A Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES) descartou a suspeita de envenenamento na morte de uma gata recolhida no bairro Coqueiral de Itaparica, em Vila Velha. O resultado do laudo pericial, divulgado na terça-feira (20), apontou que o animal morreu por causa de traumatismos nas regiões do tórax e do abdômen.
Diante da ausência de substâncias tóxicas no organismo do animal e da falta de provas sobre a ocorrência de um crime, a Polícia Civil concluirá o inquérito com pedido de arquivamento. O delegado Marcelo Nolasco, titular da Delegacia Especializada de Proteção ao Meio Ambiente (Depma), informou que a apuração não confirmou os relatos iniciais de mortes em série na vizinhança.
O que apontou o laudo da Polícia Científica sobre a gata em Vila Velha?
Os peritos da Polícia Científica realizaram exames toxicológicos em amostras de sangue e no conteúdo estomacal da gata encontrada morta em agosto de 2026. As análises laboratoriais não identificaram nenhum tipo de veneno ou agente tóxico nas amostras recolhidas pelos investigadores da delegacia ambiental durante as diligências iniciais no condomínio residencial do município capixaba, afastando a hipótese levantada inicialmente pelos moradores da região.
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O documento técnico concluiu que o óbito foi provocado por hemorragia interna e complicações respiratórias resultantes das lesões torácicas e abdominais. Apesar de confirmar a causa da morte, a perícia não conseguiu determinar de forma exata o que provocou os ferimentos no animal, restando três hipóteses analisadas pela investigação policial:
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- Agressão física provocada por objeto, como uma paulada;
- Acidente causado por queda de altura;
- Atropelamento por veículo na região do condomínio.
Investigação da Depma e pedido de arquivamento em Coqueiral de Itaparica
Durante o andamento do inquérito, a equipe da Delegacia Especializada de Proteção ao Meio Ambiente tomou o depoimento da autora da denúncia e do síndico do condomínio localizado em Coqueiral de Itaparica. Os policiais civis também recolheram e analisaram imagens de câmeras de segurança instaladas no entorno para tentar identificar movimentações atípicas ou possíveis agressões contra os animais que circulavam pelo local, mas nenhuma situação suspeita foi registrada nos vídeos.
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“Nossa equipe realizou diligências para apurar o caso, incluindo a oitiva dos envolvidos e a solicitação de imagens de câmeras de segurança. As diligências não confirmaram a suspeita inicial de envenenamento e não foram confirmados os 12 óbitos mencionados na denúncia. O laudo pericial, porém, refere-se especificamente à gata encontrada morta em agosto”, afirmou o delegado Marcelo Nolasco.
O titular da Depma detalhou o encerramento das buscas por suspeitos nesta etapa. “Os traumatismos identificados podem ter sido provocados por uma paulada ou até mesmo por uma queda. O animal pode, inclusive, ter sido atropelado. Não temos elementos que comprovem a ocorrência de um crime neste momento. Por isso, vamos concluir o procedimento com o pedido de arquivamento, que poderá ser reaberto caso surjam novas provas”, declarou Nolasco.
Denúncia de mortes de gatos comunitários em Vila Velha começou em agosto
O caso chegou ao conhecimento das autoridades no início de agosto de 2026, quando moradores de condomínios de Coqueiral de Itaparica procuraram a polícia após encontrarem animais sem vida ao longo dos meses anteriores. Uma equipe da Depma foi enviada ao endereço na época para fazer os primeiros levantamentos e recolher o corpo da gata submetida à perícia, que havia passado por um procedimento de castração poucos dias antes de morrer.
“Eram animais conhecidos, todos cuidavam deles. Colocávamos ração, água, além de castrá-los e vaciná-los com o próprio dinheiro. Eram muito bem cuidados. Estamos arrasados com a morte de tantos bichinhos”, disse uma moradora, sob condição de anonimato, na ocasião da denúncia.
Os registros oficiais e os levantamentos feitos desde o início da apuração em Vila Velha reúnem os seguintes números e datas:
- 12 gatos comunitários mortos foram relatados pelos moradores na denúncia inicial;
- 11 dessas mortes mencionadas pelos vizinhos não tiveram confirmação pela investigação policial;
- 2 mortes de gatos chegaram ao conhecimento oficial da Polícia Civil por meio de boletim de ocorrência e relato do condomínio em agosto de 2026;
- 30 moradores, aproximadamente, dividiam os custos de ração, água, vacinas e castração dos animais na região;
- 6 de agosto de 2026 foi a data em que a equipe da Depma esteve no condomínio para recolher o animal periciado;
- 20 de outubro de 2026 foi a data de divulgação do laudo pericial que descartou o envenenamento.
Com a entrega do laudo técnico pela Polícia Científica, a Delegacia Especializada de Proteção ao Meio Ambiente remeterá o pedido formal de arquivamento do procedimento, mantendo a possibilidade de reabertura do inquérito caso novas provas sejam apresentadas à Polícia Civil.
