Ciência

Segredos do sistema solar: cometa 3I/Atlas desvenda mistérios após aproximação da Terra em 2025

3IATLAS - Nasa
3IATLAS - Nasa - Foto Nasa

Um enigmático visitante do espaço profundo, o cometa 3I/Atlas, capturou a atenção do mundo em 2025, revelando segredos que podem ser bilhões de anos mais antigos que o nosso próprio sistema solar. Imagens registradas pelo telescópio Hubble, em 21 de julho daquele ano, a 446 milhões de quilômetros da Terra, geraram muitas especulações sobre o objeto.

Aproximando-se do planeta, o cometa inspirou teorias que variavam desde um possível risco de colisão até a controversa ideia de que seria uma nave alienígena.

O 3I/Atlas alcançou sua máxima aproximação da Terra em 19 de dezembro de 2025, uma “proximidade” relativa no vasto contexto astronômico.

Essa posição favorecida permitiu que telescópios e equipamentos de alta tecnologia coletassem dados e imagens cruciais. As análises posteriores expandiram o conhecimento sobre o cometa e proporcionaram insights inéditos sobre a formação de outros sistemas estelares, algo que não seria possível apenas com a observação de cometas internos.

Desvendando a origem e a composição do cometa 3I/Atlas

O astrônomo Jorge Marcio Carvano, do Observatório Nacional, explica que cometas são formados por gelo e poeira em regiões distantes dos sistemas planetários.

Contudo, o que torna o 3I/Atlas especial é que a maioria dos cometas estudados até então se formou dentro dos limites do nosso Sistema Solar.

Considerado o terceiro objeto interestelar detectado, o 3I/Atlas veio de fora da nossa vizinhança cósmica. Sua descoberta foi feita por observatórios e centros de pesquisa vinculados a diversas instituições.

Os dois objetos interestelares identificados anteriormente foram o Oumuamua, em 2017, e o Borisov, em 2019.

A presença do 3I/Atlas abriu uma oportunidade sem precedentes para entender a gênese de outros sistemas planetários com características distintas das nossas.

Carvano contextualiza que cometas, formados por grãos de poeira e gelo, mantêm seu material intocado por nunca terem se aproximado do Sol.

3I/Atlas
3I/Atlas – X/@jameswebb_nasa

Ao estudar esses corpos celestes, é possível investigar os eventos primordiais da formação do Sistema Solar, auxiliando na compreensão da origem da Terra e de outros planetas.

Há evidências que sugerem uma conexão entre esses objetos cósmicos e a presença de água no nosso planeta, com pesquisas apontando que asteroides ou cometas podem ter contribuído para isso.

Além disso, Carvano acrescenta que esses corpos são ricos em material orgânico, levantando a possibilidade de estarem relacionados ao surgimento da vida no Sistema Solar.

Para o 3I/Atlas, todas essas considerações ganham uma dimensão ainda maior devido à sua origem externa.

O astrônomo ressalta que, por vir de fora, o 3I/Atlas oferece a chance de compreender essas questões em uma escala mais ampla, estudando a formação de outros sistemas planetários e estrelas.

Os obstáculos da pesquisa científica para coletar dados do 3I/Atlas

É importante considerar, no entanto, que o vasto conhecimento obtido do cometa exigiu um período considerável de pesquisa.

Esse processo envolveu a complexa captação de imagens, medições precisas e, subsequentemente, meses e anos de análises e interpretações de dados.

Uma data crucial para esse trabalho foi 19 de dezembro de 2025, quando o cometa 3I/Atlas atingiu sua menor distância da Terra, estimada em aproximadamente 270 milhões de quilômetros, quase o dobro da distância entre a Terra e o Sol.

Essa oportunidade permitiu que instrumentos como o telescópio espacial Hubble realizassem observações detalhadas, registrando informações essenciais sobre o 3I/Atlas.

Para ilustrar a dificuldade, mesmo estimativas aparentemente simples tornam-se complexas quando se trata de distâncias estelares.

O cálculo do tamanho do cometa é um exemplo: inicialmente, a Nasa projetava um diâmetro entre 300 metros e 5,6 quilômetros para o 3I/Atlas.

O professor Carvano informou que observações e modelos mais recentes apontam para um tamanho menor, entre 600 e 800 metros de diâmetro, revisando as estimativas iniciais.

Esse cálculo foi complicado pelo fato de que o cometa, ao se deslocar e aproximar do Sol, ficava envolvido por uma grande nuvem de gás e poeira.

Cometas, feitos de gelo, passam por sublimação (transformação direta de gelo em gás) quando se aproximam de uma estrela, devido ao calor e à radiação.

Junto com a liberação de gases, o cometa também desprende parte da poeira que estava contida em seu interior.

Essa dinâmica é o que forma o rastro brilhante conhecido como “cauda do cometa”, que, no caso do 3I/Atlas, foi objeto de intensa controvérsia.

A controvérsia sobre a procedência do 3I/Atlas e a especulação da nave alienígena

Em certas ocasiões, este objeto interestelar exibiu um comportamento incomum na liberação de gases e partículas de poeira.

Carvano explica que, normalmente, as caudas dos cometas são impulsionadas na direção oposta ao Sol pela radiação e ventos solares.

No entanto, o 3I/Atlas mostrou uma peculiaridade ao liberar gases e poeira na direção do Sol, fenômeno apelidado de “cauda reversa” ou “topete”.

Essa anomalia alimentou teorias, algumas sugerindo que o 3I/Atlas poderia ser uma sofisticada nave extraterrestre.

Entretanto, essa afirmação foi categoricamente refutada pelo consenso entre pesquisadores e cientistas da astronomia.

Durante uma coletiva de imprensa em novembro de 2025, Amit Kshatriya, da Nasa, abordou a questão, classificando-a como um simples “rumor”.

Ele declarou que o objeto “é um cometa. Ele possui a aparência e o comportamento típicos de um cometa. E todas as evidências disponíveis apontam para que ele seja, de fato, um cometa.”

Carvano acrescenta que é compreensível que um objeto de fora do Sistema Solar apresente padrões e comportamentos ligeiramente diferentes dos que estamos habituados.

O astrônomo exemplifica que “mesmo essa peculiaridade da cauda na direção do Sol, já tivemos a oportunidade de observar fenômenos semelhantes em cometas que pertencem ao nosso próprio Sistema Solar”.

Ele complementou que, por ser “um objeto que vem de fora do Sistema Solar, então já esperávamos que ele apresentasse uma composição diferente da média dos cometas que conhecemos”, reforçando a expectativa por singularidades.

Em meio a notícias e boatos, Carvano expressou a convicção de que novos objetos interestelares serão identificados nos próximos anos, passando pelas regiões da Via Láctea.

Ele observa com otimismo que, “atualmente, dispomos de telescópios mais avançados e conseguimos processar os dados de forma mais eficiente, o que facilita enormemente a descoberta desse tipo de objeto”.

O astrônomo constatou que vivemos uma “era de grande entusiasmo para o estudo aprofundado dos cometas”, celebrando os avanços na capacidade de pesquisa.

No momento de sua descoberta, o 3I/Atlas registrava uma impressionante velocidade de 221 mil km/h. Sua trajetória calculada indicou que aquela foi a primeira e, provavelmente, única vez que ele faria uma passagem “próxima” da Terra.

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