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Donald Trump anuncia redução de 59% nos custos de remédios e energia nos Estados Unidos

Donald Trump
Donald Trump - Foto: Instagram

Em um pronunciamento que reverberou pelos Estados Unidos, o presidente Donald Trump anunciou, nesta segunda-feira (12), uma ambiciosa iniciativa para reduzir os preços dos medicamentos no país em pelo menos 59%. A declaração, feita diretamente da Casa Branca, também incluiu promessas de cortes nos custos de gasolina, energia e mantimentos, com o objetivo de aliviar o bolso dos americanos. A medida, que será formalizada por uma ordem executiva, marca um dos primeiros grandes movimentos econômicos de Trump em seu segundo mandato. O presidente destacou a necessidade de corrigir o que chamou de “injustiça histórica” no mercado farmacêutico americano.

A assinatura da ordem executiva está agendada para as 9h desta segunda-feira, horário local, e deve implementar o conceito de preço de “nação mais favorecida”. Esse mecanismo busca alinhar os valores cobrados por medicamentos nos Estados Unidos aos praticados em outros países desenvolvidos, onde os preços são significativamente mais baixos. Trump criticou duramente as farmacêuticas, acusando-as de explorar os consumidores americanos ao justificar preços elevados com custos de pesquisa e desenvolvimento. Ele prometeu que a medida trará “equilíbrio” ao mercado global de medicamentos.

A proposta de Trump gerou reações mistas. Enquanto consumidores e defensores de políticas de saúde pública celebram a possibilidade de preços mais acessíveis, a indústria farmacêutica expressou preocupações. Representantes do setor alertaram que a intervenção do governo pode limitar investimentos em inovação médica. A seguir, os principais pontos da iniciativa de Trump:

  • Redução de preços de medicamentos: Meta inicial de corte de 59%, podendo chegar a 80% em alguns casos.
  • Preço de nação mais favorecida: Alinhamento com valores praticados em outros países desenvolvidos.
  • Impacto em outros setores: Promessa de redução nos custos de gasolina, energia e alimentos.
  • Cronograma: Assinatura da ordem executiva marcada para 12 de maio de 2025.

O anúncio ocorre em um momento de alta expectativa econômica nos Estados Unidos, com a inflação ainda sendo uma preocupação para muitos americanos. Trump, que assumiu seu segundo mandato em janeiro de 2025, busca cumprir promessas de campanha que priorizam o alívio financeiro para as famílias.

Ordem executiva e o preço de nação favorecida

A ordem executiva planejada por Trump introduz o conceito de preço de “nação mais favorecida”, uma política que obriga as farmacêuticas a oferecerem aos Estados Unidos os mesmos preços praticados em outros países desenvolvidos. Em seu discurso, o presidente destacou que os americanos pagam, em média, cinco a dez vezes mais por medicamentos do que consumidores em nações como Canadá, Austrália e países da União Europeia. Ele descreveu a situação como “vergonhosa” e prometeu que a nova política trará justiça ao mercado.

O mecanismo de nação mais favorecida funciona ao estabelecer um preço de referência internacional, baseado nos valores mais baixos negociados por outros governos. Por exemplo, um medicamento que custa 100 dólares nos Estados Unidos pode ser vendido por apenas 20 dólares no Canadá, mesmo sendo produzido pela mesma empresa. A ordem executiva visa forçar as farmacêuticas a equalizar esses valores, reduzindo drasticamente os custos para os consumidores americanos. A medida, no entanto, não detalhou como será aplicada a medicamentos genéricos ou a tratamentos de alta complexidade.

Segundo informações obtidas por lobistas consultados pela Reuters, a Casa Branca planeja expandir a aplicação da ordem além dos medicamentos atualmente negociados pelo programa Medicare. A expectativa é que a política abranja uma ampla gama de produtos farmacêuticos, incluindo aqueles usados em tratamentos crônicos, como diabetes e doenças cardiovasculares. A iniciativa também pode afetar os preços de medicamentos inovadores, que costumam ter valores elevados devido aos altos custos de desenvolvimento.

A indústria farmacêutica, representada pela Pharmaceutical Research and Manufacturers of America (PhRMA), reagiu com críticas. Alex Schriver, porta-voz da entidade, afirmou que a fixação de preços pelo governo pode prejudicar os pacientes ao limitar o acesso a novos tratamentos. Ele argumentou que os altos preços nos Estados Unidos financiam a pesquisa global de novos medicamentos, beneficiando pacientes em todo o mundo.

Reações do setor farmacêutico

As farmacêuticas americanas estão em alerta desde que Trump sinalizou, no domingo (11), sua intenção de assinar a ordem executiva. A indústria esperava que a medida se concentrasse exclusivamente no Medicare, o programa de seguro saúde voltado para idosos e pessoas com deficiências. No entanto, informações preliminares indicam que a política será mais abrangente, afetando também medicamentos vendidos no mercado privado.

