Líquido de arrefecimento exige aditivo e proíbe água comum no motor

Motorista, carro, volante - Lazy_Bear/shutterstock.com

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O uso de água de torneira ou produtos genéricos para completar o nível do líquido de arrefecimento compromete o motor e acelera a oxidação de peças internas. O alerta técnico divulgado nesta terça-feira (20) aponta que a prática altera a diluição recomendada e gera prejuízos mecânicos, além do risco de queimaduras graves ao abrir o reservatório quente.

A manutenção do sistema é regulamentada por diretrizes oficiais que definem a composição química necessária para proteger o veículo. “As normas ABNT descrevem as características de desempenho que o aditivo de arrefecimento deve possuir para atender às necessidades dos veículos, entre as quais regular a temperatura do motor e lubrificar os componentes do sistema de arrefecimento, como bomba d’água e radiador”, afirmou Sergio Kina, gerente de Operações do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA), organismo de certificação do setor.

Água de torneira no líquido de arrefecimento provoca oxidação

A função primária do fluido no radiador é controlar a temperatura de operação do propulsor. O composto químico correto impede o superaquecimento, a fervura, o congelamento, a corrosão interna e a cavitação, fenômeno em que bolhas de vapor se formam e implodem sob pressão, desgastando partes metálicas.

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Completar o reservatório de expansão apenas com água da rede pública ou com soluções sem especificação técnica introduz sais minerais, como cloro e cálcio, diretamente no circuito térmico do automóvel. Essas substâncias reagem com as altas temperaturas de trabalho e aceleram o processo de oxidação, formando incrustações sólidas que bloqueiam a passagem do fluido no bloco do motor, no cabeçote, na válvula termostática e nas galerias do radiador. Mesmo a aplicação exclusiva de água desmineralizada ou deionizada, que passa por filtragem para a remoção total de sais minerais, não substitui a presença do aditivo químico no reservatório. Sozinha, a água purificada não consegue elevar o ponto de ebulição nem reduzir o ponto de congelamento da mistura, além de não possuir os agentes inibidores de corrosão indispensáveis para proteger os motores modernos fabricados com componentes de alumínio.

Normas ABNT NBR 13705 e NBR 14261 definem regras para aditivos

Antes de repor o volume do reservatório em 20 de outubro de 2026 ou em qualquer revisão periódica, o motorista deve consultar o manual do proprietário. O documento elaborado pela montadora estabelece o intervalo de troca e a especificação química exata para o modelo.

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No Brasil, a fabricação e a comercialização desses compostos seguem critérios da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e passam por verificações do IQA. As exigências técnicas e operacionais para o fluido do motor abrangem os seguintes parâmetros:

  • ABNT NBR 13705: norma técnica (edição de 2016, confirmada em fevereiro de 2025) que determina os requisitos e métodos de ensaio para aditivos concentrados, divididos nos tipos A, B e C, formulados à base de monoetilenoglicol, monopropilenoglicol e glicerina.
  • ABNT NBR 14261: regulamentação brasileira que fixa os padrões de qualidade e segurança para os aditivos de arrefecimento comercializados já diluídos e prontos para o uso.
  • Faixa de diluição: a proporção usual de aditivo concentrado misturado em água desmineralizada varia de 30% a 50% do volume total do sistema, conforme a indicação de cada fabricante.
  • Ensaios de laboratório: os testes conduzidos pelo IQA com base nas duas normas medem ponto de congelamento, ponto de ebulição, pH, reserva alcalina, densidade relativa e teor de água.
  • Proteção metálica: as análises laboratoriais verificam a resistência do produto contra a corrosão em peças de cobre, solda, latão, aço, ferro fundido e alumínio.

Risco de queimaduras e sinais de vazamento no reservatório

A verificação e a reposição do líquido exigem protocolos de segurança física por parte do condutor ou do mecânico. A tampa do reservatório de expansão nunca deve ser aberta enquanto o motor estiver em funcionamento ou aquecido, pois o circuito de arrefecimento trabalha fechado, sob alta pressão e temperaturas elevadas. A abertura prematura da peça provoca a descompressão súbita do sistema, o que faz o compartimento expelir vapor e líquido fervente, causando queimaduras graves na pele.

Quando o nível do fluido baixa com frequência e exige reposições constantes, o veículo apresenta falha mecânica. A redução recorrente do volume não é um comportamento normal de uso e indica a existência de vazamentos ativos em pontos como mangueiras ressecadas, colmeia do radiador, bomba d’água ou juntas de vedação do motor, demandando inspeção em oficina mecânica.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.