Ex-ministro de Bolsonaro, Anderson Torres é preso pela PF para cumprir 24 anos de cadeia
A Polícia Federal prendeu o ex-ministro da Justiça Anderson Torres na tarde desta terça-feira (25/11), em Brasília. A ação ocorreu após o Supremo Tribunal Federal declarar o trânsito em julgado da condenação imposta pela Primeira Turma do STF.
Torres recebeu pena de 24 anos de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Ele será recolhido ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.
A prisão integra a execução penal do chamado núcleo 1 da trama golpista, que inclui outros réus como o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Prisão ocorreu horas após decisão do STF
Agentes da PF estiveram primeiro na residência de Torres, no Jardim Botânico, região nobre de Brasília, mas não o localizaram. Pouco depois, a corporação confirmou a detenção do ex-ministro.
A operação decorreu diretamente do trânsito em julgado declarado pelo STF nesta terça-feira. Com a decisão, não cabem mais recursos no processo que condenou Torres e outros sete réus.
A defesa do ex-ministro havia solicitado que ele cumprisse eventual pena na Superintendência da PF ou no Batalhão de Aviação Operacional da PMDF. O pedido foi negado.
Condenação por atos antidemocráticos
A Primeira Turma do STF condenou Anderson Torres a 21 anos e seis meses de reclusão mais dois anos e seis meses de detenção. Os ministros entenderam que ele usou o cargo para desvirtuar o resultado das eleições de 2022.
Entre as condutas apontadas está a articulação, em 30 de outubro de 2022, para que a Polícia Rodoviária Federal realizasse operações que dificultassem o acesso de eleitores às urnas. A ação ocorreu no segundo turno do pleito presidencial.
A condenação também considerou a ausência de Torres durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Na época secretário de Segurança Pública do DF, ele viajou aos Estados Unidos dois dias antes das invasões aos Três Poderes.
Minuta golpista encontrada na residência
A residência de Torres foi alvo de busca em janeiro de 2023. Na ocasião, os agentes localizaram uma minuta de decreto que previa intervenção na Justiça Eleitoral.
O documento propunha a criação de uma comissão para apurar supostas irregularidades no processo eleitoral. O texto foi interpretado pelo STF como evidência de intenção de subverter a ordem democrática.
A peça integrou o conjunto probatório que levou à condenação por abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
Outros réus do núcleo 1 também presos
A execução da pena atinge todos os condenados do núcleo principal da trama golpista. Os generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira terão celas preparadas no Comando Militar do Planalto.
O almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha, já foi preso em Brasília. Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin e atual deputado federal, também está entre os alvos.
As prisões ocorrem de forma simultânea em diferentes unidades militares e policiais do Distrito Federal.
Condição de saúde foi alegada pela defesa
Os advogados de Torres informaram que ele trata depressão desde a primeira prisão, em janeiro de 2023. Ele faz uso contínuo de venlafaxina e olanzapina.
A defesa argumentou que o quadro psicológico tornaria incompatível o recolhimento em presídio comum. O pedido para regime diferenciado não foi acolhido pelo STF.
Torres permanece à disposição da Justiça para o início imediato do cumprimento da pena imposta.
Detalhes da operação policial
- A PF mobilizou equipes específicas para localizar e deter Anderson Torres
- A prisão ocorreu sem resistência por parte do ex-ministro
- O traslado foi feito diretamente para o 19º Batalhão da PMDF
- Outras prisões do mesmo núcleo ocorreram em paralelo em Brasília










