Felca revela laudo de fobia social, relata agressões na escola e lança desafio de 90 dias sem álcool

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Felca video Foto: Felca video - Foto: Divulgação

O influenciador digital Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, publicou um vídeo no YouTube na madrugada desta terça-feira (20) revelando o diagnóstico médico de fobia social, também chamada de Transtorno de Ansiedade Social (TAS). Na gravação de 1 hora e 3 minutos, divulgada à meia-noite no Dia Mundial de Combate ao Bullying, o criador de conteúdo relatou oito anos de agressões escolares em Londrina (PR), o desenvolvimento de dependência alcoólica e o lançamento do desafio de 90 dias #SimFel.

Para suportar eventos públicos, palestras e gravações, o youtuber passou a consumir bebida alcoólica como mecanismo de enfrentamento, hábito que evoluiu para o alcoolismo e resultou em um acidente doméstico com duas costelas fraturadas. “Quando eu passei a ir em programa toda semana, evento, colab, parceria, eu me vi alcoólatra”, afirmou Felipe Bressanim Pereira.

Relato de Felca detalha oito anos de agressões em Londrina e uso de álcool

No depoimento, Felca contou que sofreu bullying físico e psicológico durante oito anos no período escolar em Londrina, com agressões físicas recorrentes dos 12 aos 18 anos. O histórico inclui exclusão social, humilhações públicas e um espancamento cometido por cinco colegas dentro do banheiro da instituição de ensino. Devido ao trauma, ele teve períodos de ideação suicida na adolescência e desistiu de cursar uma faculdade após concluir o ensino médio por não conseguir entrar novamente em uma sala de aula.

O medo de interações interpessoais levou o influenciador a beber antes de compromissos profissionais e a carregar bebida escondida na roupa. “Eu bebia três doses em casa, mais ou menos. Enchia esse cantil de vodca e ia bebendo conforme eu ia sentindo que ainda não conseguia. Em todos os programas que fui, lá estava ele comigo no meu bolso”, declarou o criador de conteúdo, acrescentando que “eu não enfrentei de verdade, enfrentei de mentirinha, porque é isso que o álcool faz”. Durante a produção de um vídeo em Londrina, após ingerir álcool ao longo do dia, ele desmaiou em casa, caiu sobre o próprio braço e fraturou duas costelas.

O que é a fobia social segundo a OMS e os dados do caso de Felca

A fobia social é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na 10ª Classificação Internacional de Doenças (CID-10) sob o código F40.1 e na 11ª revisão (CID-11) sob o código 6B04. Trata-se de uma condição psiquiátrica caracterizada pelo medo acentuado, persistente e excessivo de situações de exposição ou interação social, acompanhado pela preocupação de agir de forma inadequada, demonstrar sintomas de ansiedade e ser avaliado negativamente ou humilhado por terceiros. Para confirmar o diagnóstico, os sintomas precisam persistir por vários meses e causar prejuízo no funcionamento pessoal, familiar, social ou ocupacional.

O quadro clínico divide-se em manifestações fisiológicas (palpitações, rubor facial, tremores, sudorese intensa e náuseas), comportamentais (evitação sistemática de locais públicos, esquiva de contato visual, incapacidade de manter conversas e isolamento prolongado) e emocionais ou cognitivas (ansiedade antecipatória e sensação constante de ameaça). De acordo com a médica com atuação voltada à saúde mental Priscila F. Telles, vivências negativas repetidas alteram a percepção de segurança do indivíduo, e o uso de bebidas alcoólicas mascara o transtorno primário, criando tolerância física e intensificando a ansiedade nos momentos de sobriedade. “A pessoa pode começar a antecipar novas experiências de rejeição, desenvolver medo de ser julgada e passar a evitar situações nas quais acredita que poderá ser exposta ou ridicularizada. É importante compreender que cada indivíduo reage de uma maneira, e que o bullying não determina, necessariamente, o desenvolvimento de um transtorno mental”, disse a médica. Sobre a automedicação com bebida, Telles afirmou: “Quando alguém sente que só consegue enfrentar uma situação social depois de beber, é importante olhar para o sofrimento que está por trás desse comportamento. O alívio momentâneo pode reforçar a ideia de que a pessoa não é capaz de lidar com essas situações sem a bebida”.

  • 138, 140 e 150 batimentos por minuto: frequência cardíaca registrada por Felca nos bastidores de interações sociais.
  • 8 a 15 anos: faixa etária predominante em que o transtorno de ansiedade social costuma surgir na infância ou adolescência.
  • 5 meses: período em que o influenciador permaneceu isolado sem sair de casa antes de gravar o depoimento.
  • 2 dias: tempo que o youtuber ficou sem dormir em março de 2026, devido à ansiedade social, antes de participar do programa Roda Viva, da TV Cultura.

Retorno ao YouTube após vídeo de 2025 e reação nas redes sociais

A publicação em 20 de outubro de 2026 encerrou um período de mais de um ano sem novos vídeos no canal de Felca no YouTube. O registro anterior na plataforma havia sido publicado em agosto de 2025, com o título “Adultização”, produção que ultrapassou 50 milhões de visualizações ao denunciar a exposição de crianças e adolescentes na internet, incluindo o caso de Hytalo Santos, e impulsionou debates legislativos sobre proteção infantil digital.

No domingo (18), o influenciador havia publicado nas redes sociais a mensagem “Eu me escondi por tempo demais 20/10 00:00”. O anúncio gerou expectativa em parte dos usuários da internet de que o pronunciamento trataria do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, o que provocou críticas nas redes sociais quando o conteúdo abordou exclusivamente saúde mental e bullying.

Tratamento do transtorno, desafio #SimFel e palestras em escolas

O manejo clínico do Transtorno de Ansiedade Social requer acompanhamento psiquiátrico, que pode incluir medicamentos em casos incapacitantes ou com comorbidades como depressão e abuso de substâncias, além de suporte familiar e psicoterapia. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) utiliza técnicas de exposição gradual e dessensibilização frente aos gatilhos sociais. “Cada processo de cuidado precisa respeitar a história, os limites e as necessidades da pessoa. Evitar indefinidamente tudo o que provoca medo pode manter o ciclo da ansiedade, mas se expor de maneira abrupta, sem preparo ou suporte, também pode ser muito difícil. O tratamento deve ajudar o paciente a construir segurança gradualmente, com estratégias adequadas ao seu caso”, declarou Priscila F. Telles.

Como parte de sua retomada, Felca lançou o desafio #SimFel, projeto com duração de três meses (90 dias) no qual se propõe, junto aos seguidores, a aceitar convites e oportunidades sociais que recusaria por medo ou desconforto, sem consumir álcool. “Se tem algo que eu sinto mais falta é conexão com pessoas. Mesmo com a minha fobia social controlada, me relacionar ainda é um desafio”, disse o youtuber.

O influenciador não revelou o nome da instituição de ensino em Londrina onde estudou e sofreu as agressões durante o período escolar.

Além do projeto de 90 dias, Felca anunciou o retorno do quadro de entrevistas “Sofá do Felca” e informou que ministrará palestras gratuitas sobre os impactos do bullying em escolas públicas e privadas do país, exceto no colégio onde estudou no Paraná.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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