O líder supremo da Coreia do Norte, Kim Jong-un, que ocupa o posto máximo do Estado e o cargo de secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coreia, tornou-se alvo de rumores não verificados publicados nas redes sociais neste domingo (18). As publicações alegam que o dirigente sofreu uma grave hemorragia cerebral em Pyongyang, entrou em coma e precisou ser transferido às pressas para Pequim, na China, para receber atendimento médico de emergência.
As alegações ganharam tração na rede social X a partir de postagens de Wanjun Xie, presidente do Partido Democrático da China (CDP, organização política de oposição ao governo chinês). Na publicação, Xie declarou, em tradução livre: “Há rumores de que, recentemente, Kim Jong-un, secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coreia e líder supremo da Coreia do Norte, sofreu uma grave hemorragia cerebral e entrou em coma. Embora uma equipe de especialistas médicos do Peking Union Medical College Hospital tenha sido enviada à Coreia do Norte para auxiliar em seu tratamento, as precárias condições médicas na Coreia do Norte forçaram a transferência de Kim Jong-un para o Peking Union Medical College Hospital para tratamento de emergência”.
Alegações de Wanjun Xie sobre morte de Kim Jong-un e envio de 9.000 soldados
Embora parte da repercussão nas redes sociais tenha se concentrado na versão de que o líder norte-coreano estaria em coma em um hospital chinês, o relato original publicado por Wanjun Xie sustenta que o dirigente já teria morrido. Segundo o presidente do CDP, o óbito teria ocorrido porque o atendimento demorou além do tempo médico necessário, e o corpo teria sido devolvido de forma oculta a Pyongyang.
🇰🇵🚨 CORÉE DU NORD — Des RUMEURS annonçant la mort de KIM JONG-UN circulent actuellement sur les réseaux sociaux. ⚠️ Pour l’instant, AUCUNE CONFIRMATION OFFICIELLE. https://t.co/yWuIRu7E8E— KRONIK Insights (@KRONIKInsights) October 19, 2026
Sobre esse desfecho alegado na postagem, Wanjun Xie afirmou: “No entanto, devido à gravidade de sua condição e ao fato de que a janela ideal para o tratamento havia passado, Kim Jong-un sucumbiu aos ferimentos e morreu. Seu corpo foi transportado secretamente de volta para a Coreia do Norte, e a notícia de sua morte está sendo mantida em sigilo”. O mesmo autor alegou ainda que o Partido Comunista Chinês teria enviado um contingente total de 9.000 soldados para Pyongyang com o objetivo de apoiar Kim Ju-ae, filha do governante, e impedir a eclosão de uma guerra civil no país.
Até a manhã desta segunda-feira (19), nenhuma autoridade governamental da Coreia do Norte ou da China, tampouco agências de inteligência internacionais ou registros médicos do Peking Union Medical College Hospital, confirmou a ocorrência de hemorragia cerebral, estado de coma, transferência hospitalar ou morte de Kim Jong-un. Da mesma forma, não existe qualquer confirmação independente ou oficial sobre o suposto deslocamento dos 9.000 militares chineses para a capital norte-coreana.
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Aparição pública de Kim Jong-un em 11 de outubro e histórico de boatos
Antes da circulação das mensagens na internet, a última aparição pública confirmada de Kim Jong-un aconteceu no dia 11 de outubro de 2026, data em que o regime celebrou o 81º aniversário de fundação do Partido dos Trabalhadores da Coreia. Na ocasião, o líder inaugurou e visitou as instalações do Museu da Revolução da Defesa Nacional, em Pyongyang, acompanhado da esposa, Ri Sol-ju, e da filha, Kim Ju-ae, cujo registro fotográfico foi divulgado pela agência estatal norte-coreana KCNA na terça-feira (13). Durante o evento no museu militar, o governo norte-coreano exibiu armamentos como drones, mísseis hipersônicos e o míssil balístico intercontinental Hwasong-20
, equipamento que ainda não passou por testes de lançamento.Relembre: Coreia do Norte intensifica testes navais com Kim Jong-un supervisionando lançamentos de mísseis
Episódios envolvendo especulações sobre o estado de saúde do comandante norte-coreano já ocorreram no passado recente sem confirmação posterior. Em abril e em agosto de 2020, boatos semelhantes circularam internacionalmente indicando que Kim Jong-un corria grave perigo de vida ou estava em coma após passar por uma cirurgia cardíaca, versões que acabaram desmentidas quando o governante voltou a aparecer em eventos públicos oficiais.
Plano de sucessão com Kim Ju-ae e tensões militares na fronteira com a Coreia do Sul
A ausência de confirmações oficiais sobre a saúde do líder reacendeu as análises internacionais sobre a linha sucessória em Pyongyang, que envolve diretamente a adolescente Kim Ju-ae, de idade estimada entre 13 e 14 anos, e sua tia, Kim Yo-jong, irmã de Kim Jong-un e alta dirigente do regime norte-coreano. Analistas apontam que Kim Yo-jong assumiria o controle do país como líder interina caso ocorresse a morte do irmão, mantendo o comando até que a sobrinha tivesse idade suficiente para chefiar o Estado. Kim Ju-ae é apontada pelo Serviço Nacional de Inteligência (NIS, a agência estatal de informações da Coreia do Sul) como a provável herdeira do regime desde que começou a acompanhar o pai em compromissos militares, tendo feito sua primeira aparição pública em novembro de 2022, durante um lançamento de míssil, além de um evento em fevereiro de 2023 pelos 75 anos de fundação do Exército do país e uma visita de Estado à China no ano passado.
Enquanto os rumores sobre o líder circulavam na internet, o governo de Pyongyang manteve suas manifestações militares habituais por meio de Kim Yo-jong, que emitiu um comunicado oficial nesta segunda-feira (19) direcionado aos moradores e militares que atuam na região da fronteira intercoreana. A dirigente ameaçou retomar as transmissões de propaganda por alto-falantes e posicionar novos meios de ataque tático na divisa com a Coreia do Sul, medida que afeta diretamente a segurança na zona desmilitarizada após o governo sul-coreano culpar formalmente o Norte por explosões de minas terrestres que feriram três soldados sul-coreanos no dia 21 de setembro de 2026. No pronunciamento oficial sobre a crise fronteiriça, Kim Yo-jong declarou: “Uma grave situação prevalece ao longo da fronteira sul devido ao comportamento imprudente dos gângsteres militares da República da Coreia”.
O governo da Coreia do Norte não divulgou a agenda dos próximos compromissos públicos de Kim Jong-un nem estabeleceu prazo para a instalação dos armamentos táticos adicionais mencionados por Kim Yo-jong na fronteira sul.
