Os componentes de memória RAM e de armazenamento do PlayStation 6 custam juntos mais de US$ 680 para a Sony em cada unidade produzida, afirmou o vazador de informações de hardware KeplerL2 na sexta-feira (16). A alta é resultado da escassez global de semicondutores, impulsionada pela procura de peças para data centers de inteligência artificial.
Com histórico de previsões acertadas sobre especificações de consoles e peças da fabricante AMD, KeplerL2 publicou o dado no fórum NeoGAF ao responder a um usuário que sugeria o lançamento do aparelho no varejo por US$ 680, mediante subsídio da fabricante. “Apenas a RAM mais o NAND passam de US$ 680”, declarou o insider, em tradução livre.
Disparada nos chips de memória do PlayStation 6
O montante de US$ 680 cobre exclusivamente a memória do sistema, do tipo GDDR7 (padrão de memória gráfica de alta velocidade), e o armazenamento flash NAND, tecnologia usada no SSD (unidade de estado sólido que guarda os jogos e o sistema operacional). Essa conta deixa de fora o processador customizado (APU da AMD), o sistema de refrigeração, a fonte de alimentação, o controle, a montagem em fábrica, o transporte e a margem de lucro das lojas, o que eleva a despesa total de fabricação da máquina muito além do valor gasto apenas com os módulos de memória e leitura de dados.
O cenário financeiro era outro quando a engenharia do aparelho começou a ser desenhada pela fabricante japonesa. “Quando eles começaram a projetar os SoCs [chips principais que reúnem processador e vídeo] do console, a GDDR7 era projetada para atingir US$ 3 por GB”, afirmou o vazador no NeoGAF.
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Desde a fase inicial do projeto até outubro de 2026, o preço da memória GDDR7 subiu da previsão de US$ 3 por gigabyte para a faixa entre US$ 20 e US$ 23 por gigabyte. Esse encarecimento na memória DRAM e no armazenamento NAND impactou toda a lista de materiais do console, conhecida na indústria pela sigla em inglês BoM (Bill of Materials).
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Custos de produção do PS6 e preços atuais dos consoles da Sony
As estimativas divulgadas pelo mesmo insider ao longo de 2026 mostram a evolução nos gastos de fabricação e a relação com os preços praticados pela Sony no mercado norte-americano e brasileiro:
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- Custo de RAM (GDDR7) e armazenamento (NAND) do PS6 em 16 de outubro de 2026: acima de US$ 680 por unidade.
- Custo total estimado da lista de materiais (BoM) do PS6: subiu de cerca de US$ 760 em março de 2026 para aproximadamente US$ 960 (perto de US$ 1.000) entre junho e julho de 2026.
- Preço do PlayStation 5 padrão nos Estados Unidos: US$ 649,99 desde abril de 2026, alta superior a 50% (ou US$ 200 nos EUA e £200 no Reino Unido) sobre o valor de estreia.
- Preço do PlayStation 5 Pro: tabelado em US$ 899,99 nos Estados Unidos desde abril de 2026, após dois reajustes em menos de um ano, e comercializado por R$ 7.499,90 no Brasil.
Por que o PlayStation 6 pode passar de US$ 1.000 no varejo?
A pressão sobre os custos de montagem ocorre em um momento em que a cúpula da empresa japonesa descarta absorver grandes prejuízos para baratear o aparelho nas prateleiras, prática conhecida no setor como subsídio de hardware. Em junho de 2026, o CEO da Sony Interactive Entertainment (SIE), Hideaki Nishino, tratou do tema em conversa com investidores e estabeleceu a diretriz financeira da divisão de jogos. “Por princípio, não pretendemos vender hardware com perdas significativas”, disse o executivo, em tradução livre, ao comentar a estrutura de custos dos equipamentos da marca.
Em agosto de 2026, o CEO da Sony, Hiroki Totoki, informou que a companhia ainda não havia fechado o preço nem a data de estreia do PlayStation 6 justamente por causa da falta mundial de componentes eletrônicos. O problema atinge também a concorrência: a Microsoft já confirmou o desenvolvimento de seu console de próxima geração, batizado com o codinome Project Helix, e avisou que estuda novos modelos de negócios para cobrir a elevação nos preços das peças.
Para analistas da indústria de jogos, a combinação entre peças mais caras e os reajustes recentes da geração atual empurra o piso dos próximos aparelhos para perto dos quatro dígitos em dólar. “Nesse ritmo, a próxima geração pode nem ser lançada antes de 2028 e, quando for, acima de mil dólares é o piso. Até os aparelhos existentes estão ficando mais caros”, declarou Joost van Dreunen, CEO da empresa de análise Aldora.
O diretor de inteligência de mercado da consultoria Newzoo, Manu Rosier, avalia que o valor do modelo mais avançado em linha já encurtou a distância para esse patamar. “O PS5 Pro já está em US$ 899 após dois aumentos dentro de um ano, então a distância até US$ 1.000 é curta. Os modelos básicos da próxima geração provavelmente devem se manter abaixo de US$ 999 por razões psicológicas e de marketing”, afirmou Rosier.
O que a Sony já confirmou sobre o PlayStation 6
O gasto superior a US$ 680 com memória e armazenamento parte exclusivamente das declarações de KeplerL2 no fórum NeoGAF e não tem confirmação oficial da fabricante japonesa. Não há consenso nem mesmo entre os rumores anteriores sobre a capacidade exata de memória do aparelho, que variam sem confirmação entre configurações de 30 GB, 32 GB ou suporte para até 40 GB de GDDR7.
Até esta segunda-feira, 19 de outubro de 2026, a Sony não anunciou oficialmente o PlayStation 6, e a ficha técnica definitiva, o preço final de varejo e a janela de lançamento seguem sem definição pública por parte da empresa.
