A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra relatou ter sofrido ameaça de morte e intolerância religiosa dentro da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. A denúncia foi divulgada na noite de quarta-feira (21) por sua irmã e advogada, Daniele Bezerra, que acionou a Polícia Civil de São Paulo e a Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) para investigar a conduta de agentes penitenciárias da unidade.
Em pronunciamento publicado nos stories do Instagram, Daniele Bezerra confirmou o ocorrido no Pavilhão Especial do presídio. “Sim, é verdade que minha irmã e cliente, Deolane Bezerra, me relatou ter sofrido uma ameaça de morte, acompanhada de manifestações de intolerância religiosa”, declarou a advogada.
Cronologia das denúncias de Daniele Bezerra à Polícia Civil
Segundo o relato da defesa, os episódios contra a influenciadora envolveram funcionárias da unidade prisional no fim do mês passado. Após tomar conhecimento do caso, a representante legal iniciou uma série de medidas formais junto aos órgãos de segurança e de fiscalização do sistema carcerário paulista.
- 21 de maio de 2026: detenção preventiva de Deolane Bezerra em Barueri (SP).
- 30 de setembro de 2026: data dos episódios de ameaça de morte e intolerância religiosa na penitenciária.
- 1º de outubro de 2026: registro do boletim de ocorrência na delegacia por Daniele Bezerra.
- 16 de outubro de 2026: comparecimento de Daniele Bezerra à Polícia Civil para prestar depoimento formal.
- 21 de outubro de 2026: divulgação do termo de declarações, pronunciamento nas redes sociais e negativa de dois recursos no STJ.
“Esclareço, porém, que os fatos não ocorreram hoje, mas no dia 30 de setembro. No dia 1/10, procurei a delegacia e registrei um boletim de ocorrência. Também encaminhei e-mail à direção da unidade prisional, e a equipe jurídica peticionou ao juiz corregedor e a Comissão de Prerrogativas da OAB/SP foi devidamente informada. No dia 16/10, compareci novamente à delegacia para prestar depoimento”, afirmou Daniele Bezerra.
Acompanhe: Tribunal de Justiça de São Paulo rejeita novo pedido de habeas corpus de Deolane Bezerra
Ainda não há confirmação sobre os resultados da investigação policial ou sobre a abertura de procedimento disciplinar oficial para apurar as denúncias. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) de São Paulo e a direção da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista também não divulgaram posicionamento oficial sobre o relato. “Fiz tudo o que estava ao meu alcance, como irmã e advogada, para proteger sua vida, sua integridade física e sua dignidade. Agora, aguardo a devida apuração dos fatos e a adoção das providências cabíveis”, acrescentou a defensora.
STJ nega habeas corpus a Deolane Bezerra após 150 dias de prisão
No mesmo dia em que a denúncia veio a público, o ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), recusou dois pedidos de habeas corpus (recurso judicial usado para garantir a liberdade de locomoção) apresentados pela defesa de Deolane Bezerra
. Os pedidos contestavam a manutenção da prisão preventiva e solicitavam a transferência da advogada para uma Sala de Estado-Maior — espaço sem grades reservado a profissionais com prerrogativa legal — ou a conversão da medida em prisão domiciliar.Leia também: Deolane Bezerra enfrenta crises de pânico e pratos sujos na prisão, relata irmã
Nas redes sociais, Daniele Bezerra comparou a situação da irmã ao caso de um advogado custodiado no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos, que obteve o direito à prisão domiciliar justamente pela falta de uma Sala de Estado-Maior na unidade. “Qual é a régua utilizada para que Deolane não tenha reconhecido o mesmo direito? Por que, para ela, tudo parece ser mais difícil? Por que seus pedidos são reiteradamente negados? Por que precisa suportar os efeitos de uma prisão cautelar que, diante de sua duração, nos faz questionar se não está assumindo contornos de antecipação de pena?”, declarou.
A defensora também criticou a suspensão do processo e a dificuldade de acesso aos autos após cinco meses de detenção. “Deolane nunca havia sequer havia respondido a uma denúncia criminal antes de toda essa situação. São mais de 150 dias presa, com o processo suspenso, porque a defesa precisa a todo momento implorar por acesso às provas. Não vou me calar diante daquilo que considero uma injustiça. Antes de qualquer coisa, sou irmã. Mas também sou advogada e continuarei lutando, dentro da lei, para que seus direitos sejam respeitados”, afirmou Daniele Bezerra.
Prisão de Deolane Bezerra na Operação Vérnix completa cinco meses
A influenciadora digital cumpre prisão preventiva desde a Operação Vérnix, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Polícia Civil paulista. A investigação e a denúncia do Ministério Público apuram suspeitas de organização criminosa e lavagem de dinheiro para o núcleo financeiro ligado à facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
A defesa de Deolane Bezerra nega todas as acusações feitas pelos investigadores. Em setembro de 2026, em uma carta enviada à mãe a partir da unidade prisional de Tupi Paulista, a advogada declarou considerar falsas as imputações, disse estar bem na prisão e afirmou permanecer firme na fé.
