A Região Sul do Brasil entrou em alerta para um período prolongado de instabilidade emitido pela MetSul Meteorologia e pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em 20 de outubro de 2026. Os acumulados de precipitação a partir desta quarta-feira (21) podem atingir entre 200 mm e 300 mm no Paraná em sete dias, elevando o risco de enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra.
A meteorologista e sócia-diretora da MetSul Meteorologia, Estael Sias, detalhou a gravidade do cenário previsto para os próximos dias. “Enfatizamos que a chuva em alguns momentos deve ser forte a torrencial com acumulados muito altos em curto período (50 mm a 100 mm em poucas horas), o que pode trazer alagamentos e inundações repentinas tanto em áreas urbanas como em rurais, em particular no Paraná”, afirmou.
Alertas do Inmet para 178 cidades do Paraná e projeções de chuva
O retorno dos temporais decorre do aprofundamento de uma área de baixa pressão atmosférica sobre o Paraguai e o interior da América do Sul, somado a um fluxo de ar quente e úmido vindo do norte, ao reforço de ventos em altos níveis da atmosfera e a um cavado meteorológico (área alongada de baixa pressão) sobre o Sudeste. Os modelos meteorológicos alemão (Icon), canadense (CMC), britânico (UKMET) e do Centro Meteorológico Europeu (ECMWF) indicam consenso de que os maiores volumes atingirão o Oeste de Santa Catarina e o Paraná, com marcas gerais de 100 mm a 150 mm. A Climatempo apontou a mesma tendência em nota. “Apesar de os principais modelos meteorológicos apresentarem diferenças na intensidade prevista da chuva, ambos sinalizam o Paraná como a área de maior destaque para as instabilidades”, informou a empresa.
O Inmet publicou alertas amarelos, que indicam perigo potencial de tempestades, válidos desta quarta-feira (21) até sexta-feira (23) para 178 municípios da região central e da metade oeste do Paraná. Nessas áreas, a previsão aponta chuva de até 30 mm por hora ou 50 mm por dia, ventos de até 60 km/h e queda de granizo, afetando cidades como Altamira do Paraná, Altônia, Cascavel, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Guarapuava, Paranavaí, Pato Branco, Toledo e Umuarama. Já o Informativo Meteorológico nº 42/2026 do Inmet projeta, entre segunda-feira (19) e a próxima segunda-feira (26), acumulados de 70 mm a 150 mm em cinco dias no Paraná, no Oeste, Meio-Oeste e Leste de Santa Catarina e no Norte e Noroeste do Rio Grande do Sul, com volumes pontuais acima de 200 mm. Para o restante do território gaúcho, os modelos meteorológicos divergem sobre os volumes exatos, mas a maioria das simulações indica acumulados baixos fora da faixa norte.
Cronograma do avanço da chuva na Região Sul até 27 de outubro
O evento meteorológico deve persistir por sete dias consecutivos nos três estados. O avanço diário das instabilidades segue o cronograma abaixo:
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- Quarta-feira (21): A instabilidade avança até o fim do dia pelo Oeste, Noroeste e Norte do Rio Grande do Sul, além de áreas de Santa Catarina e do Paraná.
- Quinta-feira (22): A chuva se espalha pelos três estados, com possibilidade de temporais fortes entre o Sudoeste, o Centro-Sul e o Centro-Oeste paranaense.
- Sexta-feira (23): A precipitação se torna generalizada no Sul, gerando volumes de 50 mm a 100 mm em apenas 24 horas no Oeste catarinense e em pontos do Paraná.
- Sábado (24): O tempo segue instável, concentrando os maiores volumes no Norte gaúcho, em Santa Catarina e no Paraná.
- Domingo (25): Data do segundo turno das eleições, o dia terá chuva localmente forte em Santa Catarina, no Paraná e no Norte do Rio Grande do Sul, impulsionada pela formação de um ciclone próximo à costa gaúcha.
- Segunda-feira (26) e terça-feira (27): O sistema perde força, mas mantém a condição de chuva irregular e garoa nos três estados.
Riscos nas bacias dos rios Iguaçu e Piquiri e histórico de outubro
Antes da formação deste novo sistema chuvoso, o Sul enfrentou uma massa de ar frio impulsionada por um ciclone extratropical na costa entre sábado (17) e terça-feira (20), que derrubou as temperaturas para 0,3°C em São Joaquim (SC) e 2,2°C em General Carneiro (PR) nesta terça-feira (20). Em Santa Catarina, a previsão trimestral da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina e do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Epagri/Ciram) para outubro, novembro e dezembro de 2026 já indicava precipitação acima da média histórica de outubro, que varia de 210 mm a 280 mm no Extremo Oeste, Oeste e Meio-Oeste.
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No Paraná, sucessivos episódios de tempestades ao longo de outubro de 2026 deixaram o solo saturado e elevaram a vazão dos cursos d’água. Com a nova carga de chuva, há risco elevado de cheias nas bacias dos rios Iguaçu e Piquiri, no Paraná, e de elevação de rios menores em Santa Catarina. As autoridades também alertam para quedas de barreiras com bloqueios em rodovias federais e estaduais, além de estradas rurais e pontilhões submersos.
A orientação de segurança para os moradores e motoristas é evitar o trânsito por áreas alagadas ou com forte correnteza. Em situações de emergência provocadas pelas chuvas, o atendimento é feito pela Defesa Civil no telefone 199 e pelo Corpo de Bombeiros no número 193.
