A Prefeitura de Caxias do Sul e o Ministério de Portos e Aeroportos assinaram as autorizações para o início das obras do Aeroporto da Serra Gaúcha em 21 de outubro de 2026. O termo de compromisso entre a União e o município prevê investimento global de R$ 200,6 milhões no novo terminal, localizado no distrito de Vila Oliva, com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac), fundo público federal destinado ao desenvolvimento do setor aéreo.
Um dia antes, na terça-feira (20), o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, apresentou o traçado oficial da nova rodovia ERS-466, orçada em R$ 288 milhões (valores de referência de janeiro de 2026), que dará acesso ao futuro terminal e ligará a Rota do Sol ao município de Canela. “A Serra Gaúcha reúne uma indústria que atende mercados de todo o país e destinos turísticos que recebem visitantes de diferentes regiões. O acesso ao novo aeroporto precisa estar integrado a essa dinâmica, facilitando tanto a chegada de passageiros quanto o transporte de cargas. Ao definir essa ligação, damos um passo para aproximar o futuro terminal dos municípios e das atividades que ele deverá atender”, afirmou o secretário estadual de Logística e Transportes do Rio Grande do Sul (Selt), Clóvis Magalhães.
Estrutura da primeira etapa do Aeroporto da Serra Gaúcha
A solenidade de assinatura da ordem de serviço para a primeira etapa das obras, correspondente ao chamado Lado Ar (área restrita à operação das aeronaves), ocorreu no palco principal da 35ª Mercopar, realizada nos Pavilhões do Parque de Eventos da Festa da Uva, em Caxias do Sul. O documento contou com a presença do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, do secretário nacional de Aviação Civil, Daniel Longo, do prefeito de Caxias do Sul, Adiló Didomenico, do vice-prefeito Edson Néspolo e do representante do Consórcio Serra Gaúcha – Vila Oliva, Márcio Brites.
O Consórcio Serra Gaúcha – Vila Oliva, liderado pela empresa Terracom Construções Ltda, de Cubatão (SP), e integrado pelas companhias RGS Engenharia S.A. e Talude Construções S.A., executará os trabalhos iniciais na Estrada Municipal Geraldo D’Agostini, após a assinatura do contrato pelo município na sexta-feira, 3 de julho de 2026. Essa primeira fase do projeto abrange serviços de terraplanagem, sistemas de drenagem, instalação de equipamentos de auxílio à navegação aérea, pista de taxiamento e construção de uma pista de pouso e decolagem com 1.930 metros de comprimento por 45 metros de largura, planejada com possibilidade de ampliação futura para até 2.200 metros.
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O projeto executivo do terminal prevê ainda um pátio de aeronaves com mais de 31 mil metros quadrados, capacidade para oito posições de parada e um estacionamento externo para cerca de 500 veículos. A estrutura da pista foi dimensionada para receber aviões comerciais a jato de médio porte, incluindo os modelos Boeing 737 MAX 8, Airbus A320neo, Airbus A321neo e Embraer E195-E2.
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Traçado da rodovia ERS-466 pela Estrada do Juá
A definição do acesso rodoviário ao terminal ocorreu também durante a 35ª Mercopar, com a divulgação do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), levantamento que avalia o custo, o retorno financeiro e o impacto ambiental de uma obra pública. O estudo foi elaborado pelo Consórcio Rodovias RS, acompanhado pela Secretaria de Logística e Transportes (Selt) e aceito em setembro de 2026 pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), órgão estadual responsável pela gestão das rodovias gaúchas.
O traçado escolhido para a futura ERS-466 segue pela Estrada do Juá até o entroncamento com a rodovia ERS-235, em Canela. A nova via terá uma plataforma pavimentada de 12,2 metros de largura total, dividida em duas faixas de tráfego de 3,6 metros cada e acostamentos laterais de 2,5 metros. O estudo técnico projeta um retorno econômico de R$ 1,63 em benefícios diretos e indiretos — calculados a partir da redução do tempo e dos custos de viagem e dos efeitos sobre a produção e o emprego — para cada R$ 1 investido na estrada.
A escolha pela Estrada do Juá superou outras duas alternativas analisadas pelo governo estadual, que passavam pelos corredores de Tunas Baixa e Tunas Altas, devido ao menor orçamento de implantação, à menor necessidade de corte de vegetação nativa e à topografia com curvas e rampas mais suaves. “As duas alternativas pelo vale do Rio Caí exigiriam uma ponte de 1.080 metros. Pelo Juá, o percurso prevê três pontes menores, que, juntas, somam 360 metros. Essa diferença, associada às curvas e rampas mais suaves, favoreceu a escolha de um caminho com menor custo de implantação e melhores condições para o tráfego”, declarou o diretor-geral do Daer, Luciano Faustino.
Dados técnicos e valores da ERS-466 e das rotas descartadas
O projeto rodoviário e a comparação técnica entre os três corredores avaliados pelo governo do Rio Grande do Sul reúnem os seguintes números e especificações:
- Custo estimado da ERS-466 pela Estrada do Juá: R$ 288 milhões (base de janeiro de 2026).
- Extensão total das intervenções na Estrada do Juá: 46 quilômetros, sendo 41 quilômetros de ligação entre a Rota do Sol e a ERS-235, em Canela, e 5 quilômetros de acesso direto ao Aeroporto da Serra Gaúcha.
- Obras de arte e meio ambiente no traçado escolhido: três pontes que somam 360 metros de extensão, 49 passagens de fauna e supressão estimada de cerca de 9 hectares de mata nativa.
- Tempo estimado de viagem para veículos leves: 48 minutos entre o futuro aeroporto e o entroncamento da Estrada do Caracol com a ERS-235, em Canela, e 47 minutos a partir da Rota do Sol.
- Alternativa descartada por Tunas Baixa: custo estimado de R$ 499 milhões, extensão de 50,5 quilômetros, ponte de 1.080 metros sobre o vale do Rio Caí e supressão de 24 hectares de mata nativa.
- Alternativa descartada por Tunas Altas: custo estimado de R$ 517 milhões, extensão de 50,2 quilômetros, ponte de 1.080 metros sobre o vale do Rio Caí e supressão de 27 hectares de mata nativa.
Quando a rodovia ERS-466 do Aeroporto da Serra Gaúcha ficará pronta?
O projeto do Aeroporto da Serra Gaúcha em Vila Oliva é discutido há mais de 20 anos por lideranças e governos da região. A obra tem o objetivo de superar as limitações físicas de expansão do atual Aeroporto Regional Hugo Cantergiani, em Caxias do Sul, além de funcionar como alternativa logística ao Aeroporto Internacional Salgado Filho, localizado em Porto Alegre.
As datas exatas de início e de entrega das obras da rodovia ERS-466 ainda não estão confirmadas. O avanço das máquinas na estrada depende da entrega do anteprojeto da via, prevista para ocorrer até o fim de 2026. Após essa etapa, o governo do Rio Grande do Sul precisará concluir o processo de licenciamento ambiental, elaborar o projeto executivo e realizar a licitação para contratar a construtora, com prazo de execução das obras estimado em 36 meses a partir do início efetivo dos trabalhos.
