Anthropic negocia acordo de US$ 45 bilhões com a Nscale nos EUA

Anthropic

Anthropic - Stockinq/Shutterstock.com

A empresa de inteligência artificial Anthropic, criadora do sistema Claude, está em negociações avançadas com a desenvolvedora britânica de data centers Nscale para fechar um segundo contrato de computação em nuvem avaliado em cerca de US$ 45 bilhões (aproximadamente R$ 243 bilhões, ou £ 34 bilhões). O acordo foi revelado na segunda-feira, 19 de outubro de 2026, e prevê a utilização de capacidade de um segundo edifício no campus Monarch, localizado no condado de Mason, no estado norte-americano da Virgínia Ocidental.

Com a nova contratação, a desenvolvedora do Claude busca ampliar a infraestrutura disponível para o treinamento e a operação de seus modelos avançados de inteligência artificial, que exigem alta capacidade de processamento. O acordo pode ser finalizado nos próximos dias, mas as deliberações continuam em andamento e os termos finais ainda podem sofrer alterações. Procuradas, nem a Anthropic nem a Nscale confirmaram oficialmente as tratativas até o momento.

Saiba mais: IA da OpenAI usa carteira de criptomoedas sem autorização

Como será a estrutura do campus Monarch para a Anthropic na Virgínia Ocidental?

A segunda instalação negociada pelas duas empresas replicará o porte do primeiro acordo firmado entre elas no mesmo complexo. Além dos dois prédios principais, a Anthropic detém o direito de preferência (mecanismo contratual conhecido em inglês como right of first refusal, que garante prioridade de compra ou aluguel antes de ofertas a terceiros) sobre um terceiro edifício previsto para o complexo Monarch.

O campus Monarch ocupa um terreno de 2.250 acres adquirido pela Nscale em março de 2026. A área tem potencial total para abrigar até 8 gigawatts (GW) de capacidade energética. A previsão é iniciar a operação da primeira fase do complexo na primeira metade de 2028.

Foto: Tribunal, Martelo dos juízes, Justiça – BrianAJackson/ Istockphoto.com

Os dados técnicos e financeiros do projeto no condado de Mason incluem:

  • Valor estimado do segundo contrato em negociação: cerca de US$ 45 bilhões (aproximadamente R$ 243 bilhões).
  • Capacidade computacional do segundo edifício: 460 megawatts (MW).
  • Hardware previsto para a unidade: chips de inteligência artificial de próxima geração Vera Rubin, fabricados pela Nvidia.
  • Geração de energia no local: motores geradores a gás natural da série Caterpillar G3500.
  • Histórico no local: em agosto de 2026, a Anthropic assinou o primeiro contrato de seis anos para alugar 460 MW no primeiro prédio do campus, acordo avaliado inicialmente em cerca de US$ 45 bilhões e registrado no prospecto regulatório da Nscale como até US$ 44,6 bilhões.

Nscale prepara IPO em Nova York após acumular US$ 103 bilhões em contratos

As conversas para o novo contrato ocorrem enquanto a Nscale, sediada em Londres e apoiada financeiramente pela Nvidia, prepara sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês para o lançamento de papéis na bolsa de valores) em Nova York. Os bancos Goldman Sachs, J.P. Morgan e Morgan Stanley atuam como coordenadores líderes (lead bookrunners, instituições responsáveis por estruturar e vender os papéis) da operação nos Estados Unidos.

A companhia britânica publicou o prospecto de seu IPO na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, órgão regulador do mercado de capitais norte-americano) em setembro de 2026. No documento, a empresa aponta que a Anthropic e a Microsoft devem figurar entre seus principais clientes no futuro. A própria Anthropic também protocolou de forma confidencial o seu pedido de abertura de capital em junho de 2026.

Veja também: TVs Micro RGB chegam ao Brasil com modelos de Samsung e LG

Em apenas dois anos e meio de operação, o volume total de contratos acumulados pela Nscale saltou de US$ 100 milhões (cerca de R$ 540 milhões) para mais de US$ 103 bilhões (aproximadamente R$ 556 bilhões). Apesar da carteira de pedidos, o balanço financeiro da desenvolvedora londrina registrou prejuízo líquido de US$ 1 bilhão no primeiro semestre de 2026, período em que obteve receitas de US$ 141 milhões. Atualmente, a empresa opera cinco data centers ativos que somam 55 MW e mantém outras 12 instalações em fase de desenvolvimento. Em setembro de 2026, a companhia concluiu uma rodada de investimento pré-IPO de US$ 3,36 bilhões liderada pelo fundo Third Point.

Dívida de US$ 50 bilhões da CoreWeave e saída da Microsoft pressionam setor

A tentativa de expansão da Nscale acontece em um período de cautela dos investidores em relação aos custos de infraestrutura de inteligência artificial financiados por endividamento, o que tem gerado resistência de parte do mercado às metas de avaliação da empresa britânica em Nova York. Na semana anterior à divulgação do novo acordo com a Anthropic, as ações da concorrente CoreWeave recuaram devido a preocupações do mercado com a sua dívida de US$ 50 bilhões (cerca de R$ 270 bilhões).

No intervalo de um mês, os papéis da CoreWeave acumularam queda de 28%, enquanto as ações da Nebius — outra fornecedora direta de infraestrutura de IA, ao lado de empresas como Crusoe e Lambda — recuaram 27%. Além da pressão financeira sobre o setor, a Nscale sofreu um revés operacional recente no Reino Unido: a Microsoft desistiu de ser a cliente âncora de seu grande projeto de data center em Loughton, no condado de Essex.

Confira também: Meta oculta ordens sobre LGPD para chatbot de ajuda do WhatsApp

A saída da Microsoft ocorreu após atrasos nas conexões à rede elétrica local adiarem a previsão de fornecimento de energia para a década de 2030. Em comunicado oficial sobre o caso, a Nscale declarou, em tradução livre: “Continuamos comprometidos tanto com o projeto de Loughton quanto com o Reino Unido e estamos explorando fontes alternativas de energia para o local, além de outros locais de expansão no Reino Unido”.

Beatriz: Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.