A Lei de Redução da Inflação, sancionada pelo ex-presidente Joe Biden em 2022, já havia introduzido negociações de preços para 10 medicamentos cobertos pelo Medicare, com implementação prevista para 2026. A ordem de Trump, porém, parece ir além, ao propor uma redução mais agressiva e imediata. Representantes do setor farmacêutico temem que a combinação dessas políticas possa pressionar as margens de lucro das empresas, especialmente aquelas que dependem do mercado americano para financiar pesquisas.

Apesar das críticas, alguns analistas acreditam que a medida pode forçar as farmacêuticas a reverem suas estratégias de precificação globalmente. A seguir, os principais argumentos apresentados pelo setor:

  • Investimento em pesquisa: Preços elevados nos EUA financiam o desenvolvimento de novos medicamentos.
  • Risco de desabastecimento: Reduções drásticas podem levar a cortes na produção de certos fármacos.
  • Impacto global: A equalização de preços pode aumentar custos em outros países.
  • Inovação ameaçada: Menores lucros podem limitar o financiamento de tratamentos experimentais.

A PhRMA já sinalizou que pode recorrer à Justiça para contestar a ordem executiva, alegando que ela viola a autonomia das empresas em definir preços. A batalha legal, se confirmada, pode atrasar a implementação da política e gerar incertezas no mercado.

Contexto do Medicare e negociações de preços

O programa Medicare, que atende cerca de 66 milhões de americanos, é um dos maiores compradores de medicamentos do mundo. A Lei de Redução da Inflação permitiu, pela primeira vez, que o governo negociasse diretamente os preços de medicamentos cobertos pelo programa. Em 2024, foram selecionados 10 fármacos para negociação, incluindo tratamentos para diabetes, câncer e doenças cardíacas. Os preços negociados entrarão em vigor em 2026, e mais medicamentos serão incluídos nas rodadas futuras.

A iniciativa de Trump, no entanto, busca acelerar esse processo e ampliar seu alcance. Durante sua campanha, o presidente criticou a lentidão das negociações do Medicare e prometeu ações mais ousadas. A ordem executiva, segundo fontes da Casa Branca, pode incluir medicamentos de alto custo, como terapias genéticas e tratamentos oncológicos, que não estavam inicialmente na lista do Medicare.

A expansão da política de preços para além do Medicare também levanta questões sobre sua viabilidade. Nos Estados Unidos, o mercado de saúde é altamente fragmentado, com seguradoras privadas, farmácias e hospitais desempenhando papéis centrais na definição de preços. Implementar uma redução generalizada exigirá coordenação entre diversos setores, algo que analistas consideram um desafio logístico significativo.

Promessas de redução em outros setores

Além dos medicamentos, Trump prometeu cortes nos preços de gasolina, energia e mantimentos, com a frase “sem inflação!” destacada em suas redes sociais. A declaração reflete uma das principais bandeiras de sua campanha: combater o aumento do custo de vida, que afetou milhões de americanos nos últimos anos. Dados do Bureau of Labor Statistics mostram que a inflação acumulada entre 2021 e 2024 foi de aproximadamente 18%, com forte impacto nos preços de alimentos e combustíveis.

Para reduzir os custos de energia, Trump sinalizou que pode aumentar a produção doméstica de petróleo e gás, além de revisar regulamentações ambientais que, segundo ele, encarecem a geração de energia. No setor de mantimentos, o presidente mencionou a possibilidade de reduzir tarifas de importação para produtos agrícolas, embora não tenha detalhado como isso seria implementado sem prejudicar os produtores locais.

As promessas de Trump foram recebidas com entusiasmo por seus apoiadores, mas especialistas alertam que a execução dessas medidas enfrenta obstáculos. A seguir, alguns dos desafios mencionados:

  • Produção de energia: Aumentar a extração de combustíveis fósseis pode enfrentar resistência de grupos ambientalistas.
  • Cadeia de suprimentos: Os preços de mantimentos dependem de fatores globais, como clima e custos de transporte.
  • Inflação global: A redução de preços domésticos pode ser limitada por pressões econômicas internacionais.

Apesar das incertezas, o anúncio reforça a imagem de Trump como um presidente focado em resultados econômicos imediatos, uma estratégia que ressoa com sua base eleitoral.

Histórico de políticas de preços de medicamentos

A questão dos preços elevados de medicamentos não é nova nos Estados Unidos. Por décadas, os americanos enfrentam custos significativamente mais altos do que consumidores em outros países desenvolvidos. Um estudo da Kaiser Family Foundation revelou que, em 2023, o preço médio de medicamentos de marca nos Estados Unidos era 3,4 vezes maior do que no Canadá e 4,1 vezes maior do que na Austrália.

Durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump tentou implementar políticas semelhantes, incluindo uma proposta de preço de nação mais favorecida. No entanto, a medida enfrentou resistência judicial e foi bloqueada antes de entrar em vigor. A nova ordem executiva, anunciada em 2025, parece ser uma versão revisada e mais agressiva dessa iniciativa.

O ex-presidente Barack Obama também abordou o problema durante seu governo, com a aprovação do Affordable Care Act em 2010. A lei expandiu o acesso à saúde, mas não conseguiu reduzir diretamente os preços de medicamentos. Já o governo Biden, com a Lei de Redução da Inflação, deu os primeiros passos para permitir negociações de preços no Medicare, mas a implementação tem sido gradual.

Reações de consumidores e grupos de defesa

Organizações de defesa dos direitos dos consumidores aplaudiram a iniciativa de Trump, embora com ressalvas. A AARP, maior organização de idosos dos Estados Unidos, emitiu um comunicado elogiando a promessa de redução de preços, mas cobrou detalhes sobre como a medida será implementada. A entidade destacou que os idosos, principais beneficiários do Medicare, gastam, em média, 6.000 dólares por ano com medicamentos.

Grupos como o Patients for Affordable Drugs também expressaram apoio, mas alertaram que a ordem executiva precisa ser acompanhada de regulamentações claras. Eles argumentam que, sem fiscalização rigorosa, as farmacêuticas podem encontrar brechas para manter preços elevados. A seguir, as principais demandas desses grupos:

  • Transparência: Publicação dos preços de referência usados na política de nação mais favorecida.
  • Fiscalização: Mecanismos para garantir que as reduções cheguem aos consumidores.
  • Acesso ampliado: Inclusão de medicamentos genéricos e biossimilares na política.

A opinião pública, segundo pesquisas recentes, está amplamente a favor de medidas para reduzir os custos de saúde. Uma pesquisa da Gallup, conduzida em março de 2025, mostrou que 78% dos americanos consideram os preços de medicamentos “injustos” e apoiam intervenções do governo.

Desafios logísticos da implementação

A implementação da ordem executiva enfrenta uma série de obstáculos práticos. O sistema de saúde americano é composto por uma rede complexa de seguradoras, farmácias, distribuidores e fabricantes, cada um com interesses próprios. Alinhar esses atores para garantir que as reduções de preços cheguem aos consumidores será uma tarefa monumental.

Outro desafio é a resistência esperada do setor farmacêutico. Durante o governo Biden, as negociações do Medicare enfrentaram ações judiciais de grandes empresas, como Pfizer e Johnson & Johnson, que alegaram que a política violava seus direitos comerciais. A ordem de Trump, por ser mais abrangente, pode desencadear uma onda ainda maior de processos.

Além disso, a equalização de preços com outros países pode ter efeitos colaterais. Especialistas alertam que as farmacêuticas podem aumentar os preços em nações como Canadá e Austrália para compensar as perdas nos Estados Unidos. Isso poderia gerar tensões diplomáticas e críticas de governos estrangeiros.

Impacto esperado no mercado global

A política de preço de nação mais favorecida tem o potencial de reconfigurar o mercado farmacêutico global. Nos últimos anos, as farmacêuticas têm se beneficiado de preços elevados nos Estados Unidos para subsidiar custos de pesquisa e desenvolvimento. Se os preços americanos forem reduzidos significativamente, as empresas podem buscar aumentar os valores cobrados em outros países, criando um efeito cascata.

Países como o Canadá, que possuem sistemas de saúde pública robustos, já expressaram preocupação com a proposta. Em 2020, quando Trump sugeriu uma política semelhante, o governo canadense alertou que a medida poderia levar a desabastecimentos no país, já que as farmacêuticas poderiam priorizar o mercado americano.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também monitora de perto as mudanças no mercado farmacêutico. Em um relatório de 2024, a entidade destacou que a falta de transparência na precificação de medicamentos é um problema global, e iniciativas como a de Trump podem tanto melhorar quanto complicar o acesso a tratamentos em países de baixa renda.

Próximos passos da Casa Branca

A Casa Branca ainda não divulgou o texto completo da ordem executiva, mas fontes internas indicam que o documento será detalhado e abrangente. Após a assinatura, prevista para esta segunda-feira, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) será responsável por elaborar as regulamentações necessárias para implementar a política.

O HHS terá a tarefa de definir quais medicamentos serão incluídos na política de nação mais favorecida e como os preços de referência serão calculados. O processo pode levar meses, especialmente se houver resistência do setor farmacêutico ou necessidade de negociações com outros países.

Enquanto isso, Trump planeja manter a pressão sobre as farmacêuticas por meio de declarações públicas e eventos na Casa Branca. O presidente também deve usar suas redes sociais para reforçar a mensagem de que sua administração está comprometida em reduzir o custo de vida dos americanos.

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