Usuários usam o agente de IA Claude Code para limpar Smart TVs

Inteligência Artificial, Computação Quântica

Inteligência Artificial, Computação Quântica - Summit Art Creations/ Shutterstock.com

Consumidores e desenvolvedores sem experiência em programação tradicional passaram a usar o agente de inteligência artificial Claude Code, da Anthropic, para desativar anúncios, rastreadores e aplicativos de fábrica em Smart TVs. A tendência ganhou força na internet no sábado (17) e permite limpar o sistema operacional de televisores com Android TV e Google TV por meio da rede Wi-Fi, além de contar com adaptações para outros aparelhos.

O método aplica também ferramentas como o ChatGPT Codex para executar comandos gerados pela IA que deixam a navegação mais rápida e alteram o visual do aparelho. “É assim que a TV se move rápido agora que o Claude deletou todos os aplicativos inúteis e lentos que vêm com ela”, afirmou o desenvolvedor Ryan Doyle, em tradução livre, ao demonstrar o ganho de velocidade do seu televisor em publicação na rede social X.

Programação intuitiva com Claude Code dispensa o uso de cabos

televisão – Zuyeu Uladzimir/Shutterstock.com

A modificação dos televisores ocorre por meio de uma prática conhecida como vibe coding, termo que se popularizou em 2025 para definir o desenvolvimento de software em que o usuário descreve em linguagem natural o que deseja a um chatbot de IA, encarregado de gerar e executar o código. No caso dos aparelhos de televisão, o procedimento técnico não altera o código-fonte do sistema operacional nem exige acesso à raiz do dispositivo (root) ou conexão por cabos físicos. Toda a comunicação entre o computador e a TV é feita pela mesma rede sem fio, utilizando a ponte de depuração do Android (Android Debug Bridge, ou ADB), uma ferramenta oficial que permite gerenciar pacotes de software remotamente.

Para que o agente de inteligência artificial consiga localizar o televisor na rede doméstica e aplicar as alterações, o proprietário realiza etapas de configuração e personalização diretamente no sistema:

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  • Habilitação do modo de desenvolvedor no menu de configurações da Android TV mediante 7 cliques seguidos sobre a opção de número da versão (Build).
  • Ativação da chave de depuração via rede para permitir o envio de comandos entre o computador e o televisor pelo Wi-Fi.
  • Desativação de serviços em segundo plano e de pacotes de software pré-instalados (bloatware), sem apagar os arquivos de forma definitiva, mantendo a possibilidade de reverter o processo com um script de restauração.
  • Substituição da interface original por programas de tela inicial (launchers) minimalistas, com visual semelhante ao da Apple TV, e remoção de recomendações de programas recentes.
  • Criação de funções próprias programadas pela IA, incluindo protetores de tela personalizados que exibem agenda, previsão do tempo e dados de faturamento.

Projetos de código aberto no GitHub reúnem configurações para Smart TVs

O movimento nas redes sociais levou à criação de repositórios colaborativos na plataforma GitHub para organizar os comandos gerados pelos assistentes de inteligência artificial. Um dos principais projetos foi iniciado pelo desenvolvedor Gathin T. após intervir no televisor da família. “Fiz programação intuitiva na TV dos meus pais nesta tarde. Ela estava mostrando um anúncio patrocinado antes mesmo de você conseguir chegar à Netflix. Dei ao Claude Code o número do modelo, ele encontrou a TV no Wi-Fi, removeu 25 pacotes da Xiaomi e escreveu um novo inicializador. Parece uma Apple TV agora”, declarou Gathin T., em tradução livre.

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No Brasil, a prática também ganhou visibilidade a partir do relato de um usuário no X que utilizou o modo de depuração com o auxílio do Claude para limpar a interface do seu televisor; os detalhes específicos sobre a marca e o modelo do aparelho utilizado nesse caso brasileiro ainda não foram confirmados.

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Com a adesão de novos usuários ao longo dos últimos meses, diferentes iniciativas de código aberto e testes técnicos estabeleceram marcos para a remoção de publicidade em televisores:

  • 27 de agosto de 2026: o engenheiro sênior de IA no Refik Anadol Studio, Mert Cobanov, publicou um dos primeiros relatos de sucesso ao usar o Claude Code via ADB para desativar aplicativos, encurtar animações e instalar o programa FLauncher em uma Android TV de quatro anos de uso, deixando o aparelho mais rápido do que quando era novo.
  • 19 de outubro de 2026: o repositório criado por Gathin T., originalmente chamado de tv-vibehack, foi renomeado para cleanyourtv e passou a listar configurações testadas em 107 modelos de TV de 37 marcas, reunindo ainda adaptações separadas para televisores da LG com sistema webOS e para dispositivos Amazon Fire TV.
  • Repositório dumbtv: projeto colaborativo focado em remover anúncios, coleta de telemetria e a assistente virtual Alexa em aparelhos como o Amazon Fire TV.
  • Repositório TV Detox: ferramenta de código aberto criada pelo youtuber e desenvolvedor Ansub Khan durante a expansão da tendência.

Bloqueio de rastreamento de imagem na Smart TV e ação judicial nos EUA

Além de liberar memória e eliminar propagandas da tela inicial, os comandos enviados pelos agentes de IA são empregados pelos consumidores para interromper sistemas de telemetria e de Reconhecimento Automático de Conteúdo (ACR, na sigla em inglês). Essa tecnologia monitora continuamente o que é exibido no painel da televisão para coletar dados de hábitos de visualização e direcionar publicidade. “Sua TV deve fazer aquilo pelo que você pagou: seus aplicativos, suas entradas HDMI e nada mais. Sem anúncios da própria TV, sem rastreamento de visualização, sem atualização que você não pediu”, informa a descrição oficial do projeto dumbtv no GitHub, em tradução livre.

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A coleta de informações por meio desses recursos nativos de fábrica tornou-se alvo de disputas legais nos Estados Unidos. Em dezembro de 2025, o estado norte-americano do Texas abriu processos judiciais contra as fabricantes Sony, Samsung, LG, Hisense e TCL pelo uso de softwares de ACR para venda de anúncios direcionados. De acordo com a ação movida pelas autoridades texanas, esses sistemas de monitoramento são capazes de capturar imagens da tela do consumidor a cada 500 milissegundos, o que equivale a duas capturas por segundo.

Quais são os riscos de modificar o sistema da Smart TV com IA?

O uso de inteligência artificial para desativar componentes do sistema operacional é um processo experimental que apresenta riscos de funcionamento para o equipamento. Erros nos comandos gerados pelo chatbot ou a desativação acidental de pacotes críticos para o software podem travar a inicialização do aparelho, inutilizando o sistema (problema técnico conhecido como brick). Os relatos de usuários apontam ainda que a intervenção pode desativar o funcionamento do botão Home do controle remoto, interromper a ferramenta de busca por voz (“Ok Google”) e bloquear o recebimento de atualizações de segurança fornecidas pelo fabricante, além de casos em que o Claude não conseguiu concluir a tarefa solicitada.

No repositório do projeto cleanyourtv, o proprietário de um televisor Sony Bravia, modelo KD-55X74K, registrou que o equipamento travou durante a inicialização após a execução dos comandos. O incidente exigiu a restauração completa das configurações de fábrica do televisor e levou o mantenedor do código aberto a modificar o instalador da ferramenta para evitar novas falhas.

Jeronimo Santos: Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing