A diretoria do Grêmio ainda não acertou o pagamento da rescisão contratual do ex-técnico Luís Castro, demitido em 13 de setembro de 2026 em Porto Alegre. O clube tenta negociar o parcelamento da dívida, que previa quitação à vista do vínculo válido até dezembro de 2027, mas encontra resistência do treinador em reduzir o montante principal enquanto a equipe enfrenta dificuldades financeiras e luta contra o rebaixamento na Série A do Campeonato Brasileiro.
Para viabilizar o acerto sem comprometer ainda mais o fluxo de caixa, a gestão liderada pelo presidente Odorico Roman mantém conversas com o treinador e com o advogado responsável pelos seus contratos, João Mendes. Luís Castro permaneceu na capital gaúcha durante as semanas seguintes à demissão, mas embarca nesta terça-feira (20) para Portugal, onde reside o seu representante jurídico, com retorno ao Brasil previsto para breve.
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Contrato de Luís Castro prevê multa diária e pagamento à vista
O documento assinado entre as partes para a temporada de 2026 determinava que, em caso de rompimento antecipado por decisão do clube, o profissional teria direito a receber integralmente todos os vencimentos restantes até o fim de 2027. O contrato também estabelecia que o pagamento ocorresse à vista, com incidência de juros e de multa diária contados a partir da data da demissão em caso de atraso no depósito.
Nos bastidores, o presidente Odorico Roman e a cúpula gremista contestam os valores divulgados, embora não revelem qual é a quantia exata que o clube reconhece dever ao antigo comandante. Ainda não há confirmação sobre o valor oficial admitido pela diretoria nem sobre um eventual abono dos juros e da multa diária acumulados desde setembro, possibilidade tratada apenas como hipótese de bastidores que ainda não foi discutida formalmente entre as partes.
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- Custo mensal estimado da antiga comissão técnica: entre R$ 1,9 milhão e R$ 2 milhões.
- Composição da cobrança até dezembro de 2027: 15 salários mensais, além de dois meses referentes a 13º salário e encargos trabalhistas.
- Proposta buscada pelo Grêmio: parcelamento prolongado do valor principal para adequação ao orçamento.
Declarações de Renato Portaluppi incomodam Luís Castro
Além do impasse financeiro, o período de Luís Castro em Porto Alegre após a saída do cargo foi marcado pelo incômodo do português com as críticas indiretas feitas por seu sucessor, o técnico Renato Portaluppi. Nas entrevistas concedidas desde que reassumiu a equipe, o atual treinador questionou a montagem do elenco e os métodos de trabalho aplicados anteriormente no centro de treinamento.
Após a derrota de virada por 4 a 2 para o Cruzeiro na Arena do Grêmio, no domingo (18), pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro, Renato voltou a mencionar os problemas herdados. “Vocês não sabem do jeito que eu encontrei o clube, 1 milhão de coisas para serem corrigidas que fazem a diferença no dia a dia. Só que não tinha tempo para tudo isso. E não tem tempo para tudo isso”, afirmou o treinador em entrevista coletiva.
Na mesma ocasião, o comandante criticou o perfil das contratações realizadas antes de sua chegada e cobrou divisão de responsabilidades pelo momento da equipe na tabela. “Não se faz um grupo dessa forma. Então, eu costumo falar que a conta chega. Ela está chegando. Da próxima vez, tem que ter mais noção dos jogadores que você traz, do currículo do jogador”, declarou Renato Portaluppi, acrescentando em seguida que “todo mundo é culpado” e que se inclui na análise pelos resultados recentes.
Punições na Fifa e na CBF agravam cenário financeiro do Grêmio
A dificuldade para quitar o contrato de Luís Castro — que deixou o clube com 47% de aproveitamento em cerca de 50 jogos, após conquistar o Campeonato Gaúcho em março e levar o time à semifinal da Copa do Brasil — soma-se a uma série de restrições financeiras e administrativas sofridas pelo Grêmio nas últimas semanas. Junto com o treinador, também saíram em setembro os auxiliares Vítor Severino e Pedro Mané, o preparador de goleiros Daniel Correia, o analista Nuno Baptista e os preparadores físicos Nuno Cerdeira e Roberto Júnior.
Em 9 de outubro de 2026, a Fifa aplicou um transfer ban (proibição de registrar novos jogadores) ao clube gaúcho por até três janelas de transferências, motivado por uma dívida com o Independiente Medellín, da Colômbia, referente à compra do meia Miguel Monsalve em 2024. Paralelamente, a diretoria submeteu à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão da CBF voltado a litígios do futebol, um plano coletivo para renegociar R$ 16 milhões referentes a 23 processos, com proposta de pagamento em 60 meses.
A pressão regulatória aumentou na segunda-feira (19), quando a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), entidade responsável pelo controle de fair play financeiro da CBF, aplicou uma advertência formal ao Grêmio por atrasos em compromissos de 2026 com os clubes Capivariano e Votuporanguense. O órgão estabeleceu prazo de 45 dias para a quitação desses débitos, sob risco de um novo transfer ban, além de determinar o pagamento de uma dívida com um atleta em até 15 dias úteis, sob pena de multa de R$ 100 mil.
Situação do Grêmio no Campeonato Brasileiro e próximo jogo
Com o revés diante do Cruzeiro, o Grêmio completou sete partidas consecutivas sem vencer na temporada, sendo quatro delas já sob o comando de Renato Portaluppi. O resultado manteve a equipe na 18ª colocação da Série A do Campeonato Brasileiro, dentro da zona de rebaixamento, com 31 pontos somados em 31 rodadas.
Além de disputar a semifinal da Copa do Brasil contra o Atlético-MG, o clube tenta reagir na competição nacional para evitar a queda à Série B e uma consequente redução de receitas em 2027. O próximo compromisso do Grêmio pelo Campeonato Brasileiro está marcado para segunda-feira (26), contra o Coritiba, no estádio Couto Pereira.
