Luke Aikins planeja saltar de um foguete a 100 km de altitude

Luke Aikins - Reprodução/Instagram

Luke Aikins - Reprodução/Instagram

O paraquedista norte-americano Luke Aikins, de 52 anos, revelou no domingo, 18 de outubro de 2026, o plano de saltar a partir de um foguete a cerca de 100 quilômetros de altitude, na região conhecida como linha de Kármán, a fronteira convencional entre a atmosfera da Terra e o espaço. A altura projetada para a nova tentativa equivale a aproximadamente 330 mil pés, marca 13 vezes superior aos 7.620 metros do salto de avião sem paraquedas que o colocou no livro dos recordes em 2016.

Com o novo projeto nos Estados Unidos, o atleta busca superar a marca histórica do paraquedista austríaco Felix Baumgartner, que saltou da estratosfera em 2012. “Esse é o sonho, o feito que me deixaria sem palavras”, afirmou Aikins, acrescentando que tem se dedicado intensamente à proposta e, em tradução livre, que nunca quis que o salto sem paraquedas fosse a única coisa pela qual é conhecido.

Salto na linha de Kármán mira recorde de Felix Baumgartner

A tentativa planejada por Luke Aikins tem como ponto de partida a linha de Kármán, situada a aproximadamente 100 quilômetros (62 milhas) acima do nível do mar. A Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (NASA, na sigla em inglês) observa que não existe uma fronteira física exata onde a atmosfera termina e o espaço começa, mas essa faixa de altitude é utilizada convencionalmente na exploração espacial como o marco divisório entre os dois ambientes. O objetivo central do norte-americano é ultrapassar o feito de Felix Baumgartner, que em 14 de outubro de 2012 saltou de um balão de hélio no Novo México, nos Estados Unidos, durante a missão Red Bull Stratos, e rompeu a barreira do som em queda livre.

Continue lendo: Avião de paraquedismo cai na França e deixa 11 mortos; autoridades iniciam investigação

Aikins conhece de perto os desafios técnicos da empreitada estratosférica porque atuou como consultor no próprio projeto Red Bull Stratos em 2012, auxiliando Baumgartner na preparação do salto. Além de integrar a equipe de atletas Red Bull Air Force, o norte-americano trabalha como piloto e consultor de segurança e treinamento da Associação de Paraquedismo dos Estados Unidos (USPA, entidade que regula o esporte no país), administra uma escola de paraquedismo no estado de Washington e já treinou militares de forças especiais da Marinha norte-americana, os Navy SEALs.

Como foi o salto sem paraquedas de Luke Aikins em 2016

Antes de mirar a fronteira do espaço, Aikins entrou para o Guinness World Records, o livro mundial dos recordes, em 30 de julho de 2016, aos 42 anos, durante o evento batizado de Heaven Sent, em Simi Valley, na Califórnia. Na ocasião, ele pulou de um avião Cessna sem paraquedas e sem wingsuit (macacão com asas usado para planar), guiando-se apenas pelo próprio corpo e por um equipamento de GPS até pousar de costas em uma rede de segurança posicionada no solo. Durante a primeira parte da descida, o atleta precisou utilizar um cilindro de oxigênio até atingir 10 mil pés e foi acompanhado por três paraquedistas até a marca de 5 mil pés: um responsável por recolher o tanque de oxigênio, outro encarregado da filmagem e um terceiro com fumaça sinalizadora.

Saiba mais: Queda de avião de paraquedismo deixa onze mortos na região nordeste da França neste domingo

Os números da carreira de Aikins e as marcas registradas nos saltos anteriores dimensionam a diferença técnica entre os desafios:

  • Altitude pretendida no salto de foguete: cerca de 100 km (330.000 pés ou 62 milhas)
  • Altitude do salto estratosférico de Felix Baumgartner em 2012: quase 40 km (entre 36.576 metros e 39 km)
  • Altitude do salto de Aikins sem paraquedas em 2016: 7.620 metros (25.000 pés)
  • Velocidade terminal atingida na queda livre de cerca de dois minutos em 2016: 193 km/h (120 mph)
  • Dimensões da rede de pouso no solo em 2016: 30 por 30 metros (100 por 100 pés)
  • Total de saltos estimados na carreira de Aikins: aproximadamente 22.000

Tradição familiar na aviação e bastidores dos testes

A trajetória do recordista na aviação começou na infância, impulsionada pelo histórico da própria família: o avô foi piloto militar na Segunda Guerra Mundial, o pai atuou como aviador naval e piloto comercial da companhia aérea United Airlines, e a mãe praticava paraquedismo, chegando a saltar enquanto estava grávida dele. Aikins realizou o primeiro salto duplo aos 12 anos e passou a saltar regularmente aos 16 anos.

Casado com a também paraquedista Monica Lee Aikins e pai de um filho, Logan, o atleta afirmou que a esposa acompanha todas as etapas de planejamento e avaliação de riscos e que não levaria o plano adiante sem a concordância dela. “Ela está por dentro do que eu faço. Ela conhece todas as diferentes acrobacias, os bastidores e os testes. Fazemos isso em equipe”, disse o norte-americano.

Apesar dos estudos preliminares, o salto a partir de um foguete permanece em fase de planejamento e ainda não tem data prevista para acontecer. Também não foram confirmados oficialmente a empresa ou o parceiro aeroespacial responsável pelo foguete e pelos equipamentos de suporte à vida e reentrada, nem os procedimentos técnicos de segurança e o método de pouso para a descida de 100 quilômetros de altitude.

Carolina Costa: Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração