Ciência

Telescópio Subaru desvenda composição química de cometa interestelar 3I/ATLAS após passagem perto do Sol

EJA divulgou uma impressionante fotografia do cometa interestelar 3I/ATLAS - ESA/JUICE/JANUS
EJA divulgou uma impressionante fotografia do cometa interestelar 3I/ATLAS - ESA/JUICE/JANUS

Astrônomos identificaram novas pistas sobre a composição do raro cometa interestelar 3I/ATLAS, um objeto que se originou fora do nosso Sistema Solar. As observações recentes foram cruciais para a compreensão deste fenômeno cósmico, fornecendo dados sem precedentes. O Telescópio Subaru, localizado em Maunakea, Havaí, desempenhou um papel fundamental nessas descobertas de alto impacto científico.

Pesquisas indicam uma alteração notável na composição química do cometa à medida que ele passava perto do Sol. Esse fenômeno intriga os especialistas. Essas informações são essenciais para distinguir as propriedades dos cometas formados em diferentes sistemas estelares. O 3I/ATLAS é o terceiro objeto interestelar já identificado.

Alteração na composição do cometa após aproximação solar

A equipe de pesquisa, liderada por Yoshiharu Shinnaka, do Instituto de Ciências Espaciais Koyama da Universidade Kyoto Sangyo, observou o cometa com o Telescópio Subaru em 7 de janeiro de 2026. A análise da luz proveniente da coma do cometa, a nuvem de gás e poeira que envolve seu núcleo, permitiu estimar a proporção de dióxido de carbono para água no material que escapava. Esta proporção foi menor do que os valores inferidos de observações anteriores com telescópios espaciais.

Essa variação sugere que diferentes camadas do cometa começaram a liberar gás à medida que o aquecimento solar modificava as condições na superfície e no interior do núcleo. A dinâmica observada é crucial para entender a evolução desses corpos celestes. A passagem do cometa perto do Sol atuou como um catalisador para as emissões de gases.

Telescópio Subaru
Telescópio Subaru – Alexandre.ROSA/ Shutterstock.com

Cometa 3I/ATLAS comparado a ‘Oumuamua

O cometa 3I/ATLAS representa o terceiro objeto interestelar conhecido a ser detectado pelos astrônomos. O primeiro, denominado ‘Oumuamua, foi descoberto em 2017 pelo telescópio Pan-STARRS, que também está localizado no Havaí, em Halealakalā. As características de ‘Oumuamua eram notavelmente distintas.

‘Oumuamua parecia ser um objeto rochoso e alongado, sem as características cometárias óbvias que os cientistas esperariam. Em contraste, o 3I/ATLAS exibe claramente um comportamento típico de cometa, mostrando uma coma brilhante composta por gás e poeira. Essa diferença fundamental entre os dois objetos oferece perspectivas valiosas sobre a diversidade dos materiais que viajam pelo espaço interestelar.

Detalhes sobre a proporção dióxido de carbono/água

As investigações focaram em uma análise aprofundada da luz emitida pela coma do cometa, utilizando comprimentos de onda específicos. A imagem do 3I/ATLAS, capturada pelo Telescópio Subaru em 13 de dezembro de 2025, foi criada combinando três comprimentos de onda: banda V (550 nanômetros, azul), banda R (660 nanômetros, verde) e banda I (805 nanômetros, vermelho). Essa abordagem permitiu uma visualização detalhada.

A análise da proporção de dióxido de carbono para água é um indicador direto da composição interna do cometa. A equipe de pesquisa observou uma diminuição significativa nessa proporção após a máxima aproximação do 3I/ATLAS ao Sol. Os pontos cruciais da descoberta incluem:

  • Observação-chave: Realizada em 7 de janeiro de 2026 (UT), após o cometa atingir seu ponto mais próximo do Sol.
  • Método analítico: Análise espectroscópica da luz da coma, uma nuvem difusa de gás e poeira.
  • Achado principal: A proporção de CO₂/H₂O inferida foi inferior aos dados de observações anteriores.
  • Implicação: Sugere que o aquecimento solar liberou gases de diferentes camadas do núcleo do cometa.

Importância da pesquisa para a formação planetária

Para os astrônomos, essa mudança observada na composição é de importância crucial, pois a coma atua como uma janela para o núcleo do cometa, o corpo central congelado do objeto. Caso a composição química observada antes e depois da maior aproximação do cometa ao Sol se mostre diferente, isso pode indicar que as partes externa e interna do cometa não são homogêneas. Essa condição proporciona aos pesquisadores uma oportunidade rara de entender como pequenos corpos se formaram e evoluíram ao redor de outras estrelas, além do nosso sistema solar.

Yoshiharu Shinnaka, líder da equipe de pesquisa, comentou que ao aplicar as técnicas observacionais e analíticas desenvolvidas por meio de estudos de cometas do Sistema Solar a objetos interestelares, é possível comparar diretamente cometas originários tanto de dentro quanto de fora do Sistema Solar, explorando as diferenças em sua composição e evolução. Os resultados foram publicados no The Astronomical Journal em 22 de abril de 2026, em um artigo intitulado “Uma restrição pós-periélio na razão CO₂/H₂O do cometa interestelar 3I/ATLAS a partir de linhas proibidas de [OI]”. O trabalho foi parcialmente financiado por bolsas da Sociedade Japonesa para a Promoção da Ciência e pelo Instituto de Ciências Espaciais de Koyama.

O papel do Havaí e do telescópio Subaru na astronomia

A descoberta do 3I/ATLAS reforça o papel contínuo do Havaí na astronomia de ponta global. O Telescópio Subaru, operado pelo Observatório Astronômico Nacional do Japão, é reconhecido como um dos principais observatórios óptico-infravermelhos do mundo. Ele realiza observações a partir de Maunakea, um local de profunda importância cultural, histórica e natural para o Havaí, fundamental para a comunidade científica.

A equipe do Telescópio Subaru expressou gratidão pela oportunidade de observar o universo a partir de Maunakea, destacando a colaboração e o respeito mútuo. Com a futura operação plena do LSST, um poderoso telescópio de levantamento topográfico, os astrônomos têm grandes expectativas de descobrir mais visitantes interestelares como o 3I/ATLAS. Cada uma dessas descobertas oferece uma oportunidade rara de comparar os componentes básicos de outros sistemas planetários com os do nosso próprio, e as observações realizadas no Havaí continuam a impulsionar esse esforço científico.

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