Mais de 50 produções televisivas compõem o currículo do ator Roberto Bonfim, que completou 80 anos de idade em 12 de março de 2025 e acumula uma trajetória superior a cinco décadas nas artes cênicas. Reconhecido nacionalmente por papéis em novelas da TV Globo, no teatro e no cinema desde a sua estreia nos anos 1970, o artista construiu uma filmografia que atravessa diferentes gerações de espectadores no país.
O ritmo intenso de gravações nos estúdios de televisão precisou ser interrompido a partir de 2021, quando complicações médicas e restrições de mobilidade levaram ao seu afastamento das novelas. Naquele ano, o veterano recebeu o diagnóstico de enfisema pulmonar, somado a um histórico de intervenções ortopédicas e a uma cirurgia bariátrica realizada anos antes para controle de peso.
Antes da pausa nas atividades em estúdio, o intérprete consolidou personagens como Amintas Feitosa, na novela Tieta, exibida em 1989, além de integrar o elenco de tramas como O Clone, de 2001 lançada em 2018, e Nos Tempos do Imperador, que foi ao ar em 2021. Mesmo longe da rotina diária de filmagens, o acervo de obras do ator permanece em circulação na televisão e em plataformas de vídeo.
Estreia nos palcos nos anos 1960 e chegada à TV Globo com Bandeira 2
Os palcos de teatro marcaram o ponto de partida profissional de Roberto Bonfim ainda durante a década de 1960. O desempenho nas peças teatrais despertou o interesse de diretores de televisão, o que abriu caminho para a sua primeira escalação em folhetins no ano de 1971, quando estreou na novela Bandeira 2, produzida e transmitida pela TV Globo.
Ao longo das décadas de 1970 e 1980, a presença constante em elencos da emissora firmou o nome do ator no horário nobre e em outras faixas de programação. Entre os trabalhos registrados nesse período estão a primeira versão de Gabriela, levada ao ar em 1975, na qual deu vida ao personagem Chico Chicão, e a trama rural Cabocla, exibida em 1979, onde interpretou Tobias de Oliveira Pinto.
A consagração popular ganhou novo alcance em 1989 com a exibição de Tieta, adaptação televisiva da obra literária escrita por Jorge Amado. Na produção de alta audiência na teledramaturgia nacional, Bonfim assumiu o papel de Amintas Feitosa, figura central da narrativa que se tornou uma das marcas mais lembradas de todo o seu repertório artístico.
Tramas de época e folhetins contemporâneos no currículo televisivo
Diversos núcleos dramáticos contaram com a atuação de Roberto Bonfim nas décadas seguintes ao sucesso de Tieta. O ator foi escalado para produções que abordaram desde disputas agrárias no interior do país até temas científicos e bastidores do mundo artístico, mantendo contrato e participações regulares na grade da TV Globo.
A relação de obras que contaram com o trabalho do artista entre os anos 1990 e a década de 2010 inclui produções de grande repercussão comercial:
- Renascer, exibida em 1993, na qual interpretou um fazendeiro inserido diretamente nos conflitos rurais que moviam a história principal.
- O Clone, lançada em 2001, produção de alcance internacional em que integrou o grupo de personagens ligados aos debates sobre a clonagem humana e seus desdobramentos éticos.
- Celebridade, transmitida em 2003, folhetim focado nos bastidores da indústria do entretenimento e na busca pela fama.
- Império, levada ao ar em 2014, trama urbana em que assumiu um papel cercado por disputas de poder e intrigas familiares.
- Apresentada ao público em 2018, história ambientada no estado da Bahia que reuniu conflitos domésticos e reviravoltas no roteiro.
O registro vocal grave, a expressão facial acentuada e a composição física dos personagens foram elementos técnicos que mantiveram o ator em atividade contínua nas escalações de elenco da emissora carioca por meio século.
Cirurgia bariátrica em 2016, artrose e diagnóstico de enfisema pulmonar
Questões clínicas passaram a exigir pausas e tratamentos específicos na rotina de Roberto Bonfim a partir da segunda metade da década de 2010. Em 2016, após enfrentar a obesidade por um longo período e sofrer com limitações diretas na locomoção, o artista foi submetido a uma cirurgia bariátrica, procedimento médico de redução do estômago indicado para o tratamento cirúrgico do excesso de peso severo, o que resultou na perda de aproximadamente 50 quilos.
