NBA estreia temporada com impasse nos direitos regionais de TV

NBA - Instagram/nba

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A temporada 2026-27 da NBA começou na terça-feira (20), nos Estados Unidos, marcada pela reestruturação dos direitos de transmissão locais após a falência do Main Street Sports Group, operador da FanDuel Sports Network. Enquanto 13 franquias precisaram buscar novos acordos para substituir suas antigas emissoras de televisão por assinatura, a liga negocia com o YouTube e a DAZN a criação de uma plataforma centralizada de streaming regional para 2027-28, avaliada em até US$ 1,2 bilhão por ano.

A rodada tripla de abertura, exibida nacionalmente pela NBC e pelo serviço de streaming Peacock a partir das 15h (horário da Costa Leste dos Estados Unidos), reuniu três equipes que fecharam contratos regionais com a DAZN: o atual campeão New York Knicks, o Detroit Pistons e o San Antonio Spurs. Para liderar a transição do modelo de negócios e o novo grupo de mídia local da liga, a NBA contratou Matt Volk, ex-diretor de operações das redes NESN e SportsNet Pittsburgh, como gerente-geral de mídia local.

Placares da rodada de abertura da NBA e divisão de jogos na DAZN

Dentro de quadra, o primeiro dia da temporada regular 2026-27 de 20 de outubro de 2026 registrou a estreia oficial dos atletas LeBron James e Jaylen Brown pelo Philadelphia 76ers, em partida disputada no ginásio Madison Square Garden, em Nova York. A DAZN assumiu a transmissão local de 11 franquias da NBA dentro de um pacote de 19 equipes de ligas americanas, que inclui ainda times da MLB (liga de beisebol), NHL (hóquei no gelo) e WNBA (liga feminina de basquete).

  • Detroit Pistons 121 x 113 Boston Celtics (o Detroit Pistons terá 69 partidas regionais transmitidas pela DAZN na temporada).
  • Philadelphia 76ers 106 x 100 New York Knicks (o New York Knicks terá 65 partidas regionais na plataforma).
  • Oklahoma City Thunder 116 x 104 San Antonio Spurs (o San Antonio Spurs terá 67 partidas regionais no serviço, além de 22 jogos em TV aberta local).
  • Franquias com contrato exclusivo de streaming na DAZN para jogos não nacionais (com 15 partidas gratuitas na TV aberta local, exceto o Spurs): Cleveland Cavaliers, Indiana Pacers, Memphis Grizzlies, Minnesota Timberwolves e San Antonio Spurs.
  • Franquias com acordo não exclusivo na DAZN: New York Knicks, Brooklyn Nets, Detroit Pistons, Charlotte Hornets, Orlando Magic e Washington Wizards.

Preços de assinatura na DAZN e garantias financeiras

O modelo adotado pela DAZN permite ao torcedor assinar o pacote de uma equipe específica ou incluir as transmissões locais em uma assinatura geral da plataforma, onde cada time conta com uma página dedicada para jogos ao vivo, reprises e programas. No caso do Cleveland Cavaliers, o plano padrão por equipe custa US$ 19,99 por mês ou US$ 119,99 por ano, enquanto o plano Ultimate sai por US$ 24,99 mensais ou US$ 139,99 anuais, oferecendo transmissões extras e descontos em ingressos e produtos oficiais.

Em declaração sobre os acordos, o CEO de Mercados em Crescimento da DAZN, Pete Oliver, afirmou que a empresa busca expandir sua presença no setor. “É uma liga extremamente bem administrada. Acho que as pessoas estão muito empolgadas com o que está acontecendo com esses times, e estamos muito satisfeitos em tê-los, e temos vários dos times que chegaram aos playoffs e, claro, os Knicks também, que venceram. Então isso funcionou muito bem, eu diria”, declarou Oliver, em tradução livre. O executivo acrescentou que a companhia mantém conversas ativas com outras equipes e ligas visando a temporada de beisebol de 2027.

