Ciência

Maior galáxia conhecida, IC 1101, tem seu tamanho oficial confirmado por estudo

Espaço, estrelas
Espaço, estrelas - janush/shutterstock.com

Novas observações astronômicas confirmaram o tamanho da IC 1101, a maior galáxia conhecida até hoje. O estudo detalhado, conduzido por pesquisadores e publicado em 16 de julho de 2026, revelou que o sistema gigante se estende por cerca de 1,7 milhão de anos-luz. Essa dimensão impressionante reafirma a galáxia como uma das estruturas mais colossais do universo.

Antes dessas análises, as regiões mais externas da IC 1101 eram um mistério para os cientistas. Observações anteriores apontavam para uma extensão excepcional, mas identificar uma fronteira física clara era um desafio. As novas imagens, as mais profundas já obtidas da galáxia, permitiram que os astrônomos distinguissem suas bordas tênues do brilho circundante do aglomerado de galáxias onde ela reside.

Desvendando o gigantismo: astrônomos confirmam dimensões de IC 1101

As pesquisas recentes forneceram uma medida precisa das proporções da IC 1101, estimando sua massa estelar em aproximadamente 3,4 trilhões de massas solares. Essa nova delimitação foi crucial para entender a verdadeira magnitude da galáxia. O trabalho foi liderado por Carlos Marrero-de la Rosa, do Instituto de Astrofísica de Canarias, e os resultados foram compartilhados em um servidor de pré-impressão.

A equipe combinou imagens ultraprofundas com uma correção rigorosa para a luz espalhada, possibilitando a visualização das partes mais afastadas da galáxia. Essa abordagem inovadora permitiu que as bordas antes indefinidas da IC 1101 fossem finalmente demarcadas, fornecendo dados concretos sobre sua vasta extensão.

Observações ultraprofundas revelam as bordas da galáxia

Para determinar o alcance total da IC 1101, a equipe utilizou imagens detalhadas capturadas pela Wide Field Camera do Isaac Newton Telescope. A detecção de estruturas tão tênues exigiu um método sofisticado para eliminar a interferência de estrelas em primeiro plano, cuja luz dispersa poderia obscurecer a fraca emissão estelar da galáxia.

Os pesquisadores desenvolveram um modelo preciso da função de dispersão pontual do telescópio, utilizando dezenas de estrelas de calibração com diferentes níveis de brilho. Em seguida, subtraíram a luz espalhada de mais de 250 estrelas em primeiro plano, uma por uma, o que resultou em uma visão muito mais nítida das regiões externas do sistema colossal. Os perfis de brilho radial resultantes indicaram uma borda distinta a cerca de 260 kiloparsecs do centro da galáxia.

“O raio da borda medido para IC 1101 permanece entre os maiores valores relatados até hoje para uma galáxia individual, correspondendo a um diâmetro projetado de ∼520 kpc”, afirmaram os autores do estudo.

A escala de IC 1101 em comparação com a Via Láctea

As novas medições da IC 1101 ressaltam sua escala extraordinária, que a posiciona como uma gigante cósmica inigualável. Para contextualizar sua vastidão, basta compará-la com a nossa própria galáxia, a Via Láctea, que parece minúscula em contraste.

  • Diâmetro de IC 1101: cerca de 1,7 milhão de anos-luz (520 kiloparsecs).
  • Diâmetro da Via Láctea: aproximadamente 100.000 anos-luz (cerca de 30 kiloparsecs).
  • Massa estelar de IC 1101: estimada em 3,4 trilhões de massas solares.
  • Massa total da Via Láctea: entre 1 e 1,5 trilhão de massas solares, incluindo a matéria escura.

Isso significa que a IC 1101 tem um diâmetro aproximadamente 17 vezes maior que o da Via Láctea. Além disso, a massa estelar da IC 1101, por si só, supera a massa total estimada da Via Láctea, que compreende tanto a matéria visível quanto a matéria escura. Essas comparações solidificam a posição da IC 1101 como a maior galáxia individual conhecida cujo tamanho foi diretamente estabelecido por observações.

Sinais de crescimento e fusão em andamento na maior galáxia

A IC 1101 está localizada no centro do aglomerado de galáxias Abell 2029 e é classificada como uma das galáxias mais brilhantes de aglomerados (BCGs). Esses sistemas imensos se formam ao longo de bilhões de anos, crescendo pela absorção gradual de galáxias menores. À medida que evoluem, seus halos estelares difusos se misturam com a luz intraglomerado, o que historicamente dificultava a definição exata de seus limites.

Além de sua fronteira externa, as imagens detalhadas revelaram outras informações importantes. Os pesquisadores identificaram oito grandes e tênues estruturas estelares assimétricas que se estendem para além da borda principal da galáxia. Essas descobertas oferecem novas perspectivas sobre a evolução do sistema. Duas dessas estruturas coincidem com perturbações de “oscilação” de raios-X previamente identificadas no gás quente que envolve o aglomerado Abell 2029. Observações anteriores de raios-X associaram essas perturbações a uma colisão com outro grupo de galáxias, ocorrida há aproximadamente 2 a 3 bilhões de anos.

“A IC 1101 se destaca como a maior galáxia conhecida até o momento, contudo, suas regiões externas revelam indícios de montagem de massa em curso”, escreveram os autores. Essa evidência sugere que a galáxia gigante ainda está em processo de evolução, continuando a acumular massa, em vez de ser um sistema totalmente estável e consolidado.

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