Corinthians avança em acordo com a Caixa por naming rights e dívida de R$ 630 milhões da Neo Química Arena

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Corinthians feminino - Divulgação Foto: Corinthians feminino - Divulgação

O Sport Club Corinthians Paulista e a Caixa Econômica Federal formalizaram um termo de confidencialidade para avançar nas negociações sobre o financiamento da Neo Química Arena, em São Paulo. O acordo de sigilo busca destravar a quitação do saldo da obra por meio da cessão dos naming rights (direitos de nomeação do estádio) ao banco, mantendo o alinhamento entre as partes mesmo sob críticas internas e questionamentos técnicos sobre o cálculo do débito.

O entendimento foi selado em reunião realizada na última sexta-feira (16), em Brasília, com as presenças do presidente do Corinthians, Osmar Stabile, do presidente da Caixa, Carlos Vieira, do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, além de diretores do clube e representantes da torcida organizada Gaviões da Fiel. Em nota oficial conjunta, o banco e o clube declararam: “A CAIXA e o Sport Club Corinthians Paulista informam que avançaram nas conversas voltadas à avaliação de alternativas para o aprimoramento da relação entre as partes. Nesta sexta-feira (16), representantes das duas instituições se reuniram, em encontro que contou com a presença do ministro Guilherme Boulos, Presidente e Diretores do Clube e integrantes da Gaviões da Fiel. Durante a reunião, banco e Clube formalizaram a assinatura de um termo de confidencialidade. As tratativas permanecem em curso”.

Proposta à Caixa inclui naming rights da Neo Química Arena e suspensão de cobranças

O modelo discutido pelas instituições prevê que a estatal assuma a propriedade comercial do nome do estádio em troca da liquidação da dívida do imóvel. Para viabilizar essa transferência, a diretoria corintiana precisa rescindir o contrato vigente com a Hypera Pharma, anunciado em setembro de 2020 com duração de 20 anos e valor total de R$ 300 milhões. O clube avalia que os direitos comerciais do espaço podem render R$ 70 milhões por temporada, mas enfrenta um impasse sobre o custo do rompimento contratual: o departamento jurídico alvinegro trabalha com a tabela de R$ 47,85 milhões prevista para 2026, enquanto a empresa farmacêutica exige a correção pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), o que eleva a pedida para cerca de R$ 68 milhões. Como alternativa para abater esse montante, o clube ofereceu um contrato de patrocínio e a entrega do nome de outras propriedades, como o Centro de Treinamento Joaquim Grava.

Enquanto as conversas prosseguem sob sigilo, banco e clube concordaram em aplicar uma suspensão temporária das obrigações financeiras do contrato atual. O pacote em análise envolve tanto o alívio imediato para o fluxo de caixa corintiano quanto novas frentes de negócios bancários para os torcedores:

Veja também: Corinthians trava dívida da Neo Química Arena por 12 meses e retoma bilheteria

  • Paralisação dos pagamentos anuais do financiamento pelo período de um ano.
  • Suspensão temporária da retenção de 55% das receitas de bilheteria e de 50% das premiações obtidas em campeonatos.
  • Liberação de exigências (waiver, perdão temporário de obrigação contratual) ligadas a um fundo de reserva de aproximadamente R$ 30 milhões.
  • Criação de pacotes comerciais com títulos de capitalização, migração da operação financeira do clube para a estatal e oferta de cartões vinculados ao programa de sócios Fiel Torcedor.

Perícia no MP-SP questiona R$ 256 milhões na dívida do Corinthians com a Caixa

O avanço nas tratativas ocorre paralelamente a uma apuração no Ministério Público de São Paulo (MP-SP), aberta em 1 de setembro de 2026 pelo promotor de Justiça Cássio Roberto Conserino. O procedimento administrativo analisa uma representação enviada pelo perito judicial Anísio Costa Castelo Branco, diretor-executivo (CEO) do Instituto de Perícia Investigativa (IPI), que contesta os cálculos de atualização aplicados pela instituição financeira e aponta uma diferença de cerca de R$ 255,7 milhões a R$ 256 milhões no saldo cobrado. O documento técnico também questiona a legalidade de uma multa contratual de 10%, equivalente a R$ 48,7 milhões, aplicada pelo banco em uma ação de execução datada de 2019; sobre essa cobrança específica, o clube, que tem Pedro Soares como diretor jurídico e Rafael Castilho como diretor cultural, entregou uma justificativa de 137 páginas à promotoria na sexta-feira, 9 de outubro de 2026.

Confira também: Corinthians e Caixa suspendem dívida da Arena por um ano

O contrato original para erguer o estádio foi assinado em 2013 com crédito de até R$ 400 milhões, e a renegociação mais recente, fechada em 2022 na gestão do ex-presidente Duilio Monteiro Alves, estendeu o prazo de quitação até 2041. Desde a inauguração da arena em 2014, o Corinthians já desembolsou cerca de R$ 600 milhões para amortizar o financiamento, dentro de um endividamento global do clube calculado em R$ 2,8 bilhões. Em setembro de 2026, a agremiação já havia interrompido o pagamento da parcela do estádio e resgatado R$ 13,5 milhões de uma conta reserva de R$ 27 milhões mantida no banco para quitar salários atrasados do elenco profissional masculino.

Ainda não há confirmação oficial sobre os valores exatos e o formato definitivo do novo contrato de naming rights com o banco estatal, uma vez que os dados permanecem protegidos pelo termo de confidencialidade e dependem do desfecho da rescisão com a atual detentora dos direitos.

Corinthians empata com o Vitória na Neo Química Arena pelo Campeonato Brasileiro

Fora das reuniões financeiras, a equipe alvinegra entrou em campo na noite desta segunda-feira (19) e empatou por 1 a 1 com o Vitória, na Neo Química Arena, pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro. Renê abriu o placar para o time baiano, e o atacante Yuri Alberto igualou o marcador em cobrança de pênalti. O novo técnico corintiano, Clarence Seedorf, acompanhou a partida das tribunas por causa de pendências na emissão do visto de trabalho, deixando o comando à beira do gramado com o auxiliar técnico Leonardo Porto.

Com o resultado em casa, o Corinthians chegou a nove partidas consecutivas sem vencer na competição nacional e permaneceu na 16ª colocação da tabela, somando 33 pontos, apenas um ponto acima da zona de rebaixamento. O próximo compromisso da equipe será no sábado (24), às 18h30 (horário de Brasília), contra o Vasco da Gama, no Estádio São Januário, pela 32ª rodada do torneio, enquanto o calendário político do clube prevê a eleição presidencial para o dia 28 de novembro de 2026.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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