Barcelona Feminino solicita prorrogação de prazo à FIFA para cumprir regra de mulher na comissão técnica

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Barcelona Feminino - X/Twitter Foto: Barcelona Feminino - X/Twitter

A direção do Barcelona Feminino solicitou nesta quarta-feira (21) uma extensão de prazo à FIFA para cumprir a regra que obriga a presença de ao menos uma mulher como treinadora principal ou assistente técnica nas competições da entidade. O clube da Catalunha, na Espanha, busca a dispensa temporária para disputar a FIFA Women’s Champions Cup sem sofrer punições esportivas, já que a comissão liderada pelo técnico Pere Romeu Sunyer não conta atualmente com nenhuma auxiliar mulher.

Apesar do departamento médico da equipe feminina já possuir integrantes mulheres, a ausência de uma assistente técnica impede o cumprimento integral da norma internacional. O Barcelona realiza um processo seletivo para preencher o posto, mas informou que ainda não considerou satisfatória nenhuma das candidatas avaliadas até o momento e tenta ganhar tempo para concluir a contratação.

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Pere Romeu comanda comissão técnica do Barcelona sem assistente mulher

Pere Romeu Sunyer assumiu o comando da equipe principal feminina do Barcelona em julho de 2024 e teve o contrato renovado em 17 de junho de 2026 por mais duas temporadas, com vínculo válido até 30 de junho de 2028. A regulamentação da FIFA não exige a demissão de treinadores homens, permitindo que os clubes atendam ao critério por meio da inclusão de uma ou mais assistentes técnicas no banco de reservas.

Nem o FC Barcelona nem a FIFA divulgaram comunicado público oficial sobre o pedido de dispensa temporária e sobre a avaliação das candidatas até o momento. Mesmo com a pendência regulatória em análise, a participação da equipe espanhola no torneio intercontinental está mantida.

Estreia do Barcelona na FIFA Women’s Champions Cup ocorre em janeiro de 2027

Classificado como representante europeu após conquistar a Liga dos Campeões Feminina da UEFA em maio de 2026, o Barcelona entra diretamente na fase semifinal da segunda edição da FIFA Women’s Champions Cup. A primeira edição do torneio, que reúne seis clubes campeões continentais, foi vencida pelo Arsenal em 2026. O calendário oficial da competição prevê as seguintes datas e etapas:

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  • 19 de março de 2026: aprovação pelo Conselho da FIFA do regulamento que exige mulheres nas comissões técnicas.
  • 25 de outubro de 2026: início das fases preliminares da segunda edição da FIFA Women’s Champions Cup.
  • 27 de janeiro de 2027: disputa das semifinais em Miami, na Flórida, nos Estados Unidos, data da estreia do Barcelona.
  • 31 de janeiro de 2027: realização da final e encerramento da competição em Miami.

Exigências da FIFA para treinadoras e dados da Copa de 2023

A diretriz aprovada pelo Conselho da FIFA determina que todas as equipes participantes de torneios femininos organizados pela entidade tenham no mínimo duas mulheres sentadas no banco de reservas, sendo obrigatoriamente pelo menos uma no cargo de treinadora principal ou assistente técnica e ao menos uma integrante na equipe médica. A norma abrange todas as competições femininas de clubes e de seleções, desde as categorias de base até o nível profissional sênior, tendo estreado na Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA na Polônia, em setembro de 2026, e valendo também para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada no Brasil.

A criação da cota busca reduzir a baixa presença feminina no comando técnico de alto rendimento, evidenciada na Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2023, quando apenas 12 das 32 seleções participantes (37,5% do total) tinham mulheres como treinadoras principais. A Diretora de Futebol da FIFA (cargo executivo chamado de Chief Football Officer) e ex-treinadora da seleção feminina dos Estados Unidos, Jill Ellis, afirmou que simplesmente não há mulheres suficientes atuando como treinadoras atualmente e que é preciso fazer mais para acelerar a mudança, criando caminhos mais claros, ampliando oportunidades e aumentando a visibilidade para as mulheres à beira do campo.

A dirigente também apontou o impacto esperado da regra nas próximas temporadas. Segundo Jill Ellis, os novos regulamentos da FIFA, combinados com programas de desenvolvimento direcionados, marcam um investimento importante tanto na atual quanto na futura geração de treinadoras.

Diferenças nas regras da UEFA e ressalvas de profissionais do setor

A exigência enfrentada pelo Barcelona no torneio mundial não se repete nas competições europeias, pois a UEFA não aplica cotas de gênero nas comissões técnicas na Liga dos Campeões Feminina, na Women’s Europa Cup ou nas ligas nacionais sob sua jurisdição, embora tenha anunciado em setembro de 2026 novos requisitos mínimos de qualificação a partir da temporada 2029-30. Pela futura norma continental, treinadores principais precisarão das licenças UEFA Pro ou UEFA A (os dois níveis mais altos de certificação técnica da entidade europeia), enquanto assistentes deverão portar licença UEFA A ou UEFA B.

Entre as treinadoras em atividade no futebol feminino, a regra da FIFA teve recepção favorável, mas veio acompanhada de alertas sobre barreiras estruturais da profissão. As profissionais apontam o alto custo das certificações, a oferta restrita de vagas em cursos de formação e o risco de clubes e federações contratarem mulheres habilitadas apenas para cumprir a cota formal no banco de reservas.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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