Cofundador da OpenAI relata tensão com Elon Musk durante testemunho no tribunal da Califórnia em 2017
Greg Brockman, presidente e cofundador da OpenAI, descreveu durante o julgamento em Oakland, na Califórnia, um encontro acalorado com Elon Musk em 2017 que terminou com ameaça implícita de agressão física. Brockman afirmou ao júri que o bilionário mudou de comportamento abruptamente quando sua proposta para aumentar influência na empresa de inteligência artificial foi rejeitada. O testemunho integra a segunda semana de um julgamento de um mês que analisa uma disputa entre Musk e Sam Altman, cofundador e CEO da OpenAI.
Confronto sobre controle da empresa
Brockman rejeitou a tentativa de Musk de obter mais poder na OpenAI durante aquela reunião de 2017. Após a recusa, o tom da conversa mudou radicalmente. “Na verdade, pensei que ele ia me bater”, disse Brockman ao tribunal, descrevendo a reação de Musk. O encontro terminou pouco depois com Musk anunciando que interromperia o financiamento que vinha oferecendo à empresa desde sua fundação em 2015.
Mensagens de texto exibidas pelos advogados da OpenAI mostram que Musk havia tentado usar incentivos para persuadir Brockman e outro cofundador, Ilya Sutskever. Uma mensagem de agosto de 2017 de Sutskever para Brockman indagava: “Um modelo 3 faria você aceitar condições extremamente desfavoráveis?” As estratégias incluíram o que Brockman descreveu como “bajular” os cofundadores para obter controle maior sobre as operações da empresa.

Conhecimento prévio sobre transição para fins lucrativos
Um ponto crucial do testemunho de Brockman é sua afirmação de que Musk estava ciente dos planos da OpenAI para se transformar em uma entidade com fins lucrativos. A empresa foi fundada como organização sem fins lucrativos, mas posteriormente adicionou um braço com fins lucrativos para arrecadar bilhões em financiamento junto a investidores. Há pouco mais de um ano, a empresa decidiu fazer da divisão com fins lucrativos seu foco principal. Brockman testemunhou que Musk tinha conhecimento dessas intenções antes de deixar a OpenAI, contradizendo alegações da defesa de Musk.
A ação judicial move-se em torno da acusação de Musk contra Altman de enganá-lo em milhões de dólares e de ter traído a missão original sem fins lucrativos da empresa responsável pelo ChatGPT. O tribunal examina se a transformação da OpenAI em um negócio mais tradicional com fins lucrativos violou compromissos originais ou acordos estabelecidos entre os sócios.
Detalhes sobre Shivon Zilis e conflito de interesses
Brockman revelou também que Shivon Zilis, membro anterior do conselho da OpenAI, é mãe de quatro filhos de Mus, informação que ele descobriu através de relatórios públicos. Quando questionado sobre como soube dessa informação, Brockman explicou que Zilis lhe informou ter tido gêmeos através de fertilização in vitro e descreveu o relacionamento como “totalmente platônico com Elon”. Questionamentos posteriores abordaram o papel contínuo de Zilis na OpenAI anos após a saída de Musk.
Brockman afirmou que a OpenAI confiava em Zilis para “manter o conflito com Elon sob controle” durante seus anos no conselho. Essa confiança foi depositada apesar da relação pessoal estabelecida entre Zilis e Musk. Zilis deixou o conselho em março de 2023, exatamente quando Musk lançava a xAI, empresa de inteligência artificial que desenvolve um chatbot concorrente direto do ChatGPT da OpenAI.
Contexto da disputa maior
A batalha judicial reflete uma disputa que cresceu ao longo dos anos desde que Musk deixou a OpenAI, onde era um dos cofundadores iniciais. Desde então, a empresa se transformou em uma das companhias de tecnologia mais valiosas do mundo, impulsionada especialmente pelo lançamento bem-sucedido do ChatGPT. Musk acusa Altman de o ter enganado enquanto construía uma corporação bilionária mantendo a aparência de uma empresa voltada para o bem comum.
O julgamento representa um dos maiores confrontos legais envolvendo figuras proeminentes da indústria de tecnologia e inteligência artificial. A decisão do tribunal em Oakland pode ter implicações significativas para como empresas de IA estruturam suas operações e comunicam missões aos seus fundadores e investidores. A disputa também coloca em destaque questões sobre governança corporativa e responsabilidade quando visões estratégicas divergem significativamente entre cofundadores.
Próximos passos do julgamento
Espera-se que Shivon Zilis seja chamada a testemunhar após Brockman encerrar sua participação nos procedimentos. Seu testemunho pode fornecer perspectivas adicionais sobre as tentativas de Musk de manter influência na OpenAI e sobre as dinâmicas internas da empresa durante o período crítico em que as decisões sobre sua estrutura comercial foram tomadas.
O julgamento segue em sua segunda semana, com ainda aproximadamente duas semanas de procedimentos previstos. As evidências apresentadas até agora incluem:
- Mensagens de texto de 2017 entre cofundadores discutindo ofertas de incentivos
- Documentos internos sobre transição para modelo com fins lucrativos
- Testemunhos sobre conhecimento prévio de transformação corporativa
- Registros de comunicação entre Musk e membros do conselho
- Evidências sobre conflitos de interesse envolvendo membros do conselho
A OpenAI defende que Altman agiu dentro de seus direitos ao guiar a empresa através da transição estrutural, enquanto Musk busca reverter as mudanças ou obter compensação significativa pelos direitos que alega terem sido violados. O tribunal deve determinar se havia acordos vinculantes que foram quebrados ou se as ações dos executivos da OpenAI permaneceram dentro de limites legais e contratuais estabelecidos.








