O Ministério de Minas e Energia (MME) decidiu não retomar o horário de verão no ciclo de 2026 e 2027, amparado por estudos técnicos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) realizados ao longo de 2026. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), sustenta que o país conta com segurança energética completa e que o adiantamento dos relógios só ocorreria diante de uma necessidade real de abastecimento. Posicionamentos anteriores do titular da pasta no programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), já indicavam a manutenção da medida suspensa desde 2019.
- Níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas permanecem acima das projeções anuais.
- Planejamento energético para o ciclo de 2026 e 2027 está concluído sem necessidade de alterar os relógios.
- Investimento direcionado a sistemas de armazenamento em baterias para compensar fontes intermitentes.
Volume das hidrelétricas e monitoramento do ONS
As avaliações diárias conduzidas pelos especialistas do ONS apontam estabilidade no suprimento de eletricidade em todas as regiões. O volume de água acumulado nos reservatórios das hidrelétricas supera as expectativas técnicas, o que assegura o atendimento da demanda sem intervenções emergenciais no fuso horário.
Relatórios periódicos elaborados pelo operador em conjunto com o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) orientam as decisões da pasta. Qualquer mudança na diretriz oficial depende exclusivamente de indicadores técnicos que apontem risco no período seco.
Mudança no perfil de consumo desde 1931
Adotado pela primeira vez em 1931 por decreto presidencial, o adiantamento dos relógios em uma hora buscava aproveitar a luz natural e aliviar a rede elétrica no início da noite. A medida foi suspensa por decreto em 2019 após análises comprovarem que a alteração no fuso deixou de gerar a economia esperada.
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O hábito de uso de eletricidade mudou com a expansão das lâmpadas de LED, mais econômicas na iluminação noturna, e com o uso intenso de aparelhos de ar-condicionado. Esses equipamentos deslocaram o pico diário de demanda energética da noite para as horas mais quentes da tarde, reduzindo a eficácia prática do horário diferenciado.
Regras e datas do leilão de baterias em dezembro de 2026
Em vez de alterar o horário oficial, o planejamento governamental prioriza o armazenamento de energia solar e eólica por meio de baterias. De acordo com dados apresentados por Alexandre Silveira, esses sistemas permitem estocar a produção renovável por até 22 horas e despachar a carga sob controle do ONS por até 12 horas, estabilizando a rede elétrica e evitando perdas nos períodos de baixa geração natural.
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Para tirar o projeto do papel sob fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a pasta publicou em 3 de junho de 2026 a Portaria Normativa MME nº 136/2026, que regulamenta o primeiro Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP) dedicado a sistemas de armazenamento. O certame, aberto a empresas nacionais e internacionais com tecnologias comprovadas de no mínimo 30 megawatts (MW) e quatro horas consecutivas de entrega, foi dividido em duas etapas: a disputa para equipamentos com conteúdo nacional ocorre em 2 de dezembro de 2026, e a concorrência aberta a equipamentos importados será realizada em 4 de dezembro de 2026, ambas com contratos de 15 anos e início de operação marcado para 1º de agosto de 2028.
