O cantor e ator Filipe Kartalian Ayrosa Galvão, conhecido como Fiuk, recebeu ordem da Justiça para remover um vídeo de seu canal no YouTube no prazo de 24 horas. A decisão liminar atende a uma ação judicial movida pelo produtor e diretor de cinema André Luis Martins Camargo e pela produtora Owner Entertainment, após o artista acusar o profissional de tentar roubar um projeto de filme sobre drift.
A juíza responsável pelo caso deferiu o pedido de urgência em 2 de outubro de 2026, três dias após o ajuizamento do processo, iniciado em 29 de setembro de 2026. Além da exclusão imediata do conteúdo da plataforma de vídeos, os autores da ação cobram no mérito o pagamento de uma indenização por danos morais no valor total de R$ 40 mil, a proibição de nova publicação e uma retratação pública.
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Acusações de Fiuk no YouTube e a defesa da Owner Entertainment
O processo teve início depois que Fiuk publicou em sua página no YouTube a gravação intitulada “Tentaram me Roubar?! – Descontrole: a verdade além do filme”, na qual exibiu a imagem e a voz do produtor e o acusou de tentar subtrair seu projeto cinematográfico. Nos autos, André Luis Martins Camargo e a Owner Entertainment afirmam que desenvolveram com o artista a ideia de um longa-metragem de ação inspirado no universo do drift (modalidade de automobilismo baseada em derrapagens controladas), mas a produção não avançou por divergências criativas e falta de cooperação do cantor, que teria ignorado minutas contratuais.
Os autores sustentam no processo que Fiuk provocou dano reputacional ao tratá-los como criminosos e golpistas, ultrapassando os limites da liberdade de expressão sem comprovar apropriação de conteúdo ou assinar contrato formal. O produtor e a empresa informaram à Justiça que devolveram os valores recebidos de patrocinadores após o fim da parceria, sem reter recursos ou transferi-los para outra obra. Após o encerramento das negociações com o cantor, a produtora afirma ter desenvolvido um longa-metragem independente chamado “Tração”, ambientado no universo do motocross e com roteiro próprio.
Processo de R$ 50 mil e disputa por orçamento de R$ 20 milhões
O embate público começou meses antes da atual decisão judicial, quando a produtora anunciou em 18 de agosto de 2026 que acionaria o cantor nas esferas cível e criminal por declarar em vídeos e entrevistas que teria sofrido prejuízos financeiros e sido vítima de uma armação em que o filme “Descontrole” teria sido transformado no projeto “Asfalto” sem a sua presença. Na ocasião, a empresa declarou que a produção tinha orçamento total estimado em mais de R$ 20 milhões, mas não passou da fase inicial de roteiro e gravação de materiais-piloto, tendo a produtora custeado passagens, hospedagem e alimentação do artista.
Em comunicado oficial divulgado na época e assinado por André Luis Martins Camargo e pela representante Estela Alves, a empresa detalhou a relação comercial com o cantor. “Sua participação restringiu-se à condição de ator convidado para protagonizar o filme e de coautor da ideia inicial que serviu de ponto de partida ao desenvolvimento do roteiro. Nunca houve qualquer tipo de aporte de recursos financeiros do artista na produção […] Fiuk jamais realizou qualquer pagamento, aporte ou investimento em favor da Owner Entertainment”, informou a Owner Entertainment.
Além da ação movida pelo diretor, o vídeo publicado no YouTube rendeu outro processo contra o cantor em abril de 2026. O dublê, produtor executivo e captador de recursos Jonathan Fernando Cristóvão Neves acionou a Justiça pedindo R$ 50 mil de indenização individual após ter sua imagem associada à frase “tentaram me roubar” na mesma gravação.
Ainda não há confirmação oficial nos autos divulgados sobre o número do processo ou a vara judicial exata onde tramita a ação ajuizada em setembro. Também não foi confirmado até esta quarta-feira (21) se Fiuk já cumpriu a determinação liminar de remoção do vídeo ou se apresentou recurso à Justiça.
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Prazos e andamento das ações contra Fiuk
- Abril de 2026: Jonathan Fernando Cristóvão Neves ajuíza a primeira ação contra o cantor pelo vídeo no YouTube.
- 18 de agosto de 2026: André Luis Martins Camargo e a Owner Entertainment anunciam medidas legais cíveis e criminais.
- 29 de setembro de 2026: O produtor e a empresa protocolam a nova ação judicial por danos morais.
- 2 de outubro de 2026: A juíza concede decisão liminar determinando a exclusão do vídeo em 24 horas.
- 21 de outubro de 2026: A decisão judicial de urgência torna-se pública às 8h.
Com a concessão da medida liminar, o processo segue agora para o julgamento de mérito, etapa em que a Justiça decidirá sobre o pedido definitivo de exclusão do vídeo, a retratação pública e o pagamento dos R$ 40 mil de indenização.
