Os fragmentos espaciais deixados pelo cometa Halley provocam o pico de atividade da chuva de meteoros Orionídeas nesta quarta-feira (21) em todo o território brasileiro. O fenômeno astronômico tem previsão de registrar uma taxa de 20 ou mais meteoros por hora sob condições ideais de céu escuro, segundo dados da International Meteor Organization (IMO), organização internacional dedicada ao estudo de meteoros, e do Observatório Nacional, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (ON/MCTI).
A passagem dos detritos poderá ser acompanhada a olho nu em qualquer estado do país, com variação apenas na altura em que os riscos luminosos surgem no horizonte. “A boa notícia é que todo o Brasil pode observar. O radiante em Órion é visível de norte a sul, com leve vantagem no norte e nordeste, onde ele sobe mais alto”, afirmou Marcelo De Cicco, astrônomo e coordenador do Projeto Exoss, rede colaborativa parceira do Observatório Nacional.
Janelas e datas da chuva de meteoros Orionídeas e do cometa Halley
O evento celeste, também chamado de Oriônidas, ocorre anualmente quando o planeta Terra atravessa a faixa mais densa e empoeirada de partículas deixadas para trás pelo cometa Halley. Na temporada de 2026, a presença da Lua em fase crescente, com cerca de 77% do seu disco iluminado, interfere na luminosidade do céu durante o início da noite, mas o satélite natural se põe logo após a meia-noite e abre caminho para a escuridão total na segunda metade da madrugada.
Acompanhe: Chuva de meteoros Orionídeas risca o céu do Brasil em outubro
- 2 de outubro de 2026 — Início do período de atividade da chuva de meteoros Orionídeas ao longo da órbita terrestre no ano.
- 21 de outubro de 2026 — Data do pico de atividade do fenômeno, com início da janela ideal de observação no Brasil a partir de aproximadamente 1h40 (horário de Brasília) até o amanhecer, após o ocaso da Lua.
- 22 de outubro de 2026 — Madrugada também apontada por astrônomos e pela Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, como parte do intervalo de máxima atividade na virada da noite anterior.
- 7 de novembro de 2026 — Encerramento do ciclo anual de passagem da Terra pela faixa de detritos que compõe as Orionídeas.
- 2061 — Ano previsto para o próximo retorno do cometa Halley (1P/Halley) às proximidades do Sol.
Velocidade de 66 km/s e origem física das Orionídeas na atmosfera
Durante o fenômeno das Orionídeas, os meteoroides — fragmentos de cometas ou asteroides que vagam pelo espaço com tamanhos que variam desde partículas de poeira até pequenos pedregulhos — atingem a atmosfera terrestre a velocidades máximas de 66 quilômetros por segundo. Essa rapidez extrema aumenta a resistência do ar sobre a rocha espacial e provoca o processo de ablação, conhecido popularmente como queima, que consome o material rapidamente antes que ele chegue ao solo e desenha os traços brilhantes no firmamento.
A energia cinética gerada pelo impacto dessas partículas a 66 quilômetros por segundo causa uma intensa ionização na camada entre a alta mesosfera e a termosfera, em uma faixa que vai de 100 a 115 quilômetros de altitude em relação à superfície da Terra. Esse choque energético produz trilhas persistentes de gás ionizado e processos de recombinação química que continuam brilhando por vários segundos no céu escuro, além de gerar ocasionais bólidos esverdeados resultantes da emissão de magnésio e oxigênio.
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O rastro de poeira cósmica que abastece a chuva de outubro pertence ao cometa Halley, corpo celeste que visita as proximidades da Terra em um intervalo médio de 75 a 76 anos. Além das Orionídeas no segundo semestre, os mesmos detritos deixados pela órbita do cometa originam uma segunda chuva de meteoros anual, denominada Eta Aquáridas (ou Eta Aquariids), registrada sempre no mês de maio.
Do ponto de vista da pesquisa científica, o monitoramento contínuo dessas chuvas permite calcular o volume e os períodos de maior penetração de detritos espaciais na atmosfera terrestre. Com essas medições, centros de controle de satélites e agências responsáveis por missões espaciais conseguem desenvolver protocolos de proteção para naves e equipamentos em órbita, enquanto astrônomos analisam as propriedades dos meteoros para aferir a composição dos cometas e estudar a formação do Sistema Solar.
Como observar e fotografar a chuva de meteoros Orionídeas no Brasil
O nome da chuva faz referência direta à constelação de Órion — conjunto estelar conhecido popularmente por abrigar as estrelas Três Marias —, onde fica localizado o radiante, ponto do céu de onde os meteoros parecem nascer, situado próximo à estrela Betelgeuse. Para acompanhar a queda dos fragmentos a partir do Hemisfério Sul, não é necessário utilizar telescópios, binóculos ou qualquer equipamento especial, bastando encontrar um local escuro, com tempo bom, luzes ao redor apagadas e afastado da poluição luminosa das grandes cidades.
A recomendação técnica para os observadores brasileiros é posicionar o corpo voltado para o nordeste e direcionar a visão entre o nordeste e o norte, mantendo o olhar ligeiramente deslocado em um ângulo de cerca de 30 a 45 graus ao redor da constelação de Órion para visualizar rastros mais longos, já que os meteoros podem surgir em qualquer parte do céu. Para quem pretende registrar o fenômeno com câmeras fotográficas, a velocidade angular elevada dos meteoros exige ajustes manuais específicos indicados pelo Observatório Nacional para evitar que o brilho de fundo do céu sature o traço rápido da luz.
As configurações recomendadas pelo Observatório Nacional incluem o uso de uma lente grande-angular de 14 mm a 24 mm, abertura máxima do diafragma ajustada entre f/1.4 e f/2.8 e sensibilidade de ISO elevado, variando de 1.600 a 3.200, combinados com tempos de exposição curtos a moderados, de 10 a 15 segundos. Cidadãos que conseguirem registrar fotos ou vídeos de bólidos, ou que desejarem enviar relatos visuais com precisão de horário, podem encaminhar o material para a plataforma de ciência cidadã da rede colaborativa Exoss em conjunto com o IMO Fireball Report, sistema que analisa dados do público e opera estações de monitoramento de meteoros em locais como a sede do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, e o Observatório Astronômico do Sertão de Itaparica (OASI), localizado no município de Itacuruba, em Pernambuco.
