As disputas pelo controle de grandes propriedades rurais e a sucessão dentro de clãs tradicionais conectam a série norte-americana Yellowstone e a produção australiana Territory, lançada em outubro de 2024. Enquanto a trama consolidada na televisão dos Estados Unidos acompanha as tensões de poder e terra no coração do Oeste Americano, a obra da Austrália apresenta conflitos semelhantes de herança familiar adaptados para a realidade geográfica e cultural da Oceania. As duas narrativas colocam famílias proprietárias de terras no centro de batalhas pela manutenção de seus territórios diante de rivais externos e divisões internas, diferenciando-se pelo contraste direto entre a área rural do estado de Montana, nos Estados Unidos, e o interior árido do outback australiano.
Geografia de Montana e do Parque Nacional Kakadu nas gravações
A trama de Yellowstone tem como palco principal o estado norte-americano de Montana, onde está localizado o Rancho Yellowstone, propriedade controlada pela família Dutton. Nessa região, os proprietários precisam defender suas fronteiras contra o avanço de desenvolvedores imobiliários e as reivindicações de grupos indígenas locais sobre a área. A geografia montanhosa e o ambiente rural de Montana funcionam como parte ativa do roteiro, representando fisicamente o território que motiva os confrontos pela preservação e pelo domínio das terras.
Em contrapartida, a narrativa de Territory transfere a ação para o território desolado da Austrália, concentrando seus episódios na região do Northern Territory e nas terras da remota Estação Marianne, descrita na trama como a maior fazenda de gado do mundo. O interior australiano apresenta uma topografia árida e isolada que impõe condições severas aos moradores e trabalhadores da propriedade. As gravações da produção utilizam áreas reais como o Parque Nacional Kakadu, local reconhecido como patrimônio mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), inserindo na fotografia da série a presença histórica das populações indígenas da região em um grau mais aprofundado do que o visto na produção norte-americana.
O trabalho de fotografia das duas obras explora a amplitude horizontal de suas locações para dimensionar o tamanho dos impérios agrários em jogo. No entanto, a diferença visual entre os campos verdes de Montana e o solo seco do outback estabelece atmosferas distintas para retratar a mesma temática de poder e posse fundiária.
Crises de herança entre os clãs Dutton e Lawson
A definição de quem herdará o comando dos negócios agropecuários move o roteiro das duas produções televisivas. Nos episódios de Yellowstone, o patriarca John Dutton lidera o clã familiar enquanto tenta conter ameaças que vêm tanto de fora da propriedade quanto do próprio círculo íntimo para evitar a perda do rancho. O desgaste contínuo na convivência entre os filhos de John Dutton, que divergem sobre os métodos de administração da fazenda, alimenta a tensão dramática da história.
Na versão australiana, o foco recai sobre os conflitos internos da família Lawson após a Estação Marianne ficar sem um sucessor definido para assumir a gestão dos negócios. Essa lacuna de comando abre espaço para a investida de grupos rivais, que incluem barões do gado, gangsters que atuam no deserto e magnatas bilionários interessados em tomar o controle da propriedade. Dentro de casa, o choque de gerações envolve diretamente Graham Lawson, um potencial herdeiro do império que precisa lidar com problemas pessoais e com o desgaste na relação com o pai e os irmãos, reproduzindo a estrutura de rivalidade familiar dos Duttons sob os costumes do meio rural da Austrália.
Elenco liderado por Kevin Costner, Robert Taylor e Anna Torv
A condução da história em Yellowstone apoia-se na presença do patriarca John Dutton, papel desempenhado pelo ator Kevin Costner, cuja autoridade sobre os negócios dita o andamento dos acontecimentos no rancho. Ao redor do personagem central, os filhos do fazendeiro exibem ambições próprias e visões conflitantes, formando o núcleo de disputas que sustenta a narrativa ao longo das temporadas.
