Dacia garante novos motores a gás para a linha 2026 e descarta fim da tecnologia na próxima década
A fabricante de automóveis Dacia confirmou a manutenção de sua linha de veículos movidos a Gás Liquefeito de Petróleo, conhecido pela sigla GLP, afastando os rumores sobre o encerramento dessa oferta até 2030. A montadora esclareceu que as recentes declarações de um executivo da marca foram interpretadas de maneira equivocada pelo mercado. O planejamento oficial prevê a continuidade da tecnologia bifuel, com investimentos já garantidos para a próxima geração de propulsores.
O mal-entendido teve origem no final de janeiro de 2026, quando o diretor de vendas sugeriu possíveis limitações para os motores a gás na próxima década. A empresa precisou intervir publicamente para explicar que o futuro da motorização depende exclusivamente das futuras regulamentações de emissões de dióxido de carbono estipuladas pela União Europeia. Enquanto as novas diretrizes não entram em vigor, a fabricante aposta em atualizações significativas para a gama de 2026, buscando consolidar sua posição no segmento de baixo custo operacional.

Atualizações mecânicas ampliam potência e autonomia dos veículos
A estratégia da marca para os próximos anos envolve uma reformulação técnica considerável nos motores da família ECO-G. A potência dos propulsores passará por um incremento importante, saltando dos atuais 100 cavalos para 120 cavalos de força. Essa mudança visa entregar um desempenho superior tanto no trânsito urbano quanto em rodovias. Engenheiros da companhia focaram em manter o torque em níveis adequados para o uso diário.
Outra alteração de grande impacto para os consumidores diz respeito ao armazenamento de combustível. Os tanques de GLP instalados nos veículos receberam um aumento de capacidade, passando de 40 litros para 49,6 litros úteis. A modificação estrutural foi realizada sem comprometer o espaço interno do habitáculo ou o volume do porta-malas. O chassi passou por otimizações pontuais para acomodar o novo reservatório com segurança.
O resultado direto dessa ampliação é um salto expressivo na distância que os carros podem percorrer sem a necessidade de reabastecimento. Modelos compactos, como o Sandero, alcançam agora uma autonomia combinada de aproximadamente 1.500 quilômetros. A marca utiliza a soma da capacidade do tanque de gasolina convencional com o novo cilindro de gás para atingir essa marca. Testes de rodagem confirmaram a eficiência do sistema em condições reais de uso.
A linha Sandero e sua versão aventureira, o Sandero Stepway, também inauguram a opção de transmissão automática associada ao motor a gás de 120 cavalos. A introdução do câmbio automático atende a uma demanda antiga dos clientes europeus. O equipamento proporciona um nível maior de conforto em viagens longas e no tráfego pesado das grandes cidades.
Sistema micro-híbrido chega aos modelos com tração integral
O portfólio de utilitários esportivos da fabricante também recebe inovações tecnológicas voltadas para o desempenho fora de estrada. Os modelos Duster e o recém-lançado Bigster passam a contar com um motor micro-híbrido a GLP capaz de gerar 150 cavalos de potência. Essa configuração mecânica foi desenvolvida exclusivamente para as versões equipadas com tração nas quatro rodas. O novo conjunto substitui a antiga motorização de 130 cavalos.
A arquitetura do sistema integra o funcionamento bifuel com uma assistência elétrica de baixa voltagem. O motor elétrico auxiliar atua principalmente nos momentos de maior exigência, como em acelerações bruscas e subidas íngremes. A combinação das duas fontes de energia otimiza o consumo de combustível em terrenos irregulares. A capacidade de tração integral permanece inalterada, garantindo a robustez característica da linha de utilitários da marca.
O gerenciamento eletrônico do veículo controla a alternância entre a gasolina e o gás de forma totalmente automática, baseando-se na demanda de força e na disponibilidade de combustível. O motorista não precisa intervir no processo durante a condução. Avaliações internas da montadora indicam que a adoção do sistema micro-híbrido resultou em ganhos mensuráveis de eficiência energética. A tecnologia permite que os proprietários de veículos com tração nas quatro rodas desfrutem de maior potência sem inflacionar os custos de manutenção.
Vantagens econômicas e ambientais no mercado europeu
A manutenção da oferta de veículos a GLP representa um diferencial competitivo importante para a montadora no continente europeu. Os carros equipados com essa tecnologia recebem a classificação ambiental ECO em diversos países do bloco. O selo garante benefícios diretos aos proprietários, como a permissão para circular em zonas de baixa emissão nos centros das grandes metrópoles. A vantagem atrai consumidores que precisam de mobilidade urbana sem restrições.
O aspecto financeiro continua sendo o principal atrativo para a aquisição de modelos bifuel. O custo do quilômetro rodado com gás liquefeito de petróleo mantém-se consideravelmente inferior ao registrado com o uso de gasolina ou diesel. A rede de postos de abastecimento adaptados para GLP encontra-se em fase de expansão na Europa, facilitando a rotina dos motoristas. A economia gerada no uso diário compensa o investimento inicial no veículo.
- Redução média de 20% nas emissões de dióxido de carbono quando comparado aos motores equivalentes movidos apenas a gasolina.
- Autonomia total superior a 1.200 quilômetros na grande maioria dos modelos atualizados para a linha de 2026.
- Manutenção mecânica com complexidade e custos similares aos de veículos convencionais a combustão.
- Disponibilidade inédita de câmbio automático nas versões a gás, elevando o padrão de conforto da categoria.
A recepção inicial das concessionárias em relação às novidades tem sido positiva. Representantes de vendas relatam um volume alto de consultas pelas versões atualizadas do Sandero e do Jogger. O esclarecimento público sobre a continuidade da tecnologia ajudou a tranquilizar os compradores que haviam pausado suas decisões de compra após os rumores de descontinuidade.
Estratégia de transição energética depende de normas futuras
A direção da empresa posiciona os motores a gás como uma ponte essencial para garantir a mobilidade acessível durante o atual período de transição energética. A tecnologia atende a uma parcela significativa de clientes que buscam alternativas econômicas, mas que ainda não possuem condições financeiras ou infraestrutura para migrar para veículos totalmente elétricos. O portfólio da marca foca na essencialidade e no controle rigoroso dos preços finais.
Os investimentos aplicados no desenvolvimento da gama 2026 evidenciam a confiança da companhia na viabilidade do sistema bifuel até o limite das regras atuais. A equipe de engenharia e planejamento monitora constantemente as discussões no parlamento europeu sobre as novas metas de descarbonização. Qualquer alteração drástica na oferta de produtos ocorrerá apenas em resposta a imposições legais definitivas.
Além das melhorias mecânicas, os carros receberam atualizações estéticas sutis para acompanhar a virada de ano modelo. O Sandero Stepway, por exemplo, apresenta faróis com novo desenho interno e materiais de revestimento revisados na cabine. As versões de topo, como a Extreme e a Journey, ganharam acabamentos exclusivos que diferenciam os modelos visualmente, mantendo o acesso irrestrito aos novos motores ECO-G.
A comunicação corporativa da montadora adotou um tom mais cauteloso ao abordar planos de longo prazo, focando na transparência sobre a dependência de fatores externos. A mensagem central transmitida ao mercado reforça um planejamento industrial sólido e previsível até o horizonte de 2030. Os consumidores europeus terão acesso às primeiras unidades com as atualizações técnicas a partir dos próximos meses nas lojas oficiais.










