Ticketmaster Brasil confirma vazamento de dados de clientes que compraram ingressos em 2025

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Ticketmaster -Habanero Pixel / Shutterstock.com

Clientes da Ticketmaster Brasil começaram a ser notificados por mensagem eletrônica na quarta-feira (14) sobre um incidente de segurança cibernética que atingiu a empresa. O vazamento expôs informações pessoais e registros de transações de consumidores que compraram ingressos na plataforma ao longo do ano de 2025.

Segundo a companhia, a falha teve origem em uma vulnerabilidade temporária dentro de uma ferramenta terceirizada de análise de dados, que funciona de maneira isolada do sistema principal de bilheteria. “A Ticketmaster Brasil confirma que notificou recentemente fãs afetados por um incidente de segurança envolvendo uma ferramenta de análise de dados fornecida por terceiros. Foram adotadas medidas imediatas para conter o incidente e instalada uma investigação com o apoio de especialistas externos em cibersegurança”, afirmou a empresa em nota oficial enviada à imprensa.

Dados de clientes expostos no incidente da Ticketmaster Brasil

O volume de informações comprometidas varia de acordo com o que cada usuário preencheu no momento da aquisição dos bilhetes. A empresa sustenta que a sua estrutura primária não sofreu invasão direta durante o episódio. “A plataforma de venda de ingressos e os sistemas de contas dos fãs não foram afetados, e o incidente não envolveu números completos de cartões de crédito, números de contas bancárias ou credenciais de acesso às contas da Ticketmaster”, declarou a Ticketmaster Brasil no comunicado oficial.

A relação de dados cadastrais e financeiros potencialmente expostos nas compras realizadas em 2025 abrange os seguintes itens:

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  • Nome completo, gênero e faixa etária ou data de nascimento;
  • Número do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou de outro documento de identificação informado;
  • Telefone de contato e endereço eletrônico;
  • Endereço residencial contendo bairro, cidade e estado;
  • Método de pagamento utilizado na transação e os 4 últimos dígitos do cartão de crédito.

Notificação da Ticketmaster Brasil à ANPD e prazos de apuração

No comunicado remetido aos consumidores a partir de 14 de outubro de 2026, a plataforma informou que a apuração interna conduzida com o suporte de especialistas externos em cibersegurança foi concluída em setembro de 2026. Na quinta-feira (15), a empresa confirmou o envio da notificação sobre o caso à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), órgão federal responsável por fiscalizar o cumprimento da legislação de dados pessoais no país. Pela Resolução CD/ANPD nº 15/2024, norma que regulamenta a comunicação de falhas de segurança no Brasil, as empresas precisam avisar a autarquia e os titulares afetados no prazo geral de três dias úteis contados a partir da ciência de eventos que possam gerar risco ou dano relevante, sendo permitido o envio de informações preliminares que podem ser complementadas posteriormente.

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Procurada para esclarecer o cronograma do caso e a eventual abertura de um processo fiscalizatório sobre o intervalo entre o encerramento da apuração interna em setembro e o aviso aos clientes em outubro, a assessoria de comunicação da ANPD informou na segunda-feira (19) que a demanda foi repassada ao setor responsável. “Recebemos sua solicitação e a encaminhamos à área técnica. Assim que recebermos uma resposta, retornaremos o contato”, informou a agência em nota, em tradução livre.

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Ainda não há confirmação sobre o número total de clientes atingidos pelo vazamento no Brasil, dado que não foi divulgado pela Ticketmaster nem pela ANPD. Também permanecem desconhecidos o nome da fornecedora da ferramenta terceirizada onde ocorreu a falha, a data exata em que o incidente aconteceu, o momento em que a vulnerabilidade foi descoberta e o dia preciso em que a autoridade brasileira foi notificada. Não foi esclarecido se a brecha tecnológica afetou operações fora do território brasileiro ou se os compradores locais receberão serviços gratuitos de monitoramento de crédito.

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Orientações e canais de atendimento para compradores da Ticketmaster em 2025

A exposição de históricos de compras de ingressos combinados a dados de identificação pessoal pode facilitar tentativas de golpes direcionados, nos quais mensagens fraudulentas utilizam referências a eventos reais ou supostos reembolsos para enganar as vítimas. “A empresa forneceu aos fãs afetados orientações para ajudá-los a proteger suas informações pessoais e mantém o reforço de suas medidas de segurança de dados”, disse a Ticketmaster Brasil em nota.

A orientação aos consumidores que compraram ingressos na plataforma durante o ano de 2025 é verificar a caixa de entrada do correio eletrônico vinculado ao cadastro, embora a realização de compras naquele período não signifique automaticamente que o perfil tenha sido atingido. A companhia alertou os usuários para que desconfiem de comunicações suspeitas, pois seus canais oficiais não pedem senhas nem dados financeiros. Para tirar dúvidas específicas sobre o episódio, a empresa disponibilizou o endereço eletrônico dedicado ao atendimento sobre o incidente de dados e o canal geral de privacidade da plataforma no país.

Histórico de invasões na Live Nation e acordos no Brasil

No mercado brasileiro, a confirmação do vazamento ocorre na sequência de novos negócios da plataforma, que tem Saumil Mehta como presidente global. Em 2 de outubro de 2026, a Ticketmaster oficializou um contrato para assumir a gestão da venda de ingressos e do programa de sócio-torcedor do São Paulo Futebol Clube a partir de 1º de janeiro de 2027; como a falha de segurança atingiu registros de 2025, não há indicação de exposição de dados ligados a essa parceria. Antes disso, em setembro de 2026, publicações em fóruns clandestinos anunciaram a suposta venda de dados de compradores do festival The Town 2025 na América Latina, mas analistas de segurança não conseguiram comprovar qual organização detinha a base ofertada nem confirmar relação direta com o caso comunicado em outubro.

No cenário internacional, a Live Nation Entertainment, controladora da Ticketmaster, enfrentou outros episódios de segurança cibernética sem ligação estabelecida com o caso brasileiro. Em 1º de outubro de 2026, a controladora comunicou à Procuradoria-Geral de Vermont, nos Estados Unidos, um incidente distinto que expôs números de Seguridade Social (SSN, o registro de identificação fiscal e previdenciária norte-americano), documentos oficiais de identidade e registros médicos, o que motivou a abertura de pelo menos três ações coletivas na Corte Distrital da Califórnia nos dias 6 e 7 de outubro de 2026, propostas por Amanda Fraga, Toby Gosman e Isiah Ramos. Já em 20 de maio de 2024, a Live Nation havia identificado atividade não autorizada em um banco de dados em nuvem operado pela empresa terceirizada Snowflake, episódio no qual o grupo hacker ShinyHunters afirmou ter obtido registros de cerca de 560 milhões de clientes da Ticketmaster. Por esse ataque de 2024, o hacker canadense Connor Riley Moucka, de 26 anos, declarou-se culpado à Justiça federal em 5 de agosto de 2026, e a audiência para a leitura de sua sentença está prevista para 27 de outubro de 2026.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.