Paralelamente ao controle de peso, o quadro de artrose, doença degenerativa que provoca o desgaste da cartilagem das articulações, exigiu intervenções cirúrgicas na região da bacia e no quadril para recuperar a mobilidade. O cuidado com a saúde ortopédica e respiratória requer acompanhamento médico especializado em unidades de saúde e hospitais da rede pública ou privada para pacientes que apresentam sintomas de desgaste articular ou falta de ar contínua.
Cinco anos após a operação bariátrica, em 2021, os médicos confirmaram o diagnóstico de enfisema pulmonar no ator. A enfermidade crônica provoca a destruição progressiva dos alvéolos dos pulmões, reduz a capacidade respiratória e causa dificuldade para puxar o ar, quadro que no caso de Bonfim foi agravado pelo histórico de tabagismo ao longo da vida. Por causa das restrições impostas pela doença pulmonar, ele precisou deixar o elenco da novela Reis, produzida pela Record TV, sem retornar a novas gravações de teledramaturgia desde então.
A saída dos estúdios de gravação encerrou o ciclo de participações anuais na televisão aberta, mas preservou o reconhecimento de colegas de elenco e de diretores com quem trabalhou desde os anos 1970.
Participações em comédias e dramas do cinema e na plataforma Netflix
O trabalho diante das câmeras não ficou restrito aos capítulos diários das telenovelas. Ao longo das cinco décadas de profissão, Roberto Bonfim também atuou no cinema brasileiro, alternando papéis em roteiros de comédia e em longas-metragens dramáticos.
Na fase mais recente de sua filmografia nas salas de exibição e nos serviços de vídeo sob demanda, três produções se destacam:
- O Palhaço, longa-metragem lançado em 2011 com direção e atuação principal de Selton Mello, no qual Bonfim integrou o elenco da narrativa dramática.
- O Candidato Honesto, produção de 2014 voltada à comédia política em que o ator realizou uma participação especial.
- Pai em Dobro, filme disponibilizado no catálogo da plataforma Netflix em 2021, que marcou um de seus últimos registros inéditos no audiovisual.
A transição entre o humor satírico, o drama familiar e as produções voltadas ao público jovem ampliou o alcance do ator para além dos espectadores tradicionais da televisão aberta.
Atuação no movimento estudantil e marcos cronológicos de cinco décadas
Fora dos sets de filmagem, a formação pessoal e intelectual de Roberto Bonfim esteve ligada ao hábito da leitura e ao acompanhamento da literatura e da dramaturgia produzidas no país. Na juventude, antes de ingressar nas emissoras de televisão, ele teve participação ativa em movimentos culturais e estudantis, experiência que moldou a sua visão política e a abordagem adotada na construção de seus personagens.
Esse repertório cultural refletiu-se na composição de figuras de origem nordestina em tramas como Tieta e Renascer, trabalhos que receberam reconhecimento da crítica pela fidelidade aos costumes e às tradições regionais retratadas nas obras. Os principais marcos cronológicos da vida profissional e pessoal do artista distribuem-se entre 1971 e 2021:
- 1971: Realiza a estreia em telenovelas no elenco de Bandeira 2, na TV Globo.
- 1975: Alcança projeção nacional com o personagem Chico Chicão na adaptação do romance Gabriela, de Jorge Amado.
- 1989: Vive Amintas Feitosa na novela Tieta, consolidando um dos papéis de maior audiência de sua trajetória.
- 2001: Integra o elenco de O Clone, folhetim exportado para diversos países.
- 2016: Submete-se à cirurgia bariátrica e elimina cerca de 50 quilos durante o tratamento contra a obesidade e problemas articulares.
- 2021: Recebe o diagnóstico de enfisema pulmonar, deixa a produção de Reis na Record TV e encerra a rotina de gravações em novelas.
Todo esse conjunto de mais de 50 obras televisivas, somado às peças de teatro iniciadas nos anos 1960 e aos filmes lançados até 2021, mantém o trabalho de Roberto Bonfim ativo nas reprises de canais fechados e nos acervos digitais da teledramaturgia nacional.