No lado australiano, o comando familiar em Territory cabe a Colin Lawson, personagem vivido pelo ator Robert Taylor, que assume uma posição de poder equivalente à de John Dutton à frente da maior propriedade pecuária do país. A situação de Colin Lawson, contudo, é agravada pela morte de seu filho Daniel, fato que desencadeia a crise de incerteza sobre o futuro administrativo da Estação Marianne. O núcleo principal da produção na Austrália reúne ainda a atriz Anna Torv
no papel de Emily Lawson e o ator Michael Dorman na interpretação de Graham Lawson, compondo o grupo de parentes que disputam espaço e autoridade dentro da fazenda.Confira também: Faroeste "Horizon" de Kevin Costner reverte fracasso nos cinemas e lidera no Prime Video
- John Dutton (interpretado por Kevin Costner): patriarca à frente do Rancho Yellowstone, no estado de Montana, nos Estados Unidos.
- Colin Lawson (interpretado por Robert Taylor): comandante da Estação Marianne, no Northern Territory, na Austrália.
- Daniel Lawson: filho de Colin Lawson cuja morte deixa a fazenda australiana sem um sucessor imediato.
- Emily Lawson (interpretada por Anna Torv): integrante da família Lawson envolvida na disputa pelo poder na Estação Marianne.
- Graham Lawson (interpretado por Michael Dorman): herdeiro em potencial que enfrenta conflitos diretos com o pai e os irmãos na Austrália.
- Líder indígena (interpretado por Hamilton Morris): representante das nações originárias nas disputas territoriais da trama australiana.
Participação de povos originários e direitos sobre a terra
A relação com as populações nativas recebe tratamentos distintos nos dois roteiros, embora ambas as tramas incluam a questão da posse ancestral. Em Yellowstone, os embates e acordos entre a família Dutton e as tribos indígenas de Montana aparecem como um dos elementos que compõem a disputa geral pelas fronteiras da região. Já a produção Territory coloca os povos indígenas australianos no centro das decisões políticas e territoriais que cercam a Estação Marianne. O elenco conta com a participação do ator Hamilton Morris na interpretação de um líder indígena que atua diretamente nos impasses sobre o uso da terra, expondo o histórico de tensões entre os colonizadores e as nações originárias da Austrália e tratando de temas de soberania de forma específica à realidade do país.
Diferenças na quantidade de episódios e produções derivadas
Ambas as obras se enquadram no gênero neo-ocidental, utilizando os códigos clássicos das histórias de fronteira para tratar de disputas patrimoniais contemporâneas. A série Yellowstone segue o padrão da indústria televisiva dos Estados Unidos, estruturando suas temporadas com cerca de 10 episódios ou mais para desenvolver os arcos dramáticos de longo prazo. Esse modelo permitiu que a franquia norte-americana se expandisse para outras produções derivadas, como as séries 1883 e 1923, que recuam no tempo para contar a origem e a trajetória de gerações passadas da própria família Dutton.
Em caminho oposto, Territory adota uma estrutura mais curta, fechando sua primeira temporada com um total de seis episódios. Com menos tempo de tela disponível, o roteiro australiano concentra o desenvolvimento das intrigas familiares e das investidas dos rivais em um ritmo direto, sem estender as subtramas pelo mesmo número de capítulos utilizado na produção estrelada por Kevin Costner.
Recepção da crítica e alcance das produções no mercado global
Ao longo de sua exibição, Yellowstone consolidou-se na televisão contemporânea ao atrair público para a mistura de drama familiar, disputas agrárias e retratos do Oeste dos Estados Unidos, gerando um universo próprio de séries derivadas que influenciaram outras obras do mesmo gênero. A chegada de Territory ao catálogo de lançamentos de outubro de 2024 fez com que a produção passasse a ser classificada no mercado audiovisual como a resposta australiana ao sucesso norte-americano. A reunião de nomes conhecidos do público, como Anna Torv, Robert Taylor e Michael Dorman, somada à abordagem das questões indígenas no Parque Nacional Kakadu e no Northern Territory, posiciona a obra de seis episódios na disputa pela atenção da audiência internacional que acompanha dramas sobre impérios rurais.
