A estatal brasileira Petrobras iniciou o transporte marítimo da plataforma gigante P-82, também identificada como Búzios 10, a partir do estaleiro Tuas Boulevard Yard, em Singapura, neste domingo (18), em direção ao campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. A embarcação figura entre as maiores da indústria mundial e começará a operar em 2027, sendo a décima unidade instalada na maior área em reservas e produção de petróleo do país.
O envio da P-82 ocorre menos de um mês após a saída da plataforma P-80 (Búzios 9), que deixou o mesmo país asiático rumo ao litoral brasileiro. Para acelerar a prontidão operacional dos equipamentos no pré-sal, a Petrobras adotou a estratégia de deslocar a unidade com a tripulação já a bordo, seguindo diretamente para a locação definitiva sem paradas intermediárias para embarque de equipes.
A diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, afirmou que o projeto incorpora ajustes técnicos acumulados em entregas anteriores da companhia. “Mesmo com reconhecimento mundial em desenvolver e entregar plataformas de grande porte para operar nas águas profundas brasileiras, a Petrobras está sempre atenta a melhorias. Isso inclui o diálogo permanente com os estaleiros e os diversos fornecedores e a incorporação de lições aprendidas e inovações”, declarou a executiva.
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Capacidade de produção e dimensões da plataforma P-82
As duas novas unidades enviadas ao Brasil, P-80 e P-82, possuem dimensões idênticas e foram projetadas para ampliar em cerca de 34% a capacidade instalada do campo de Búzios, somando um acréscimo conjunto de 450 mil barris diários à extração local. Além dos sistemas digitais voltados para eficiência energética, os navios-plataforma contam com tecnologias específicas para a redução de emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, incluindo equipamentos de recuperação de energia e sistemas de captura, uso e reinjeção de carbono, conhecidos pela sigla em inglês CCUS.
As especificações técnicas individuais de cada uma das unidades (P-80 e P-82) detalham o porte das estruturas que vão operar na Bacia de Santos:
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- Capacidade nominal diária de produção de petróleo: até 225 mil barris por dia (bpd);
- Capacidade diária de processamento e compressão de gás natural: 12 milhões de metros cúbicos por dia;
- Capacidade diária de injeção de água nos reservatórios: aproximadamente 250 mil barris por dia (bpd);
- Capacidade total de armazenamento de petróleo: cerca de 2,5 milhões de barris;
- Comprimento total da estrutura: 345,3 metros;
- Largura da embarcação: 60 metros;
- Peso total estimado: mais de 100 mil toneladas.
Construção em série e participação de estaleiros no Brasil e na Ásia
A P-82 faz parte da chamada série 80, grupo que reúne as plataformas próprias de maior capacidade produtiva da Petrobras, presidida por Magda Chambriard. De acordo com a estatal, a padronização e a construção de unidades em série têm o objetivo de reduzir custos de engenharia, gerar ganhos de produtividade nos estaleiros contratados, elevar a confiabilidade operacional dos sistemas, diminuir riscos de execução do projeto e acelerar o desenvolvimento das áreas de extração no pré-sal.
A execução da obra foi contratada pela empresa brasileira sob a modalidade EPC (sigla em inglês para Engineering, Procurement, Construction and Commissioning), modelo contratual em que a empresa contratada, a Seatrium, assume a responsabilidade integral pelas etapas de engenharia, compra de suprimentos, construção e testes de comissionamento até a entrega da unidade pronta para operar no Brasil. Embora a integração final da estrutura tenha ocorrido no estaleiro de Singapura, com módulos complementares vindos da China, parte dos módulos de processo da P-82 foi fabricada no Brasil, nas instalações do estaleiro Seatrium Aracruz, no Espírito Santo, movimento que gerou empregos e renda na indústria naval brasileira, enquanto os componentes nacionais da plataforma anterior, a P-80, saíram do estaleiro Seatrium BrasFELS, localizado em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.
Datas de envio da P-82 e metas para o campo de Búzios até 2030
Além das duas unidades que já estão a caminho da costa brasileira, a série 80 da Petrobras conta com outras três plataformas contratadas para operar exclusivamente no pré-sal da Bacia de Santos. A P-83 também será instalada no campo de Búzios, enquanto a P-84 terá como destino o campo de Atapu e a P-85 seguirá para o campo de Sépia.
O avanço do cronograma das megaplataformas e o planejamento financeiro da estatal envolvem marcos específicos entre 2026 e 2030:
- 27 de agosto de 2026 — Realização da cerimônia conjunta de batismo e saída de estaleiro (etapa técnica chamada de sailaway) das plataformas P-80 e P-82 no Tuas Boulevard Yard, em Singapura;
- 30 de setembro de 2026 — Partida da plataforma P-80 (Búzios 9) de Singapura em direção ao litoral brasileiro;
- 18 de outubro de 2026 — Saída da plataforma P-82 (Búzios 10) de Singapura rumo ao campo de Búzios;
- 2027 — Ano previsto para a entrada em operação da P-82 e para o atingimento da meta da Petrobras de ter 11 plataformas operando simultaneamente no campo de Búzios até o final daquele ano;
- 2026 a 2030 — Período de vigência do Plano de Negócios da Petrobras, que prevê investimentos totais de US$ 109 bilhões, com 75% desse montante destinado diretamente às atividades de Exploração e Produção.
A operação do campo de Búzios é liderada pela Petrobras em consórcio formado com as companhias estatais chinesas CNOOC e CNPC, contando ainda com a participação da empresa pública brasileira Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), responsável pela gestão dos contratos de partilha de produção.

