A Vivo lançou o serviço Vivo Satélite em parceria com a Starlink Mobile, da SpaceX, na segunda-feira (26 de outubro de 2026). A conexão permite que celulares compatíveis se liguem diretamente a satélites em locais sem cobertura de redes móveis terrestres. O recurso chega sem custo adicional por 12 meses para clientes de pessoa física elegíveis e por três meses para empresas, alcançando cerca de 50 milhões de assinantes.
Unifique, Brisanet e iez! anunciaram em 23 de outubro de 2026 um acordo comercial com a AST SpaceMobile para oferecer serviços semelhantes. As operadoras regionais cederão frequências de 700 MHz e investirão em estações terrestres para ligar suas redes aos satélites BlueBird. Os contratos definitivos ainda estão em negociação e dependem de aprovações da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Vivo Satélite conecta celulares à Starlink sem custo inicial
O Vivo Satélite funciona como extensão da rede terrestre da operadora. Quando o aparelho perde o sinal convencional e há visão do céu, ele se conecta automaticamente à constelação de satélites de órbita baixa da Starlink. A Vivo afirma que a rede móvel terrestre cobre 98% da população brasileira. O serviço satelital complementa os pontos restantes em rodovias, áreas rurais e regiões remotas.
Alex Salgado, diretor de operações da Vivo, afirmou que a parceria complementa o serviço onde não há infraestrutura. “Nossa cobertura terrestre chega a mais de 98% da população brasileira. Esses menos de 2% que faltam são pessoas espalhadas em um território muito grande, onde o D2D é a tecnologia certa para o atendimento”, disse.
A oferta é gratuita no período promocional para planos pós-pagos, Controle e Lite elegíveis, além de pré-pagos com recargas acima de R$ 30. Terminais M2M ficam de fora. Após o prazo, o acesso dependerá de contratação de oferta paga, cujos valores a operadora ainda não divulgou.
O que o Vivo Satélite permite e o que fica de fora
O serviço prioriza funções de comunicação e localização de baixo consumo. O usuário pode trocar mensagens de texto e áudio e fazer chamadas de voz pelo WhatsApp. Também funcionam SMS, MMS, RCS, iMessage, Google Mensagens, Google Maps, Apple Maps e o aplicativo da Vivo.
Chamadas telefônicas convencionais, videochamadas e navegação livre na internet não estão disponíveis. A conexão exige aparelho compatível com 4G ou superior, sistema operacional atualizado, chip ou eSIM 4G/5G e roaming nacional de dados ativado. O celular precisa estar ao ar livre com visibilidade do céu.
- Mensagens e chamadas de voz pelo WhatsApp
- SMS, iMessage, Google Mensagens e RCS
- Google Maps, Apple Maps e aplicativo da Vivo
- Sem chamadas convencionais, videochamadas ou navegação irrestrita
Operadoras regionais avançam com a AST SpaceMobile
A Unifique atua no Sul, a Brisanet no Nordeste e a iez! em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. O acordo prevê voz, banda larga móvel e transmissão de vídeo em smartphones comuns. Fabiano Busnardo, diretor-presidente da Unifique, afirmou que a parceria complementa a rede e leva conectividade a áreas mais abrangentes.
José Roberto Nogueira, diretor-presidente da Brisanet, destacou o compromisso com a expansão da infraestrutura. Os termos financeiros não foram divulgados. A operação comercial plena ainda depende da ampliação da frota de satélites e das licenças regulatórias.
Limitações de capacidade e uso em ambientes fechados
A tecnologia direct-to-device (D2D) enfrenta restrições técnicas. A capacidade de transmissão é limitada e o sinal não penetra bem em ambientes fechados. Em áreas urbanas densas o desempenho cai porque os usuários compartilham os feixes dos satélites. A Starlink já opera internet via antena no Brasil, mas o modelo sem equipamento externo é novo.
No Brasil, o modelo de parceria com operadoras tende a prevalecer.
Regulação da Anatel e próximos passos
A Anatel mantém o Vivo Satélite dentro do sandbox regulatório experimental. A autorização temporária da Telefônica Brasil foi prorrogada até 22 de abril de 2029. O serviço usa espectro da própria Vivo na faixa de 2,5 GHz. Para as operadoras regionais, os testes com a AST devem começar em novembro de 2026.
Por enquanto a conexão via satélite funciona como extensão das redes móveis existentes, não como substituto. Clientes elegíveis da Vivo já podem usar o recurso automaticamente em áreas sem sinal terrestre, desde que atendam aos requisitos de aparelho e configuração.
