O ex-gerente sênior de produção global da Capcom, Miguel E. Corti, afirmou no último domingo, 18 de outubro de 2026, que o jogo Resident Evil Code: Veronica teve um impacto negativo direto na franquia de terror. Em uma sequência de mensagens publicadas e posteriormente apagadas na rede social Bluesky, o executivo apontou que o título lançado em 2000 abriu caminho para a fase focada em ação exagerada vista em Resident Evil 5 e Resident Evil 6.
Para sustentar a avaliação sobre a mudança de rumo da série, o ex-integrante da desenvolvedora japonesa destacou o excesso de tramas e de ambientações reunidas no projeto original. “Há uma ligação direta entre CV e RE 5 e 6; CV é o jogo em que a série saiu dos trilhos ao tentar encaixar o máximo possível de cenários e enredos que um disco de Dreamcast pudesse comportar”, afirmou Corti.
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Divisão interna na Capcom sobre Resident Evil Code: Veronica
Nas publicações feitas na rede social, o ex-gerente relatou que o principal problema nos bastidores da empresa era a percepção positiva que as equipes internas mantinham sobre o título de 2000. Segundo Corti, muitos desenvolvedores da Capcom consideravam Resident Evil Code: Veronica o melhor jogo de toda a franquia no período anterior ao lançamento de Resident Evil 4, enquanto ele próprio argumentava de forma constante dentro do estúdio que Resident Evil 2 era uma obra superior. Essa preferência interna pelas características do jogo de Dreamcast acabou refletindo nas escolhas de produção dos capítulos seguintes da série.
Corti ponderou nas mensagens que não tinha a intenção de ofender o público que gosta do jogo clássico, mas reconheceu sua posição contrária ao projeto. “Sem querer desmerecer os fãs de CV, mas ver como ele teve um desenvolvimento negativo direto na franquia significa que sou bastante parcial contra ele. Levem meu viés com uma pitada de sal”, declarou o ex-gerente, em tradução livre.
Críticas à ação de Resident Evil Code: Veronica e ao vilão Albert Wesker
O ex-executivo detalhou elementos específicos do jogo de 2000 que, na avaliação dele, afastaram a obra do gênero de terror. Corti destacou que a cena de abertura cinematográfica de Resident Evil Code: Veronica funciona como um pastiche direto — uma imitação estilística — de filmes de ação como Duro de Matar (Die Hard) e de produções do diretor John Woo, sem apresentar elementos de horror.
Outro ponto criticado por Corti foi o tratamento dado pela história ao antagonista Albert Wesker. O ex-gerente afirmou que o título de Dreamcast aplicou um retcon — recurso narrativo que altera fatos já estabelecidos anteriormente na ficção — para desfazer a morte do personagem ocorrida no primeiro jogo da série. Com a mudança, Wesker foi transformado em um vilão recorrente que o próprio jogador não consegue derrotar de fato durante a campanha de Code: Veronica.
Bastidores da Capcom, vendas de Resident Evil 6 e cronologia da série
A transição para o foco em ação influenciou os lançamentos posteriores da produtora, passando por Resident Evil 4 — ambientado em uma única região, mas com múltiplos cenários e combate mais acentuado —, Resident Evil 5, situado na África, e Resident Evil 6, que dividiu a campanha em diferentes países e elencos. Na mesma sequência de postagens sobre os bastidores da empresa, Corti revelou que a diretoria da Capcom estava satisfeita com o desempenho comercial de Resident Evil 6, que alcançou a marca de cerca de 6 milhões de cópias vendidas no primeiro ano de mercado. Os desenvolvedores do estúdio, contudo, desejavam recuperar a aclamação da crítica especializada que jogos influenciados pela própria franquia, como The Last of Us, estavam recebendo na época, o que levou à reformulação vista em Resident Evil 7: Biohazard.
Lançado originalmente em fevereiro de 2000 para o console Sega Dreamcast, Resident Evil Code: Veronica tem sua história ambientada três meses após os eventos de Resident Evil 2. O jogo acompanha a protagonista Claire Redfield por diferentes cenários, que incluem uma prisão e um complexo militar na Ilha Rockfort, uma mansão e uma base localizada na Antártida. Já Miguel Corti trabalhou inicialmente com localização e tradução na produtora japonesa, participou da produção de Resident Evil 7 e chegou ao posto de gerente sênior de produção global antes de deixar a companhia.
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- Fevereiro de 2000: lançamento original de Resident Evil Code: Veronica para o console Sega Dreamcast.
- 2007: ano em que Miguel E. Corti ingressou no quadro de funcionários da Capcom.
- 2017: lançamento de Resident Evil 7: Biohazard, título que retomou o foco no terror de sobrevivência com cenários mais contidos.
- 18 de outubro de 2026: publicação das mensagens de Corti no Bluesky analisando os bastidores da franquia.
- 2027: janela prevista pela Capcom para a estreia da nova versão de Resident Evil Code: Veronica.
Remake de Resident Evil Code: Veronica tem lançamento previsto para 2027
Após o retorno ao terror com Resident Evil 7 em 2017, a franquia seguiu alternando propostas em títulos recentes, como a ação em diferentes cenários vista em Resident Evil Village e a dosagem entre terror e ação em Resident Evil Requiem. Agora, a empresa prepara o retorno do título de 2000 em uma nova versão.
O remake de Resident Evil Code: Veronica já foi anunciado oficialmente pela Capcom com versões confirmadas para PlayStation 5, Xbox Series X/S, Nintendo Switch 2 e PC. Embora a janela de lançamento esteja prevista para o ano de 2027, a data exata de estreia do jogo ainda não foi confirmada pela produtora.
