Electronic Arts fecha BioWare e demite 400 em vários estúdios

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eletronic arts - Rick Neves / Shutterstock.com Foto: eletronic arts - Rick Neves / Shutterstock.com

Cerca de 400 funcionários da Electronic Arts foram demitidos em uma reestruturação que fechou o estúdio BioWare e atingiu outras cinco desenvolvedoras subsidiárias entre quarta-feira (21) e quinta-feira (22). O corte representa aproximadamente 3% da força de trabalho global da publicadora norte-americana sediada em Redwood City, na Califórnia, e resultou no encerramento do escritório da BioWare em Edmonton, no Canadá, além do cancelamento do próximo jogo da franquia Mass Effect.

O anúncio inicial ocorreu por meio de um memorando interno enviado aos trabalhadores na quarta-feira, 21 de outubro de 2026, assinado pelo presidente e diretor de estúdios (Chief Studios Officer) da Electronic Arts, Cam Weber, e pelo presidente e diretor de operações (COO), David Tinson. No documento, os executivos comentaram o fim da desenvolvedora canadense. “A BioWare é um estúdio lendário que ajudou a definir o gênero de RPG, e não tomamos essa decisão de forma leviana”, afirmaram Weber e Tinson, em tradução livre.

Estúdios e profissionais atingidos pelos cortes na Electronic Arts

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Foto: eletronic arts – gguy/Shutterstock.com

Dos cerca de 400 desligamentos promovidos pela empresa, aproximadamente 50 ocorreram diretamente com o fechamento da BioWare. Os outros 350 cortes foram distribuídos entre os estúdios Maxis (responsável por The Sims), Respawn Entertainment (de Apex Legends e Star Wars Jedi), EA Motive (desenvolvedora de Marvel’s Iron Man), Full Circle (criadora de Skate) e Ripple Effect (estúdio de suporte da franquia Battlefield). A Electronic Arts não divulgou o número exato de demitidos separadamente em cada uma dessas cinco equipes.

A confirmação de que a reestruturação se espalhou pelas demais subsidiárias veio a público nesta quinta-feira (22), quando profissionais afetados começaram a relatar as saídas em perfis no LinkedIn. Entre os desligados estão diretores criativos, designers de jogabilidade, gerentes de produto e artistas conceituais de diferentes projetos. A ex-diretora criativa sênior de The Sims na Maxis, Anna Huerta, lamentou o encerramento do vínculo profissional com a empresa. “Após algumas conquistas incríveis na EA, meu cargo como Diretora Criativa Sênior de The Sims foi impactado pela reestruturação de hoje. Estou incrivelmente triste por não poder continuar trabalhando ao lado de pessoas tão talentosas em projetos com os quais nos importamos tão profundamente, mas estou ansiosa pelo que vier a seguir”, declarou Huerta na rede social.

Além da executiva da Maxis, outros nove desenvolvedores confirmaram publicamente a saída da Electronic Arts nesta rodada de demissões:

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  • Jamieson Shearer: ex-designer sênior de gameplay na EA Motive;
  • Brandon Le: ex-artista conceitual na EA Motive;
  • Catheryn Grant: ex-gerente de produto de operações com atuação na Ripple Effect e na Respawn Entertainment;
  • Randall Wong: ex-gerente de projetos de experiência do usuário (UX) na Respawn Entertainment;
  • David Milne: ex-designer sênior na Full Circle;
  • John Epler: ex-diretor criativo sazonal na Full Circle, com passagem anterior pela própria BioWare;
  • Brandon Garcia, Corey Thomas e Turner Spring: artistas que integravam a equipe da Ripple Effect.

O que muda nos jogos da Electronic Arts após as demissões?

A redução de pessoal alterou o cronograma e a alocação de equipes em grandes franquias da publicadora. O novo título da série Mass Effect, que estava em estágio inicial de desenvolvimento na BioWare, foi cancelado. Na Maxis, a direção da Electronic Arts pausou a produção de um jogo não anunciado da franquia The Sims, identificado internamente pelo codinome Project Lotus, para concentrar os recursos em outro projeto da mesma série chamado Project Evergreen.

Na Full Circle, responsável pelo reboot da série Skate — cujo título, estilizado como skate., entrou em acesso antecipado em setembro de 2025 —, a equipe foi reduzida para um grupo menor, com o objetivo de manter a operação do jogo a longo prazo. Por outro lado, o memorando de Cam Weber e David Tinson garantiu a manutenção de investimentos pesados em Apex Legends, na franquia Battlefield, nos títulos esportivos como EA Sports FC, na sequência de Star Wars Jedi (na Respawn) e no jogo Marvel’s Iron Man (na EA Motive). O comunicado também revelou que a Respawn e o estúdio DICE vão trabalhar juntos em um novo jogo de tiro.

Números da operação financeira e dos cortes na Electronic Arts

A reestruturação nos estúdios é a primeira desde que a companhia fechou o capital na bolsa de valores, em agosto de 2026, após uma compra alavancada (leveraged buyout, operação em que a aquisição é financiada majoritariamente por dívida) liderada pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), em consórcio com as gestoras Silver Lake e Affinity Partners. Os números da transação e do ajuste operacional mostram o tamanho do corte de gastos exigido no balanço da empresa:

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  • Valor total da compra para fechamento de capital em agosto de 2026: US$ 55 bilhões;
  • Meta de economia anual de custos prometida aos investidores da dívida: US$ 700 milhões por ano, sendo US$ 170 milhões especificamente em eficiências organizacionais;
  • Total de trabalhadores desligados em outubro de 2026: cerca de 400 profissionais (3% do quadro global);
  • Divisão das demissões: cerca de 50 cargos encerrados na BioWare e aproximadamente 350 vagas cortadas somando Maxis, Respawn, EA Motive, Full Circle e Ripple Effect;
  • Sedes administrativas envolvidas na decisão: Redwood City (Califórnia, Estados Unidos) e Edmonton (Alberta, Canadá).

Histórico da BioWare e metas da direção da Electronic Arts

Fundada em 1995 e comprada pela Electronic Arts em 2007, a BioWare enfrentava dificuldades financeiras e operacionais nos últimos anos. O estúdio acumulou o fracasso comercial de Anthem e o desempenho de vendas abaixo da meta estipulada para Dragon Age: The Veilguard, lançado em 2024. O resultado de Dragon Age já havia motivado uma rodada severa de demissões na desenvolvedora canadense ao longo de 2025, culminando agora no fechamento definitivo de suas portas.

Ao justificar as mudanças estruturais para o restante da companhia, Cam Weber e David Tinson afirmaram que a empresa precisa buscar novos formatos de negócio diante da concorrência no setor de jogos eletrônicos. “Hoje, somos a publicadora número um em jogos HD ocidentais. Essa é uma posição extraordinária para liderar, e da qual devemos nos orgulhar. No entanto, nossa indústria está mudando rapidamente. Os jogadores têm mais opções do que nunca para seu tempo e atenção, a competição está se intensificando e algumas de nossas maiores oportunidades de crescimento estão além dos mercados, plataformas e modelos de negócios onde a EA tradicionalmente tem sido mais forte”, declararam os dois executivos no memorando interno.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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