A plataforma de processadores NVIDIA RTX Spark N1X iniciou suas entregas comerciais para notebooks e computadores de mesa com sistema Windows 11 na sexta-feira (16). Os primeiros aparelhos equipados com o componente, fabricados por marcas como Microsoft e ASUS, chegam ao mercado internacional com preços iniciais de US$ 2.599,99 (cerca de US$ 2.600) nos Estados Unidos e 513.480 ienes no Japão.
O sistema em um chip (SoC, circuito integrado que reúne todos os componentes principais do computador) combina uma unidade de processamento central (CPU) NVIDIA Grace baseada em arquitetura ARM, desenvolvida em parceria com a MediaTek, e uma unidade gráfica (GPU) da geração Blackwell. Segundo o jornalista Kyle Barr, que testou as máquinas em um evento em San Francisco, na Califórnia, os fabricantes promovem os aparelhos como uma nova categoria de computadores voltada ao processamento interno. “A realidade é mais complicada, mas o novo chip de notebook da Nvidia feito para dispositivos caros pode finalmente mover os PCs na direção certa — impulsionando a computação local acima de qualquer assinatura de IA”, afirmou Barr, em tradução livre.
Especificações técnicas e memória unificada do NVIDIA RTX Spark N1X
O componente da NVIDIA foi projetado em duas variantes de hardware para atender diferentes faixas de equipamentos portáteis e de mesa, compartilhando memória unificada entre o processador central e o chip gráfico. Nessa arquitetura de memória compartilhada, a placa de vídeo acessa diretamente o volume total de RAM do sistema para processar gráficos em alta resolução ou carregar modelos extensos de linguagem (LLMs) sem depender de servidores externos. A fabricante afirma que as versões equipadas com a capacidade máxima conseguem executar localmente modelos de inteligência artificial de até 120 bilhões de parâmetros, embora o desempenho real varie conforme o método de compressão e o tamanho de cada arquivo.
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- CPU da versão topo de linha: 20 núcleos divididos em dois grupos (10 núcleos de desempenho Arm Cortex-X925 e 10 de eficiência Arm Cortex-A725).
- GPU da versão topo de linha: 6.144 núcleos CUDA (mesma contagem da placa dedicada de mesa GeForce RTX 5070), 24 MB de cache L2, núcleos de Ray Tracing de 4ª geração e Tensor Cores de 5ª geração.
- CPU e GPU da versão de entrada: processador de 18 núcleos (9 de desempenho e 9 de eficiência) combinado a um chip gráfico de 5.120 núcleos CUDA.
- Memória unificada: padrão LPDDR5X com interface de 256 bits, disponível em capacidades de 24 GB, 32 GB, 48 GB, 64 GB e até 128 GB.
- Consumo de energia (TDP) e desempenho de IA: operação entre 45 W e 80 W em notebooks e 140 W em desktops, alcançando até 1 Petaflop de processamento (FP4) no modelo de 6.144 núcleos e 827 Teraflops na versão de 5.120 núcleos.
Desempenho do RTX Spark N1X em jogos e emulação no Windows 11
A adoção da arquitetura ARM no sistema operacional Windows 11 exige camadas de tradução de código para executar programas que foram criados originalmente para o padrão x86, utilizado pelos processadores tradicionais da Intel e da AMD. Enquanto softwares de criação com versão nativa para ARM, como o programa de modelagem 3D Blender, rodam diretamente no chip RTX Spark N1X, a maioria dos jogos de computador depende do emulador Prism, da própria Microsoft, para converter as instruções em tempo real. Durante as demonstrações práticas realizadas em San Francisco, o jogo Gears of War: E-Day funcionou em configurações gráficas médias e altas utilizando essa camada de emulação combinada com tecnologias de reconstrução de imagem e geração de quadros via DLSS, mas a carga extra exigida pelo tradutor pode reduzir o rendimento em títulos que demandam maior esforço da CPU.
De acordo com dados apresentados pela NVIDIA, o chip operando a cerca de 80 W entrega eficiência superior à de uma placa dedicada GeForce RTX 5070 Laptop em tarefas gráficas e de inteligência artificial, embora notebooks gamers tradicionais consigam extrair mais força bruta ao operarem com limites de energia maiores. Em testes independentes de desempenho, a GPU integrada de 6.144 núcleos, restrita pela largura de banda de cerca de 300 GB/s da memória LPDDR5X-9400 e pelo limite térmico de até 85 W, registrou resultados em jogos equivalentes à faixa entre as placas GeForce RTX 5060 Laptop e RTX 5070 Laptop, posicionando-se entre os processadores M5 Pro e M5 Max da Apple.
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Preços e modelos da Microsoft e ASUS com o chip N1X
A estreia comercial da plataforma ocorre em máquinas voltadas para profissionais de criação e usuários corporativos, com valores que dobram conforme a quantidade de memória unificada instalada de fábrica. O Microsoft Surface Laptop Ultra, apresentado em 7 de outubro de 2026 e entregue a partir de sexta-feira (16), parte de US$ 2.600 nos Estados Unidos (513.480 ienes com impostos no Japão) na configuração básica, que traz o chip N1X de 18 núcleos, 24 GB de RAM e 512 GB de armazenamento SSD. Já a edição mais cara do computador da Microsoft, equipada com o processador de 20 núcleos, 128 GB de memória unificada e 1 TB de SSD, custa US$ 5.900 no mercado norte-americano e 1.094.280 ienes no varejo japonês.
Na quarta-feira (14), a divisão japonesa da ASUS abriu a pré-venda das linhas ProArt P16 (H7607), de 16 polegadas, e ProArt P14 (H7407), de 14 polegadas, ambas equipadas com a versão de 20 núcleos e 6.144 núcleos CUDA do chip da NVIDIA. Nos Estados Unidos, o ProArt P16 tem preço inicial de US$ 2.800, enquanto no Japão a versão de 128 GB de RAM sai por 1.248.000 ienes e a opção intermediária de 48 GB custa 999.800 ienes; o modelo menor ProArt P14 parte de 949.800 ienes. Ainda não há informações oficiais sobre data de lançamento ou preços dos computadores com RTX Spark N1X no Brasil.
Origem na Computex 2026 e concorrência no mercado de IA local
O diretor-executivo (CEO) da NVIDIA, Jensen Huang, havia revelado a plataforma RTX Spark em junho de 2026, durante a feira Computex 2026, em Taipei. O projeto é derivado do GB10 Grace Blackwell Superchip, componente que estreou em outubro de 2025 no mini-PC para desenvolvedores DGX Spark e foi adaptado para rodar Windows 11 em equipamentos de consumo.
A estratégia de integrar processadores gráficos potentes a grandes volumes de memória unificada disputa espaço com os MacBooks da Apple e com as linhas Ryzen AI Max+ 300 e Ryzen AI Max+ 400 da AMD, que também utilizam memórias compartilhadas para rodar inteligência artificial fora da nuvem. Além da Microsoft e da ASUS, fabricantes como MSI (com o modelo Prestige N16 Flip AI+), Lenovo (Yoga Pro 9n e Yoga 9n 2-in-1), HP (OmniBook Ultra 16), Dell (XPS 16 Creator Edition), Acer e Gigabyte desenvolveram computadores com o chip N1X. No Japão, o início das vendas das versões de 128 GB dos notebooks ASUS ProArt P16 e ProArt P14 está marcado para a próxima sexta-feira (23), enquanto o modelo de 48 GB chega às lojas em meados de novembro de 2026.
