Variedades de pequi sem espinhos em Goiás evitam acidentes ao comer

Pequi - Reprodução/YouTube

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A Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater-GO) registrou, na terça-feira, 13 de outubro de 2026, a primeira frutificação de clones de pequi na Estação Experimental de Porangatu cerca de três anos e meio após o plantio. No cultivo tradicional por sementes do fruto símbolo de Goiânia, o tempo até a colheita chega a 20 anos.

O resultado integra uma parceria de mais de três décadas com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Cerrados), que mantém em Goiás o maior banco de germoplasma — coleção de material genético vivo — da espécie no mundo, com mais de 1.600 pequizeiros em Goiânia, Anápolis, Porangatu e Araçu. “Muitos pensam que apenas plantar é suficiente, e que o resto do trabalho se faz sozinho. Não é assim: é preciso um cuidado especial e constante para garantir bons resultados”, afirmou Elainy Botelho, pesquisadora da Emater Goiás responsável pelo banco.

Cultivares de pequi sem espinhos e dados de produção em Goiás

O pequizeiro nativo (Caryocar brasiliense) tem casca verde, polpa amarela e um caroço (endocarpo) coberto por espinhos finos que protegem a amêndoa central, exigindo que o consumidor roa a polpa com os dentes da frente sem morder o centro. Para eliminar o risco de ferimentos na boca e facilitar a extração da polpa, as instituições lançaram em 11 de novembro de 2022 seis cultivares clonais registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), multiplicadas por enxertia:

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  • GOBRS 101, GOBRS 102 e GOBRS 103: três variedades sem espinhos no caroço, sendo que a GOBRS 103 tem porte alto, polpa de 7 a 8 milímetros de espessura e produtividade média anual de 40 kg de frutos por planta.
  • GOBRS 201, GOBRS 202 e GOBRS 203: três variedades com espinhos no caroço, selecionadas pelo volume maior de polpa e pelo sabor.

Patrimônio gastronômico e safra do pequi em Goiânia

Em Goiânia, a safra do pequi coincide com o verão chuvoso, quando a média mensal de precipitação atinge 226 milímetros em dezembro e janeiro, contra 1 milímetro no mês seco de julho. O fruto compõe a culinária tradicional ao lado da galinhada, da guariroba, do empadão goiano e da pamonha, reconhecida como patrimônio cultural imaterial pela Lei Estadual nº 21.729, sancionada pelo governador Ronaldo Caiado em 20 de dezembro de 2022. Em 15 de setembro de 2026, a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) aprovou em segunda votação o Projeto de Lei nº 25517/24, do deputado estadual Coronel Adailton, que inclui a denominação de patrimônio gastronômico para o pequi, a pamonha goiana, o empadão goiano e outros seis alimentos típicos.

Janderson Luiz: Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol