WEG amplia projeto de fábrica em SC mirando leilão de baterias

Pouca bateria

Pouca bateria - Foto: ParinPix/Shutterstock.com

A fabricante catarinense WEG posicionou o projeto de sua futura fábrica de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS, na sigla em inglês) em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, para disputar os contratos do primeiro leilão do setor no Brasil com exigência de produção local. Com investimento total estimado ampliado para R$ 330 milhões e capacidade produtiva elevada para 4 gigawatts-hora (GWh) por ano, a companhia mira as disputas agendadas pelo governo federal para os dias 2 e 4 de dezembro de 2026.

A ampliação do parque fabril busca preparar a operação industrial para o avanço da exigência de componentes nacionais nos projetos de infraestrutura elétrica. Segundo o vice-presidente de Automação e Sistemas da WEG, Manfred Peter Johann, a consolidação dessa cadeia produtiva no país está ligada ao volume de contratações futuras. “Com escala e previsibilidade de demanda, podemos aumentar progressivamente o conteúdo nacional sem comprometer a competitividade dos projetos”, afirmou o executivo nesta segunda-feira (19).

Fábrica da WEG em Itajaí dobra capacidade prevista para 2027

Anunciada originalmente em fevereiro de 2026 com previsão de R$ 280 milhões em investimentos financiados e capacidade de até 2 GWh anuais, a unidade de Itajaí teve sua expansão comunicada oficialmente ao mercado em 25 de setembro de 2026. O novo plano de R$ 330 milhões dobrou o volume anual de entrega para 4 GWh e manteve o início das operações programado para o segundo semestre de 2027, incorporando maior índice de automação e eficiência industrial na linha de montagem.

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A tecnologia BESS que sairá da planta catarinense permite armazenar a eletricidade gerada em momentos de alta oferta para injetá-la na rede quando o consumo sobe, dando estabilidade ao sistema elétrico diante da expansão das fontes solar e eólica. “O mercado de armazenamento de energia vive um momento de forte expansão, impulsionado pelo crescimento das fontes renováveis e pela necessidade crescente de maior flexibilidade e segurança para o sistema elétrico. A ampliação deste projeto demonstra a capacidade da WEG de adaptar rapidamente seus investimentos para atender às necessidades do mercado e apoiar o desenvolvimento sustentável do setor energético brasileiro”, declarou Manfred Peter Johann sobre a revisão do aporte.

Estratégia da WEG mantém importação de células e nacionaliza sistemas

No curto prazo, a avaliação da WEG é que as células das baterias continuarão sendo importadas, sobretudo de fornecedores da Ásia, região onde a cadeia global já opera em escala e custos que a indústria brasileira ainda não possui. O ganho de escala internacional provocou uma redução no preço global dessas células que já chegou ao mercado brasileiro, mas o custo final de um sistema BESS depende também de equipamentos elétricos, estruturas de controle e segurança, engenharia, instalação, impostos e serviços.

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Por esse motivo, o plano industrial da companhia para cumprir as metas de conteúdo local concentra a produção no Brasil nos equipamentos que cercam as células químicas e na inteligência de operação das usinas. “A estratégia é nacionalizar as etapas em que o Brasil já possui competência e competitividade industrial”, disse Johann. Nessa frente, a WEG foca na fabricação nacional de sistemas de conversão de potência, inversores, transformadores, painéis de média tensão, itens de controle e automação e sistemas de gerenciamento de energia (EMS, que monitoram o fluxo elétrico), além das etapas de engenharia, integração e serviços para atender tanto aos leilões quanto à demanda privada de indústrias, comércios, usinas renováveis, data centers e microrredes no país e no exterior.

Regras do LRCAP 2026 exigem 15% de conteúdo nacional em dezembro

O governo federal dividiu a contratação de baterias no Leilão de Reserva de Capacidade na Forma de Potência (LRCAP 2026) em duas etapas com regras distintas para a indústria. O primeiro certame, marcado para 2 de dezembro de 2026 na modalidade Produto Armazenamento Nacional, exigirá no mínimo 15% de conteúdo local comprovado junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), enquanto o segundo leilão, em 4 de dezembro de 2026, será aberto a equipamentos sem requisito de nacionalização. Apesar do piso oficial de 15%, a Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae) estima que quase todos os concorrentes devem entrar na disputa com índices entre 18% e 25% de itens nacionais como margem de segurança para evitar o descumprimento da regra e a consequente rescisão contratual.

As normas do certame foram fixadas pela Portaria Normativa nº 136 do Ministério de Minas e Energia (MME), de 1º de junho de 2026, e detalhadas na última sexta-feira (16) pela Resolução CIIA-PAC/CC nº 6 no Diário Oficial da União, que exige certificação pelo Sistema CFI do BNDES dentro do Novo PAC. Pelo regulamento do banco de fomento, o credenciamento inicial de fornecedores — lista que conta com oito empresas — equivale a cerca de 15% do caminho exigido para obter o código Finame de um Sistema de Armazenamento de Energia (SAE), regra em que fabricantes industriais comprovam os requisitos diretamente e empresas de engenharia precisam se associar a um parceiro com fábrica.

  • Empresas cadastradas no BNDES como fabricantes: BYD, Moura, Trina, SecPower e WEG.
  • Empresas cadastradas no BNDES na categoria de engenharia: Gotion, TBEA e You.On.
  • Condições dos contratos dos leilões de dezembro de 2026: 15 anos de duração, com início de suprimento de energia marcado para 1º de agosto de 2028.
Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.