A Justiça Eleitoral e os 27 Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) alertaram nesta terça-feira (20) que os locais de votação ainda podem sofrer alterações até a realização do segundo turno das Eleições 2026, marcado para domingo (25). O levantamento mais recente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contabiliza 441 seções com endereço modificado em 142 locais de votação pelo país.
A recomendação dos órgãos eleitorais é que o cidadão verifique novamente o endereço de sua seção no próprio dia 25 de outubro de 2026, antes de sair de casa, mesmo que já tenha feito a consulta com antecedência. Os tribunais também orientam que o eleitor dê preferência ao período da manhã para votar, garantindo tempo hábil de deslocamento caso o endereço tenha sido trocado. “Até o dia da realização do segundo turno, cada um dos 27 Tribunais Regionais Eleitorais divulgará, por todos os meios de comunicação disponíveis, os locais de votação eventualmente modificados”, informou a nota conjunta dos 27 TREs.
Oscilação no número de seções alteradas pelo TSE e impacto nos estados
Os dados divulgados pelo TSE sobre mudanças de endereço entre o primeiro e o segundo turno apresentaram variações nos últimos dias conforme as zonas eleitorais atualizaram seus registros. No sábado (17), o balanço inicial apontava cerca de 4,3 mil seções alteradas, volume que passou para 1.116 — e 1.397 em atualização posterior — no domingo (18). Na segunda-feira (19), o índice caiu para 444 seções e chegou a 441 nesta terça-feira (20). O número definitivo até o dia do pleito ainda não está fechado, pois os TREs e as zonas eleitorais podem fazer novos ajustes de última hora diante de imprevistos estruturais ou intempéries climáticas.
De acordo com o balanço de 444 seções divulgado na segunda-feira (19), cerca de 130 mil eleitores distribuídos em 22 estados votarão em endereço diferente daquele utilizado no primeiro turno, realizado em 4 de outubro de 2026. Os três estados com maior volume de eleitores afetados naquele levantamento eram Minas Gerais, com 29.715 pessoas, Paraná, com 17.968, e Amapá, com 11.614.
Para o advogado especialista em direito eleitoral Alberto Rollo, a queda de mais de 4 mil para cerca de 400 seções nos boletins oficiais pode gerar confusão, mas reflete falhas de comunicação interna. “Realmente, mudar de 4 mil para 400 seções modificadas é uma coisa esquisita, mas eu não vejo nenhum tipo de dolo [má-fé] para atrapalhar o eleitorado. Eu acho que é desencontro de informação”, afirmou Rollo.
O especialista explicou que trocas excepcionais próximo à votação ocorrem por problemas climáticos ou nas escolas. “Sempre lembrando que o Brasil é muito grande, então, pode ser que chova hoje no Sul ou no Norte, e a escola fica prejudicada para domingo. Com isso, é atualizada a informação, mas vão ser algumas seções eleitorais, só em algumas escolas, e não baixar de 4 mil para 400”, disse.
Posicionamento dos 27 TREs e cobranças do Ministério Público Eleitoral
O Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (Coptrel), presidido pelo desembargador Carlos Roberto da Silva, que também comanda o TRE de Santa Catarina (TRE-SC), encaminhou nota conjunta dos 27 tribunais regionais ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, na segunda-feira (19). O documento esclarece que o TSE não tem ingerência sobre as trocas de endereço, cuja responsabilidade é exclusiva dos TREs e das zonas eleitorais, ocorrendo apenas quando necessário por eventos climáticos extremos, como fortes chuvas, problemas elétricos ou estruturais, reformas de última hora, melhorias de acessibilidade e segurança pública.
“Os motivos são sempre extraordinários e estão relacionados a situações climáticas extremas, problemas não identificados previamente nas estruturas dos prédios utilizados como locais de votação e questões de segurança pública”, declarou a nota conjunta dos presidentes dos 27 TREs. O desembargador Carlos Roberto da Silva acrescentou que cabe aos tribunais regionais avisar a população afetada: “Cada TRE tem a sua competência para administrar e verificar a eventual necessidade de troca do local de votação. Mas, sobretudo quando isso acontece, deve fazer a comunicação a todos os eleitores. Ninguém ficará sem saber onde votar no dia 25 de outubro”.
As alterações motivaram pedidos formais de maior transparência e publicidade. No domingo (18), a coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou pedido de providências no TSE cobrando ampla divulgação das mudanças de seções e medidas para assegurar a locomoção dos eleitores atingidos. Na segunda-feira (19), o Ministério Público Eleitoral (MPE) também enviou requerimento ao TSE pedindo avisos pelo aplicativo e-Título, rádio, televisão, redes sociais e a fixação de cartazes nos antigos endereços de votação.
“O segundo turno se realiza em 25 de outubro, intervalo reduzido para que o eleitor atingido tome conhecimento do novo endereço, de modo que potenciais efeitos das alterações devem ser mitigados por ampla divulgação, proporcional à exiguidade do tempo até o pleito e ao número de pessoas impactadas”, informou o MPE no documento. Alberto Rollo avaliou que os cadastros incompletos, sem telefone ou e-mail de todos os cidadãos, impedem o aviso individual: “Não daria para fazer a comunicação para essas pessoas individualmente. Mas a Justiça Eleitoral pode fazer essa comunicação via grande imprensa, colocar nos jornais de papel, colocar nas televisões abertas, nas rádios. Isso dá para melhorar”.
Como consultar o local de votação nos canais oficiais do TSE e dos TREs
A Justiça Eleitoral alertou que circulam em grupos de WhatsApp e nas redes sociais links não oficiais e sem confiabilidade sobre endereços de seções. A orientação para todos os eleitores aptos a votar no segundo turno — que definirá o presidente da República, os governadores do Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins, além de eleições suplementares municipais — é utilizar apenas as ferramentas institucionais para checar o endereço antes de ir às urnas, que funcionam das 8h às 17h (horário de Brasília) no domingo (25):
- Aplicativo e-Título (disponível gratuitamente para sistemas Android e iOS), acessando o botão “Onde votar”;
- Sistema de Autoatendimento Eleitoral, disponível nos portais oficiais do TSE e dos 27 TREs na internet;
- Página de Estatísticas Eleitorais do TSE, dentro do menu “Capilaridade”;
- Assistente virtual ChatVote, disponibilizado pela Justiça Eleitoral.
