Renê Belmonte, roteirista de Se Eu Fosse Você e Rebelde, morre aos 55 anos no Rio de Janeiro
O roteirista Renê Belmonte morreu nesta terça-feira, 26 de maio, aos 55 anos, no Rio de Janeiro. A causa da morte ainda não foi divulgada pela família. A Associação Brasileira de Autores Roteiristas confirmou o falecimento em nota oficial.
Trajetória começou em São Paulo e ganhou força no Rio
Nascido em 27 de janeiro de 1971 na capital paulista, Renê Belmonte formou-se em publicidade pela ESPM. Ele complementou a formação com cursos de roteiro em Londres e na oficina de dramaturgia da Rede Globo. A mudança para o Rio de Janeiro, em 2001, marcou o início de uma fase mais intensa de criação.
Entre 2001 e 2004, ele avaliou e desenvolveu projetos de longa-metragem e televisão. Naquele período, colaborou em dezenas de iniciativas, incluindo séries e consultorias para produções variadas. Essa base técnica ajudou a construir um estilo que misturava comédia, drama e observação social.
Sucessos no cinema nacional marcaram carreira
Renê Belmonte assinou roteiros de comédias que se tornaram fenômenos de bilheteria no Brasil. Os dois primeiros longas da franquia Se Eu Fosse Você, dirigidos por Daniel Filho, levaram milhões de espectadores aos cinemas. O humor leve e as situações do dia a dia conquistaram o público.
Outros trabalhos incluíram Sexo, Amor e Traição, Entre Lençóis, Assalto ao Banco Central, De Pernas pro Ar 3 e DPA 3. Cada título reforçou a presença dele no circuito comercial. Os filmes combinavam entretenimento com retratos reconhecíveis da sociedade brasileira da época.
- Sexo, Amor e Traição (2004)
- Se Eu Fosse Você (2006)
- Se Eu Fosse Você 2 (2009)
- Assalto ao Banco Central (2011)
- De Pernas pro Ar 3 (2012)
Esses projetos acumularam grande público e abriram portas para novas parcerias. O roteirista também participou de coproduções internacionais, como o colombiano Entre Sabanas e o alemão Show de Bola.
Televisão recebeu contribuições em novelas e séries
Na TV, Renê Belmonte deixou marca em produções de diferentes emissoras. Em 2011, ele integrou a equipe da adaptação brasileira de Rebelde, exibida pela Record. A série juvenil ganhou repercussão nacional e gerou trilha sonora de sucesso.
Ele ainda colaborou em Sob Nova Direção, Guerra & Paz e, mais tarde, na novela Novo Mundo, da Globo, em 2017. Essas experiências mostraram versatilidade entre comédia, drama histórico e tramas leves.
O trabalho na televisão exigia ritmo diferente do cinema. Prazos curtos e capítulos semanais pediam agilidade. Renê Belmonte equilibrava essas demandas com a criação de diálogos naturais e personagens próximos do espectador.
Últimos anos dedicados ao teatro e curtas
Mais recentemente, o roteirista reduziu o volume de trabalhos para televisão e cinema. Ele se voltou para o teatro e para a direção de curtas-metragens. O projeto Originários ganhou atenção no circuito independente.
Amigos e colegas destacam o humor, o movimento e o afeto como traços marcantes da personalidade dele. A nota da Abra lembrou o papel de Renê Belmonte na organização coletiva de roteiristas. Ele participou da fundação de entidades que defendem direitos autorais no Brasil.
O velório está marcado para esta quarta-feira, 27 de maio, no Rio de Janeiro. A informação partiu de fontes ligadas à família e à classe artística.
Legado inclui memória audiovisual brasileira
A carreira de Renê Belmonte atravessou mais de duas décadas de produção nacional. Seus roteiros ajudaram a contar histórias que entraram no imaginário coletivo. Comédias românticas e tramas juvenis marcaram gerações diferentes de espectadores.
Profissionais do setor veem a partida como perda precoce. Aos 55 anos, ele ainda desenvolvia ideias para novas produções. O foco no teatro e nos curtas indicava desejo de experimentar formatos mais pessoais.
A produção audiovisual brasileira perde um autor que transitou com naturalidade entre gêneros e plataformas. O currículo extenso deixa registros concretos do talento e da dedicação ao ofício.


