A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), entregou 184 drones de alta tecnologia nesta sexta-feira (23), em solenidade no Gama, no Distrito Federal. Adquiridos pelo valor total de R$ 6,3 milhões, os equipamentos vão reforçar o enfrentamento ao crime organizado e o policiamento preventivo nas 27 Unidades da Federação.
As aeronaves passam a integrar projetos estratégicos de inteligência policial, operações conjuntas com os estados e ações da Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres (Respad), frente federal voltada a emergências. Durante a cerimônia no Distrito Federal, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou que a compra responde ao avanço tecnológico das facções. “As organizações criminosas utilizam recursos tecnológicos, ultrapassam fronteiras estaduais e se adaptam constantemente. Por isso, precisamos fortalecer a capacidade de resposta das nossas forças de segurança, oferecendo equipamentos modernos e melhores condições de atuação”, disse o ministro.
Quais modelos de drones o Ministério da Justiça comprou por R$ 6,3 milhões?
O pacote entregue pela Senasp reúne dois tipos de equipamentos da fabricante DJI, escolhidos para cumprir funções distintas de vigilância aérea, localização de pessoas e acompanhamento de alvos em áreas de risco, reduzindo a exposição direta dos agentes de segurança em solo durante incursões e investigações complexas. O lote maior é composto pelo modelo corporativo multissensores DJI Matrice 4T, voltado a operações noturnas e de longa duração, enquanto o restante da frota traz o modelo compacto DJI Avata 2, que utiliza óculos de visão em primeira pessoa (FPV, na sigla em inglês) para voos ágeis de reconhecimento em locais confinados ou de difícil acesso.
- DJI Matrice 4T: 128 unidades adquiridas por aproximadamente R$ 5,78 milhões, equipadas com câmeras de alta resolução, sensores térmicos infravermelhos, visão noturna, detecção por inteligência artificial, telêmetro a laser para medição de distâncias e autonomia máxima de voo de 49 minutos.
- DJI Avata 2: 56 unidades compradas por cerca de R$ 541,5 mil, dotadas de protetor de hélices integrado, pilotagem em primeira pessoa e câmera com gravação em resolução 4K ultra-wide.
Fuzis antidrones no Rio de Janeiro e expansão de R$ 37 milhões até 2027
A distribuição das aeronaves no Gama ocorreu um dia após o Ministério da Justiça iniciar a entrega de armamentos voltados a derrubar aparelhos controlados por facções criminosas. Na quinta-feira (22), representantes da pasta e especialistas do escritório antifacção repassaram os primeiros fuzis antidrones — conhecidos como bazucas antidrones — às Polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, com treinamento operacional para as equipes fluminenses. Esses bloqueadores interrompem sinais de radiofrequência para neutralizar, sem uso de munição convencional, drones usados por criminosos para monitorar viaturas, transportar drogas e armas ou lançar granadas.
Segundo Wellington César Lima e Silva, a combinação entre aeronaves de vigilância e bloqueadores de sinal forma um pacote nacional de modernização das polícias estaduais. “A aquisição de drones abrange as 27 Unidades da Federação, o que fortalece a atuação em todo o território nacional. Quanto aos sistemas antidrones, a previsão é contemplar sete estados até dezembro de 2026, com expansão para as demais Unidades da Federação a partir de 2027. Somadas, essas aquisições representam mais de R$ 37 milhões em tecnologias voltadas ao fortalecimento da segurança pública”, declarou o titular da pasta.
- 22 de outubro de 2026: entrega dos primeiros fuzis antidrones às polícias do Rio de Janeiro, com custo de R$ 5 milhões e alcance de bloqueio de até 3 km de distância.
- 23 de outubro de 2026: entrega das 184 aeronaves no Gama (DF) para distribuição às 27 Unidades da Federação.
- Até dezembro de 2026: prazo previsto pelo Ministério da Justiça para levar sistemas antidrones a sete estados.
- A partir de 2027: início da expansão dos equipamentos antidrones para as outras 20 Unidades da Federação.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública ainda não detalhou quantas aeronaves cada estado receberá nem quais serão as sete unidades federativas contempladas na primeira fase dos sistemas antidrones até dezembro de 2026.
