes isolaram o perímetro. “Foi iniciado o protocolo de negociação primária, bem como acionado o Grupo de Ações Táticas da Polícia Militar, considerando o estado emocional alterado do envolvido, as ameaças de efetuar disparos contra os policiais militares e a presença de crianças no interior do imóvel”, informou a Polícia Militar, em nota oficial.
Após minutos de tentativa de diálogo, o médico apontou a arma na direção das equipes e atirou. “Diante da agressão injusta e iminente contra suas vidas, os policiais militares reagiram para repelir a ameaça”, declarou a corporação. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros foram acionadas, mas Luciano Lopes Pastor morreu no local.
Os dois adolescentes que estavam trancados no banheiro saíram sem ferimentos e ficaram sob os cuidados de uma tia. A esposa do médico também não sofreu ferimentos físicos, mas foi encaminhada a um hospital para atendimento médico. Uma câmera de segurança gravou o som de pelo menos 16 disparos em um intervalo de cerca de sete segundos. A perícia técnica identificou que ao menos um tiro partiu de dentro do imóvel em direção ao portão, deixando uma perfuração em um guarda-sol, uma marca na parede próxima à entrada e uma cápsula deflagrada perto de onde o homem estava.
Local, data e registro policial do caso em Catanduva
- Data da ocorrência: 18 de outubro de 2026
- Local: Bairro Jardim Aeroporto, em Catanduva (SP)
- Órgãos atuantes: Polícia Militar, Gate, Polícia Civil, Samu e Corpo de Bombeiros
- Qualificação na Polícia Civil: Morte decorrente de oposição à intervenção policial, violência doméstica, ameaça e resistência
Arsenal e objetos apreendidos na casa de Luciano Lopes Pastor
“Durante a varredura na residência, foram localizadas outras armas de fogo e munições acondicionadas em um cofre que se encontrava aberto, próximo ao local do confronto”, informou a Polícia Militar, em comunicado. Os agentes também recolheram armas brancas e acionaram o Esquadrão Antibombas do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) ao encontrarem um artefato semelhante a um explosivo.
- Oito armas de fogo: duas espingardas sem marca aparente, quatro pistolas (uma calibre .380, duas de fabricação alemã e uma sem fabricante descrito) e dois revólveres (calibres .357 e .38)
- Munições: 352 intactas e 98 deflagradas de diversos calibres guardadas em um estojo
- Artefato analisado pelo Gate: um simulacro decorativo de granada de mão alemã do modelo Stick Hand (com cabo alongado), sem carga explosiva constatada por exame de raio-X
- Outros itens: uma medalha com suástica nazista, um radiocomunicador e equipamento de monitoramento
Prisão de Luciano Lopes Pastor na Operação Duas Caras em 2025
Antes do episódio, o médico presidiu a Associação Mahatma Gandhi, organização social que geria o hospital psiquiátrico homônimo em Catanduva e unidades de saúde em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Santa Catarina. Em 7 de agosto de 2025, ele foi preso temporariamente na Operação Duas Caras, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, que apurou desvios de verbas públicas da saúde em transações que somavam mais de R$ 1,6 bilhão. Naquela data, a polícia já havia apreendido com ele duas pistolas de calibre restrito e munições sem registro.
Segundo o comando da Polícia Militar de Catanduva, os quatro policiais que atiraram no confronto de domingo tiveram seus armamentos recolhidos e foram afastados do trabalho operacional nas ruas. O áudio do vídeo do tiroteio ainda não permite definir quantos tiros foram dados pelo médico, quantos partiram dos agentes nem quantos atingiram Luciano Lopes Pastor. Como não havia documentação no imóvel, todo o acervo e a arma usada pelo cirurgião passarão por perícia e checagem de registros pelas autoridades.
