Novo estudo revela anomalias persistentes no cometa interestelar 3I/ATLAS com dados de novembro
Um novo estudo publicado nesta sexta-feira, 19 de dezembro de 2025, analisa observações atualizadas do cometa interestelar 3I/ATLAS realizadas em novembro. Os dados indicam a presença de anomalias que não se encaixam completamente nos modelos tradicionais de cometas baseados em sublimação de gelo.
Pesquisadores identificaram características como jatos retos e coerentes, além de uma aceleração não gravitacional estável ao longo de meses. Essas observações sugerem mecanismos diferentes dos processos clássicos de evaporação volátil.
O cometa 3I/ATLAS, terceiro objeto interestelar confirmado, continua sendo monitorado por telescópios terrestres e espaciais enquanto se afasta do Sol após o periélio em outubro.
Características da rotação e jatos
O período de rotação do cometa foi estimado em cerca de 16 horas. No entanto, as imagens não mostram a estrutura em espiral esperada para jatos em cometas rotativos.
Os jatos permanecem retos e estáveis por horas, sem curvatura significativa. Essa coerência direcional difere do comportamento típico observado em cometas do Sistema Solar.
- Jatos mantêm direção fixa apesar da rotação.
- Ausência de padrões espirais em exposições longas.
- Estabilidade observada em múltiplos sítios telescópicos.
Esses traços indicam possível emissão controlada por fatores globais no núcleo.

Faixa escura na coma interna
Uma linha escura linear persiste na coma interna do cometa. Essa feição permanece invariante à rotação do objeto.
A estrutura não varia com o movimento rotacional, sugerindo alinhamento com o eixo de rotação. Observações de novembro confirmam sua presença contínua.
Essa característica baixa intensidade contrasta com a coma brilhante ao redor. Ela pode indicar regiões de menor emissão de poeira ou gás.
Aceleração não gravitacional estável
O termo não gravitacional A₃ do cometa não mostrou declínio em aproximadamente 180 dias. Essa estabilidade prolongada supera expectativas para sublimação convencional.
Dados orbitais refinados pelo Minor Planet Center reforçam a constância da aceleração. O valor permanece consistente desde observações iniciais.
Essa persistência sugere fontes de força além da evaporação de voláteis superficiais. Modelos padrão preveem declínio com a distância ao Sol.
Polarização negativa profunda
Medições revelam polarização negativa profunda no cometa. O valor mínimo atinge cerca de -2,7% em ângulo de fase baixo.
Essa branch negativa profunda indica espalhamento de luz incomum. Superfícies cometárias típicas mostram valores menos extremos.
A polarização sugere grãos de poeira ou material com propriedades óticas específicas. Comparações com cometas conhecidos destacam a diferença.
Banda espectral em 4,3 μm
Espectroscopia identifica banda larga em 4,3 micrômetros. Essa feição associa-se a ressonâncias orgânicas complexas ou carbonilas.
A largura e profundidade da banda diferem de emissões gasosas simples. Observações infravermelhas confirmam presença de compostos orgânicos ricos.
Essa assinatura espectral reforça composição química atípica. Ela alinha com hipóteses de material interestelar preservado.
Predições para observações futuras
O estudo inclui predições testáveis para imagens e espectros próximos. Espera-se manutenção da morfologia coerente dos jatos.
Ausência de estrutura espiral deve persistir em novas exposições. Perfil alongado do núcleo pode aparecer em resoluções altas.
Estabilidade do termo A₃ continuará monitorada. Complexidade espectral na região de 4,3 μm deve se confirmar.
Essas expectativas baseiam-se em framework de conservação global de energia e momento. Observações da NASA e outros telescópios poderão validá-las nos próximos meses.
O cometa 3I/ATLAS segue trajetória hiperbólica, afastando-se do Sistema Solar. Sua passagem oferece oportunidade única para estudar material de outro sistema estelar.