A operação da DAZN ocorre sob observação do mercado financeiro. Segundo dados analisados pelo especialista em mídia e tecnologia esportiva Carlos De Marchis durante a feira IBC 2026, em Amsterdã, em setembro, os balanços divulgados pela DAZN apontavam receita acumulada de US$ 3,19 bilhões e prejuízo operacional de US$ 877,5 milhões, com mais de US$ 7 bilhões em aportes de acionistas. No acordo firmado com o Indiana Pacers, a plataforma estabeleceu uma garantia de US$ 8 milhões, divisão de 50% da receita de publicidade e cláusula de rescisão mútua após o primeiro ano.

Como vai funcionar a plataforma da NBA com o YouTube em 2027-28?

Os atuais contratos regionais das franquias possuem cláusulas de saída que permitem rescindir os vínculos caso os clubes decidam migrar para o novo sistema centralizado da NBA na temporada 2027-28. O projeto, que utiliza tecnologia de bloqueio geográfico (sistema que restringe a exibição ao território local de cada time) e também desperta interesse de Amazon e Disney/ESPN, prevê reunir quase todas as equipes dos Estados Unidos. Apenas o Toronto Raptors deve ficar de fora, por manter contrato vigente no Canadá com a empresa Rogers Communications.

Caso a NBA reúna todas as 29 franquias americanas, a meta é arrecadar US$ 1,2 bilhão por ano. Se a adesão inicial for de 25 equipes ou menos, a oferta estimada do YouTube fica próxima de US$ 850 milhões anuais, enquanto a DAZN precisaria oferecer até US$ 1,4 bilhão para superar a concorrente. A proposta discutida com o YouTube estabelece um contrato de nove anos, prorrogável por mais cinco, alinhado ao fim do ciclo de direitos nacionais da liga (temporada 2035-36), que soma US$ 77 bilhões por 11 anos (média de cerca de US$ 7 bilhões anuais). Pelo modelo em discussão, a divisão do dinheiro entre os clubes será proporcional ao valor de mercado de cada franquia, beneficiando equipes como Los Angeles Lakers, New York Knicks, Miami Heat e Philadelphia 76ers em relação a mercados menores, como Memphis Grizzlies e New Orleans Pelicans.

Queda da TV paga nos EUA e redução nas receitas locais da NBA

A reformulação das transmissões regionais é consequência direta do encolhimento da televisão por assinatura nos Estados Unidos, que passou de cerca de 100 milhões de assinantes em 2016 para 62 milhões no segundo trimestre de 2026. De acordo com o ex-presidente da Fox Sports Networks, Bob Thompson, franquias que antes arrecadavam US$ 50 milhões anuais em direitos locais passaram a fechar contratos de US$ 4 milhões a US$ 5 milhões por ano.

Para o fundador da Crakes Media e consultor da JohnWallStreet Advisory, Patrick Crakes, a perda de assinantes da TV paga devolveu a negociação às regras básicas de oferta e demanda, enquanto empresas de tecnologia precisam dividir o capital dos esportes com investimentos em infraestrutura de centros de dados. Já a consultoria Ampere Analysis projetou no início de 2026 que o Amazon Prime Video ultrapassaria a DAZN até o fim do ano como maior investidor individual em direitos esportivos por streaming, alcançando US$ 3,8 bilhões e encerrando sete anos de liderança da concorrente, que em junho de 2026 criou uma nova holding nas Ilhas Cayman para captar recursos e, em 13 de outubro de 2026, comprou a plataforma latino-americana BASKET.TV.

O fechamento definitivo do acordo entre a NBA e o YouTube (ou a DAZN) para a plataforma centralizada da temporada 2027-28 ainda está em negociação e depende do número exato de franquias que confirmarão adesão no primeiro ano. Paralelamente, a partir de 2027, os assinantes do YouTube Premium passarão a ter acesso sem custo adicional à programação do Peacock, o que inclui rodadas duplas exclusivas da NBA às segundas-feiras e partidas simultâneas com a NBC aos domingos e às terças-feiras nos Estados Unidos.

Beatriz: Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.