O diretor comercial para negócios internacionais da Embraer Defesa e Segurança, Frederico Lemos, detalhou nesta segunda-feira (26) a estratégia de expansão da fabricante na região da Ásia-Pacífico com foco no cargueiro C-390 Millennium e no avião de ataque leve A-29 Super Tucano. A empresa mantém negociações ativas com governos locais para renovação de frotas, parcerias de produção industrial e oferta de sistemas de interceptação de drones.
Segundo os cálculos da companhia, o mercado potencial na Ásia-Pacífico abrange a demanda por 184 aeronaves de transporte militar, volume que representa cerca de 40% da necessidade global mapeada para substituição de frotas antigas, além de 90 aviões na categoria do A-29 Super Tucano. “É um bom momento para a Embraer, não apenas em defesa, mas em todas as unidades de negócios. Estamos crescendo em todas as frentes, com uma receptividade muito boa sobre as soluções que estamos colocando no mercado”, afirmou Lemos, em tradução livre.
Proposta da Embraer na Índia prevê montagem local de 48 cargueiros C-390
A principal concorrência industrial na região ocorre na Índia, onde a empresa disputa o programa de Aeronave de Transporte Médio (MTA, na sigla em inglês) para o fornecimento de 60 unidades do C-390 Millennium. Em parceria com o grupo indiano Mahindra, a fabricante brasileira propõe a entrega de 12 aviões prontos de fábrica e a produção local dos outros 48 exemplares em uma linha de montagem final planejada na cidade de Nagpur.
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Na disputa pelo contrato indiano, cujo processo tem projeção de escolha para 2028, o modelo brasileiro concorre diretamente com o C-130J da norte-americana Lockheed Martin, avião que já opera na Força Aérea Indiana. O diretor comercial declarou que a fabricante está comprometida com o programa indiano de transporte médio em trabalho conjunto com a Mahindra. Lemos acrescentou que a empresa busca atender a todos os requisitos locais para agregar valor à indústria nacional, realizar transferência de tecnologia e fornecer a capacidade operacional à força aérea do país.
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Outro movimento de integração industrial na Ásia ocorreu na sexta-feira, 2 de outubro de 2026, em Kuala Lumpur. Na ocasião, o ministro da Defesa da Malásia, Datuk Seri Mohamed Khaled Nordin, reuniu-se com Frederico Lemos para avaliar a inclusão de empresas malaias na cadeia de suprimentos regional e global da divisão militar brasileira.
Entregas do C-390 na Coreia do Sul e pacote antidrone do A-29 nas Filipinas
Enquanto negocia novos contratos, a fabricante avança nas entregas de encomendas já firmadas na região. A Coreia do Sul, primeira cliente asiática do C-390 Millennium, tem previsão de receber sua primeira aeronave ao longo de 2026, após o avião ter atingido a fase final de montagem no início do ano e sido exposto em fevereiro no evento Singapore Airshow. O modelo executa missões de transporte de carga, reabastecimento em voo, evacuação aeromédica, busca e salvamento e apoio a operações especiais.
No segmento de ataque leve, as Filipinas encomendaram um segundo lote de seis aeronaves A-29 Super Tucano, o que dobrará a frota do país para 12 unidades, com entregas próximas previstas pelo executivo. Ainda não há confirmação sobre o cronograma exato de entrega do primeiro C-390 sul-coreano nem das seis novas unidades do A-29 destinadas ao governo filipino.
Para ampliar o alcance comercial do A-29, a Embraer desenvolve um pacote de capacidades contra sistemas aéreos não tripulados (C-UAS, tecnologia antidrone). O recurso, baseado principalmente em atualizações de software para clientes atuais e novos, permite o uso de metralhadoras ou foguetes guiados a laser para abater ameaças de baixo custo. Lemos informou que os ensaios iniciais apontam capacidade para interceptar inclusive drones a jato, embora o sistema ainda não possua certificação e homologação operacional definitiva para essa finalidade. Paralelamente, a empresa prepara a versão modernizada A-29NX, anunciada em julho de 2026 durante o Farnborough Airshow, equipada com nova interface de pilotagem, tela de grandes dimensões e melhorias de conectividade.
Números globais e carteira de pedidos da Embraer Defesa e Segurança
A ofensiva comercial na Ásia ocorre em um período de expansão das receitas militares da companhia. O executivo destacou o desempenho operacional dos modelos em serviço e apontou que a área de defesa vive um momento de crescimento, com resultados positivos do KC-390 e do A-29 em vendas, receptividade dos clientes e disponibilidade operacional. Sobre o cargueiro, Lemos afirmou que o retorno dos operadores atuais do KC-390 é positivo e destacou que o avião registra um índice de prontidão inédito na categoria.
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Os dados financeiros, industriais e de frota acumulados pela divisão de Defesa e Segurança até outubro de 2026 registram os seguintes patamares:
- Carteira de pedidos firmes (backlog): US$ 6,1 bilhões ao fim do terceiro trimestre de 2026, alta de 56% na comparação anual.
- Volume global do C-390: cerca de 60 pedidos firmes e 29 opções de compra distribuídos entre 13 países que já selecionaram ou contrataram o avião.
- Frota entregue até outubro de 2026: 16 cargueiros KC-390/C-390 em operação, sendo oito na Força Aérea Brasileira, quatro em Portugal, dois na Hungria, um na República Tcheca e um entregue em setembro de 2026 ao Uzbequistão.
- Taxa de disponibilidade para missão: 93% de prontidão informada pela fabricante para a frota de KC-390 em serviço.
- Negociação recente na Europa: autorização concedida pelo governo de Portugal na quinta-feira (22) para a revenda de três cargueiros KC-390 à Grécia por 590 milhões de euros (equivalente a US$ 660 milhões).
Meta de produção da Embraer para 2030 e parceria com a Anduril
Além das entregas no Brasil, Portugal, Hungria, República Tcheca e Uzbequistão, a lista de 13 nações que já assinaram contratos ou selecionaram o cargueiro inclui Áustria, Colômbia, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Eslováquia, Holanda, Lituânia e Suécia. Os contratos com a Colômbia e os Emirados Árabes Unidos, assinados em 2026, abriram as exportações do modelo na América Latina e no Oriente Médio.
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No campo tecnológico, a empresa firmou em julho de 2026, no Farnborough Airshow, uma colaboração com a companhia norte-americana Anduril para estudar o lançamento de mísseis de ataque profundo de longo alcance a partir do C-390, projeto que ainda não realizou disparos de armamento. Para atender ao aumento das encomendas globais, a meta industrial da Embraer é elevar a capacidade de fabricação do C-390 de uma previsão de seis entregas em 2026 para dez aeronaves por ano até 2030.
