Um lucro líquido de US$ 4,4 bilhões marcou o balanço da SpaceX no terceiro trimestre de 2026, divulgado nesta terça-feira (20) em Starbase, no Texas, Estados Unidos. O resultado positivo reverte o prejuízo líquido registrado no mesmo intervalo de 2025 e representa o primeiro trimestre no azul desde que a companhia abriu capital na bolsa americana Nasdaq, em junho de 2026.
A receita consolidada da empresa subiu 161% na comparação anual, atingindo a marca de US$ 14,58 bilhões (US$ 14,6 bilhões no valor arredondado) no trimestre encerrado na quarta-feira, 30 de setembro de 2026. O diretor financeiro (CFO) da SpaceX, Bret Johnsen, comentou os números no documento oficial do balanço. “Entregamos outro trimestre forte no terceiro trimestre. A receita cresceu impressionantes 161% na comparação anual, impulsionada pelo ritmo contínuo em Conectividade e por uma clara inflexão em nosso negócio de Super Inteligência”, afirmou, em tradução livre.
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Super Inteligência assume liderança na receita da SpaceX com US$ 7,56 bilhões
Pela primeira vez na operação da empresa, a divisão de Super Inteligência — área que antes recebia o nome de Inteligência Artificial — superou o setor aeroespacial e o serviço de internet para se tornar a maior fonte de faturamento da SpaceX. O segmento gerou US$ 7,56 bilhões (US$ 7,6 bilhões arredondados) entre julho e setembro de 2026, o que representa um salto de 830% diante dos US$ 813 milhões contabilizados no terceiro trimestre de 2025. Esse avanço ocorreu devido à assinatura de contratos de computação em nuvem e ao aluguel de capacidade de centros de processamento de dados (data centers) para companhias de tecnologia como Google, Anthropic e Reflection AI, além do uso da ferramenta Grok.
A expansão dessa área tecnológica também incorporou os resultados da compra da empresa Cursor. Concluída em 14 de agosto de 2026 por um valor patrimonial implícito (estimativa do valor total das ações da empresa na negociação) de US$ 60 bilhões, a aquisição acrescentou US$ 608 milhões diretamente ao faturamento da divisão de Super Inteligência até o fechamento de setembro.
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Para sustentar a demanda de processamento de dados desses contratos, a companhia ampliou sua infraestrutura física e seus desembolsos financeiros. A capacidade computacional nominal da SpaceX chegou a 1,7 gigawatt (GW) no fim de setembro de 2026, superando a marca de 1,4 GW registrada no encerramento de junho. Os gastos de capital (capex, que são os investimentos em bens, máquinas e instalações) somaram US$ 19,6 bilhões no terceiro trimestre de 2026, contra US$ 6,9 bilhões um ano antes. Desse montante total investido no trimestre, US$ 16,4 bilhões foram aplicados diretamente na infraestrutura de inteligência artificial.
Starlink chega a 13,6 milhões de clientes e foguete Starship gera receita
A segunda maior contribuição financeira veio da divisão de Conectividade, puxada pelo serviço de internet via satélite Starlink. O setor registrou faturamento de US$ 5,2 bilhões no terceiro trimestre de 2026, uma elevação anual de 69%, enquanto o lucro operacional específico dessa unidade cresceu 99% e alcançou US$ 2,4 bilhões. A carteira de assinantes consumidores da Starlink ganhou 1,6 milhão de novos usuários no período de três meses, encerrando setembro com um total de 13,6 milhões de clientes ativos.
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No setor de Espaço, braço tradicional de transporte aeroespacial da empresa presidida por Gwynne Shotwell, a receita trimestral foi de US$ 1,77 bilhão, registrando uma alta de 6% sobre o mesmo período do ano anterior. O trimestre marcou um passo técnico e comercial para a operação de foguetes: a realização do primeiro lançamento gerador de receita do veículo espacial Starship. Na missão comercial, o equipamento colocou em órbita um lote de 26 satélites de nova geração do modelo Starlink V3.
Indicadores do balanço da SpaceX no 3º trimestre de 2026
O desempenho operacional da empresa fundada por Elon Musk superou as estimativas de mercado de Wall Street, com o lucro ajustado por ação (diluído) fechando em US$ 0,35. O relatório financeiro foi publicado após o fechamento do pregão e transmitido em conferência online (webcast). Os dados centrais do evento e os números operacionais do trimestre que não constam detalhados por divisão são os seguintes:
- Data e horário da divulgação: terça-feira, 20 de outubro de 2026, às 16h30 no horário do leste dos Estados Unidos (17h30 no horário de Brasília).
- Sede da apresentação e código de negociação: Starbase, Texas (Estados Unidos), com ações listadas na bolsa Nasdaq sob o código SPCX.
- Lucro operacional consolidado: US$ 2,8 bilhões no terceiro trimestre de 2026.
- Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização): US$ 8,8 bilhões no trimestre, um crescimento de 306% em um ano.
Comparação com o prejuízo da SpaceX em 2025 e após o IPO
Os números divulgados nesta semana contrastam com o histórico financeiro recente da companhia antes e logo depois de sua chegada à bolsa de valores. No terceiro trimestre de 2025, a SpaceX havia apurado uma receita total de US$ 5,6 bilhões, acompanhada de um prejuízo operacional de US$ 273 milhões e de um Ebitda ajustado de US$ 2,2 bilhões. Naquele mesmo intervalo de 2025, o resultado final havia sido negativo, com prejuízo líquido na faixa de US$ 1,05 bilhão a US$ 1,1 bilhão.
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Mesmo após realizar sua oferta pública inicial de ações (IPO, processo em que uma empresa passa a vender papéis na bolsa pela primeira vez) em junho de 2026, a empresa ainda não havia entregado lucro aos investidores. No balanço do segundo trimestre de 2026 — o primeiro relatório apresentado como companhia aberta, divulgado em agosto de 2026, a SpaceX havia contabilizado um prejuízo de US$ 541 milhões.
Elon Musk anuncia comitês para estudar fusão entre SpaceX e Tesla
Durante a apresentação dos resultados trimestrais, o diretor-executivo (CEO) da SpaceX e da montadora de veículos elétricos Tesla, Elon Musk, revelou que as duas companhias criaram comitês especiais independentes. O objetivo dos grupos de trabalho é avaliar a viabilidade de uma fusão corporativa entre ambas as empresas.
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Musk defendeu a união das operações diante do avanço dos sistemas computacionais da empresa espacial. “Há muitas vantagens em combinar as duas empresas, já que estamos praticamente na singularidade da superinteligência”, declarou o executivo. Apesar de demonstrar interesse no negócio, o empresário condicionou o avanço das tratativas à aprovação do mercado. “Acho que seria uma boa ideia, mas, em última análise, os acionistas precisam apoiar a operação”, disse Musk.
