Donald Trump anunciou na terça-feira (27 de outubro de 2026) que o governo dos Estados Unidos vai proibir oficialmente o uso do termo “inteligência artificial” (IA) em documentos relevantes e em outros contextos, por considerá-lo impreciso. O presidente propôs a substituição pela expressão “superinteligência” (SI).
A declaração ocorreu em publicação na rede social Truth Social. Trump questionou por que o jornal The Wall Street Journal ainda não adotou a nova designação e classificou a expressão atual como “um nome muito ruim e impreciso”. Ele escreveu: “Em breve, vamos proibir oficialmente o termo ‘IA/Inteligência Artificial’ em todos os documentos relevantes e em tudo o mais, devido à sua imprecisão”.
Ordem executiva de setembro já mudou a nomenclatura no Executivo
A medida amplia uma decisão anterior. Em 29 de setembro de 2026, Trump assinou a Ordem Executiva 14434, intitulada “Inaugurando a Era da Super Inteligência”. O texto determina que departamentos e agências do Poder Executivo federal usem os termos “Super Intelligence” e “SI” no lugar de “Artificial Intelligence” e “AI” em correspondências oficiais, comunicações públicas, sites, relatórios e documentos de política, na máxima extensão permitida por lei.
A ordem define “superinteligência” com as mesmas palavras já usadas na legislação americana para inteligência artificial, no título 15 do Código dos Estados Unidos. Ela também dá 60 dias ao assessor de ciência e tecnologia da Presidência para propor ao Congresso uma nova definição legal. Documentos históricos, regulamentos anteriores, contratos e concessões não precisam ser alterados.
Trump já havia anunciado a intenção durante discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas, em setembro. Na ocasião, argumentou que a palavra “artificial” transmite a ideia de que a tecnologia é falsa, quando, segundo ele, se trata de algo extraordinário. Ele afirmou que documentos dos Estados Unidos e, espera-se, de outros países passariam a usar o termo “super”.
Alcance da proibição e limites constitucionais
O presidente não especificou a data de entrada em vigor da nova proibição nem detalhou mecanismos de aplicação além do Poder Executivo. A ordem de setembro e a publicação de terça-feira se aplicam principalmente a documentos e comunicações do governo federal. Trump não tem autoridade para obrigar empresas privadas, cidadãos ou veículos de imprensa a abandonar a expressão “inteligência artificial”.
Em outubro, o presidente já havia declarado em outra publicação que a Casa Branca considera “o inimigo” quem continuar usando o termo “artificial intelligence” em vez de “super intelligence”. A iniciativa ocorre em meio a preocupações públicas nos Estados Unidos com o consumo de energia e água de centros de dados e com efeitos sobre o emprego.
Super Intelligence Force e contexto tecnológico
O governo também criou a Super Intelligence Force, unidade de coordenação liderada por Jay Clayton, diretor de Inteligência Nacional. O grupo tem a missão de assegurar a liderança americana na tecnologia e proteger interesses dos cidadãos. Executivos de empresas como Google, Anthropic, Meta, OpenAI, xAI e Nvidia assinaram um acordo voluntário de segurança na Casa Branca no mesmo período da ordem executiva.
O termo “inteligência artificial” foi cunhado há mais de 70 anos e continua em uso pela maior parte da indústria e da imprensa. Elon Musk indicou a intenção de renomear a unidade SpaceXAI para SpaceXSI. A disputa tecnológica entre Estados Unidos e China permanece central na agenda de Trump, que defende aceleração do desenvolvimento e se opõe a regulamentações que considera limitantes da competitividade americana.
A publicação de 27 de outubro não traz cronograma concreto nem esclarece como a proibição se aplicará a contextos fora do Executivo federal. Agências já começaram a adaptar comunicações oficiais conforme a ordem de setembro.
