O vice-comissário e diretor de operações (COO) da NBA, Mark Tatum, afirmou nesta terça-feira (20) que a liga norte-americana de basquete deseja voltar a realizar partidas no Brasil, mas apontou a ausência de uma arena coberta de padrão internacional em São Paulo como o principal obstáculo. A declaração ocorreu em Nova York, nos Estados Unidos, durante entrevista coletiva virtual na abertura da temporada 2026-27.
Mesmo com uma base estimada em mais de 53 milhões de fãs no território brasileiro, o dirigente não anunciou data nem sede para o retorno das partidas ao país. “Um dos desafios, historicamente, tem sido a falta de uma arena coberta de nível internacional em São Paulo”, disse Tatum.
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Mercado da NBA no Brasil soma 53 milhões de fãs e eventos em São Paulo
Apesar do entrave estrutural na capital paulista, o executivo mencionou a possibilidade de levar confrontos novamente ao Rio de Janeiro, desde que ocorram melhorias nas instalações esportivas locais. “Já realizamos partidas no Rio anteriormente e existe a possibilidade de fazermos isso novamente em algum momento no futuro. No entanto, ressaltamos a necessidade de uma infraestrutura e instalações melhores no Brasil; caso isso ocorra, certamente voltaríamos a levar jogos para lá o quanto antes”, declarou o vice-comissário.
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— NBA (@NBA) October 20, 2026
Para ilustrar a força comercial do país, Tatum citou o desempenho das lojas de varejo e o público da 10ª edição da NBA House, espaço temático voltado aos torcedores em São Paulo durante as finais da temporada 2025-26, encerrada em junho de 2026. O evento reuniu mais de 35 mil pessoas ao longo de duas semanas de programação. No âmbito esportivo sul-americano, a organização mantém parceria com a Liga Nacional de Basquete (LNB) no Brasil e acompanha o desenvolvimento da Basketball Champions League Americas (BCLA), torneio continental organizado pela Federação Internacional de Basquete (FIBA).
Histórico de jogos da NBA no Rio de Janeiro e transmissões no país
A liga norte-americana não disputa partidas em solo brasileiro desde 2015. Entre 2013 e 2015, o Rio de Janeiro recebeu três confrontos de pré-temporada válidos pelo projeto de jogos globais da entidade: o Chicago Bulls venceu o Washington Wizards por 83 a 81 em 2013; o Cleveland Cavaliers superou o Miami Heat por 122 a 119 em 2014; e o Orlando Magic derrotou o Flamengo por 90 a 73 na última passagem pelo país, em 2015.
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Atualmente, o público brasileiro acompanha o torneio por meio de transmissões como a do serviço de streaming Prime Video, que detém os direitos de exibição de 142 partidas da temporada regular de 2026-27, além de confrontos da Copa NBA, dos playoffs (fase eliminatória) e das Finais da Conferência Leste. Executivos da plataforma de transmissão já manifestaram apoio à realização de um novo jogo no Brasil, impulsionados pelo fuso horário próximo ao norte-americano e pelo volume de audiência local.
Rodada tripla da NBA tem LeBron James no 76ers e 125 estrangeiros
Em quadra, a temporada 2026-27 começa em 20 de outubro de 2026 com a presença de 125 atletas internacionais de 43 países, números que igualam tanto o recorde histórico de nações representadas na noite de abertura quanto a marca de jogadores de fora dos Estados Unidos registrada em 2024-25. A França lidera a lista com 17 jogadores, encabeçados pelo pivô Victor Wembanyama, do San Antonio Spurs e atual Defensor do Ano, superando o Canadá, que tem 16 atletas, pela primeira vez em 13 temporadas. Ao todo, os elencos reúnem 70 europeus, e todos os 30 times contam com ao menos um estrangeiro, com destaque para Dallas Mavericks, Miami Heat e Washington Wizards, que possuem sete cada.
O peso internacional reflete-se nas premiações individuais da liga: os últimos oito troféus de MVP (Jogador Mais Valioso da temporada) ficaram com atletas nascidos fora dos Estados Unidos. A lista inclui o grego Giannis Antetokounmpo (2019 e 2020), o sérvio Nikola Jokić (2021, 2022 e 2024), o camaronês naturalizado norte-americano e francês Joel Embiid (2023) e o canadense Shai Gilgeous-Alexander, do Oklahoma City Thunder, vencedor em 2025 e 2026.
O calendário de estreia e os compromissos internacionais confirmados para a temporada 2026-27 contam com a seguinte programação:
- Abertura (20 de outubro de 2026, a partir das 16h de Brasília): rodada tripla nos Estados Unidos com Boston Celtics x Detroit Pistons; New York Knicks (atual campeão, que recebe os anéis de título no ginásio Madison Square Garden) x Philadelphia 76ers (equipe pela qual LeBron James estreia para disputar sua 24ª temporada, recorde absoluto na história da liga); e Oklahoma City Thunder x San Antonio Spurs.
- Cidade do México (sábado, 7 de novembro de 2026): partida de temporada regular entre Denver Nuggets e Indiana Pacers, marcando o 35º jogo da história da liga no México.
- Paris e Manchester (janeiro de 2027): duas partidas da temporada regular entre New Orleans Pelicans e San Antonio Spurs na França e na Inglaterra.
Projeto da NBA Europe mantém estreia prevista para outubro de 2027
Fora do continente americano, onde a temporada 2026-27 terá cerca de 40 partidas exibidas no horário nobre europeu, a principal meta de expansão é o lançamento da NBA Europe em conjunto com a FIBA. “Continuamos trabalhando com o objetivo de iniciar o projeto em outubro de 2027”, afirmou Tatum. O cronograma é mantido mesmo após a EuroLeague, principal competição de clubes do continente, ter rejeitado uma proposta inicial de fusão no começo de outubro de 2026.
O formato planejado para a NBA Europe prevê 16 equipes na divisão principal, combinando um grupo estimado em 12 franquias permanentes e quatro vagas anuais definidas por mérito esportivo, preenchidas por meio da Basketball Champions League e das ligas nacionais. A projeção financeira apresentada por Tatum estima que os clubes permanentes alcancem lucratividade até o terceiro ano de operação, com a distribuição de bilhões de dólares às equipes ao longo de uma década. A liga ainda não divulgou quais clubes farão parte do grupo fundador da competição europeia em 1 de outubro de 2027.
